Apesar de decreto, indústrias sucroenergéticas devem continuar em Goiás

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), assinará um decreto que prevê restrições ao funcionamento de indústrias do Estado por 15 dias. O texto deve ser publicado hoje, 20, e endurece e ressalta que apenas funcionarão atividades econômicas essenciais para a manutenção da segurança alimentar, hospitalar e pública. As indústrias do setor sucroenergético devem entrar no hall de atividades essenciais.

De acordo com o jornal do Estado de Goiás, O Popular, o novo texto é complementar ao que havia sido decretado e deve proibir trabalho presencial nas empresas privadas de toda a cadeia produtiva, estabelecendo exceções.

Poderão trabalhar aquelas empresas que produzem medicamentos, materiais hospitalares, alimentos, produtos de higiene e limpeza, gás de cozinha, combustíveis, rações animais, produtos agropecuários, sistema bancário e financeiro, portarias e vigilância patrimonial, transportes (público, táxi e aplicativos), lavanderias hospitalares, hospitais, laboratórios de exames clínicos e imagem e dentistas para atendimentos de urgência. Os restaurantes funcionarão apenas em modo delivery.

Usinas Sucroenergéticas

Das 5 unidades que produzem etanol de milho, quatro já estão em safra e uma já parou e deve retornar no fim da safra de cana, provavelmente em novembro. Três unidades sucroenergéticas já iniciaram suas safras em Goiás.

De acordo com André Rocha, presidente-executivo dos sindicatos da Indústria de Fabricação de Etanol e Açúcar do Estado de Goiás (Sifaeg/Sifaçúcar), o setor sucroenergético está inserido dentro das empresas que garantem o abastecimento do Estado, tanto em função da produção de açúcar, que é alimento, quanto na produção do álcool 70, para poder atender hospitais, e na questão do abastecimento de energia e combustíveis.

“A princípio, na reunião com o Governador, entendemos que tais atividades seriam permitidas, mas assim que sair o decreto teremos conhecimento e saberemos o que será restrito”, afirmou à RPAnews.

Ainda de acordo com ele, não é possível dizer que não haverá impactos na safra de cana do Estado.

“A questão não é só colher a cana, acho que o mercado vai ter que sintonizar o que vai ocorrer pela própria demanda do consumo de etanol e açúcar, pela questão da exportação. É preciso ver se as usinas vão querer colher toda a cana do campo e processar e também não sabemos se essa paralização de atividades econômicas de maneira geral nãi vai causar nenhum tipo de nó logístico. Por hora, vamos fazer a safra que estava planejada. Mas acredito que durante o ano e, à medida em que se prolongar o problema do Coronavírus, alguns ajustes com certeza serão feitos”, destacou Rocha em entrevista à RPAnews.

Para Fernando Perri, membro do Comitê Gestor da unidade Anicuns, do Grupo Farias,  localizada em Goiás,  muitas dúvidas existem com relação ao decreto do governador do Estado, mas diz que o momento atual exige que os grupos apoiem todas as medidas que venham preservar vidas .

“A situação é muito grave e o governador Caiado, como governador e médico, tem tomado atitudes duras mas necessárias. Nosso grupo já havia tomado iniciativas neste sentido, tais como, home office, separação dos turnos, esclarecimentos sobre o COVID-19 aos funcionários, atitudes preventivas, suspender viagens e visitas, ou seja, estabelecemos protocolos”, diz Perri.

Ainda segundo ele, a diretoria do Grupo Faria apoia todas as medidas necessárias para segurança de seus colaboradores e da sociedade. “Tomamos iniciativa de, em parceria com a sociedade civil, abastecer os pontos vitais das cidades de influência de nossas empresas com álcool 70.”