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Aquisição da Biosev pela Raízen pode ser o início da consolidação no setor

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Hoje, os preços do adoçante vêm em uma trajetória ascendente e a alta do dólar, aliada à recuperação gradual dos preços do petróleo, favorece as margens dos combustíveis.

“O desempenho do setor sucroenergético em 2020 vai ser muito melhor do que o esperado”, afirma Andy Duff, estrategista global de açúcar e etanol do Rabobank Brasil, banco especializado no setor do agronegócio.

O banco estima que a safra 2020/2021 do Centro-Sul do país, responsável pela maior parte da produção brasileira de cana-de-açúcar, alcance de 585 milhões a 600 milhões de toneladas, um volume estável em relação ao ciclo passado, mesmo diante dos efeitos da pandemia.

Neste cenário, o especialista acredita que o movimento de consolidação é natural. Ele explica que há uma certa “polarização” no setor: de um lado empresas fortemente estruturadas, com alta capacidade de estocagem e crédito amplo no mercado. Do outro estão as usinas com saúde financeira comprometida.

“Quem tem um bom desempenho vai continuar melhorando, e quem está ruim tende a continuar piorando”, diz Duff.

No ano-safra encerrado em março, a Biosev registrou prejuízo líquido recorde de 1,55 bilhão de reais, seu nono resultado negativo consecutivo.

“A Biosev é uma empresa que precisa de um investimento muito grande e está altamente endividada. Dependendo do preço negociado, a aquisição pode ser positiva, mas tudo depende do desembolso que a futura compradora terá que fazer”, afirma Fernando Bresciani, analista de investimentos.

Segundo ele, o movimento de consolidação no setor faz todo sentido. “O Brasil é o maior produtor do mundo, a demanda está em recuperação e os preços do açúcar estão voltando a subir lá fora.”

Desde 2005, 95 usinas fecharam as portas no Centro-Sul do país. Se os preços do açúcar não mantiverem sustentação no mercado global, mais uma vez a configuração das lavouras no Brasil pode mudar, cedendo espaço para outras culturas. E se a cotação do petróleo cair mais ainda, o cenário se agrava.

Por esse motivo, a disparidade entre as usinas brasileiras pode aumentar, conforme a avaliação do especialista do Rabobank. “Os produtores de cana estão preferindo vender para as usinas mais capitalizadas, o que piora a situação daquelas que enfrentam dificuldades financeiras e dificulta sua sobrevivência”, diz Duff.

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Episódio 23: O etanol de milho pode mudar o futuro das usinas brasileiras?

Episódio 22: Como as tecnologias e a IA impactam as operações agrícolas?

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