Ásia: o futuro do açúcar brasileiro

Mesmo com a concorrência acirrada da Tailândia, o aumento do consumo de açúcar nos países do Sudeste Asiático deve sustentar as exportações da commodity brasileira até 2020

Natália Cherubin

Indonésia, Bangladesh, Malásia e China. Desde o início deste ano, tem se tornado cada vez mais comum avistar navios destes países, historicamente importadores de açúcar da Tailândia, atracados nos portos brasileiros à espera de carregamentos de açúcar. Nem mesmo a Índia, um dos principais produtores mundiais, que chegou no ano passado a exportar açúcar para outros países, escapou de recorrer a commodity brasileira.

A falta de oferta do produto na região do Sudeste Asiático, provocado tanto pela quebra de safra dos importantes polos produtores e exportadores, ocasionada tanto por conta da seca que atingiu a região, quanto pelo contrabando do adoçante para a China, são alguns dos motivos que vem transformando o mercado mundial de açúcar, que deverá ser bastante positivo para o Brasil até 2020.

Só em julho deste ano, as exportações brasileiras de açúcar alcançaram 2,9 milhões de t elevando o acumulado de doze meses para 26,75 milhões de t (de agosto de 2015 até julho de 2016), 10,4% a mais do que o mesmo período do ano passado, segundo Arnaldo Luiz Corrêa, diretor da Archer Consulting. “O acumulado no ano safra (de abril até agosto) soma 9,1 milhões de t, o maior volume desta década.”

Boa parte deste aumento é consequência do crescimento da demanda de alguns países asiáticos pela commodity brasileira, que vem se tornando mais intensa desde fevereiro deste ano, período que corresponde a entressafra da região Centro-Sul. De acordo com João Paulo Botelho, analista de açúcar e etanol da INTL FCStone, entre fevereiro e abril de 2016, os volumes de exportação para essa região chegaram a 367 mil t, volume 87% maior do que a média exportada no mesmo período dos últimos três anos.

Em 2015, de acordo com o Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), dos 24,03 milhões de t de açúcar exportados para 129 países, 2,51 milhões de t foram para a China, primeiro no ranking dos cinco maiores importadores do açúcar brasileiro. Em segundo lugar está Bangladesh, que importou 2,47 milhões t, em terceiro a Argélia, com 1,63 milhão de t, em quarto a Nigéria, com 1,34 milhão de t e em quinto vem a Rússia, que importou 1,04 milhão de t. Somente estes cinco países importaram 37,4% de toda a exportação brasileira e vale destacar que os dois primeiros lugares e o quinto são países asiáticos, o que nos faz pensar: será a Ásia o grande mercado para o açúcar brasileiro também no futuro?

Segundo Antonio de Padua Rodrigues, diretor Técnico da Unica (União da Indústria de Cana-de-açúcar), desde 2012, os chineses são os principais compradores de açúcar. No acumulado de janeiro a julho deste ano, o Brasil exportou um valor recorde para o período. Foram enviadas 1,6 milhão de t para a China, um crescimento de 36,3% em relação ao volume comercializado para o país nos seis primeiros meses de 2015.

Para a safra 2016/17, há perspectivas de aumento nas exportações de açúcar brasileiro para a China, já que haverá queda de produção no país asiático e aumento de consumo. A previsão é que o consumo de açúcar na China cresça para 15,4 milhões de t em 2015/16, ante 15,2 milhões em 2014/15. A China se apresenta como o maior importador de açúcar do mundo, o principal destino do açúcar brasileiro e se manterá como principal importador do açúcar brasileiro, posto anteriormente ocupado pela Rússia.

CLIMA, OFERTA E DEMANDA GLOBAL

O consumo de açúcar no mundo cresce a cada ano de 1,5% a 2,0%, taxa bastante consistente ao longo do tempo, segundo Andy Duff, analista de Commodities e especialista do Setor de Açúcar e Etanol do Rabobank. No entanto, a produção mundial de açúcar segue muito mais volátil, impactada principalmente pelo clima e pelos próprios preços, que nos anos anteriores foram baixos e desestimularam investimentos em novas áreas de cana e beterraba, impactando também na manutenção dos canaviais, que foi reduzida. “Assim, chegamos na safra 2015/16 com uma queda da produção mundial de açúcar, depois de vários anos de preço mundial em queda, junto com o El Niño, fenômeno que impactou a produção na Ásia e até no Nordeste do Brasil.”

A crescente demanda da indústria de alimentos e bebidas na Ásia, juntamente com anos seguidos de produções menores de açúcar, tem empurrado o estoque de açúcar da Ásia para baixas históricas. Segundo os dados do último relatório do Rabobank, de agosto, depois de um 2015/16 ruim, o El Niño tem impactado a produção de açúcar em 2016/17, tornando a região dependente do açúcar importado diante da crescente demanda doméstica industrial.

Duff explica que ao longo dos últimos dez anos, a produção de açúcar na Ásia assistiu um forte crescimento, que direcionou os estoques para níveis recordes. Durante este período, 2008/09 foi o único ano a ter um déficit na oferta e demanda regional, causado por uma redução acentuada na produção de açúcar da Índia, segundo maior produtor do mundo, que viu sua produção cair para 16 milhões de t.

Em 2015/16, a Ásia testemunha o seu primeiro ano de déficit depois de mais de cinco anos. A produção de açúcar chinês caiu em mais de 2,3 milhões de t (valor bruto), comparado a 2014/15. Já a produção indiana, deve encolher em mais de 4 milhões de t, empurrando a Ásia para um déficit total de quase 2 milhões de t.

“A Índia deve ver uma queda na sua produção também para o ciclo 2016/17, devido a secas ocorridas entre 2014/15 e 2015/16 no país. Deste modo, espera-se que o país também seja um grande importador de açúcar para o ciclo 2016/17. Já a produção de açúcar da Tailândia continua sujeita a restrições devido ao plantio de cana inferior previsto para 2015/16 o que, portanto, não vai ajudar a reduzir o gap regional”, destaca Duff.

Na China, os preços domésticos continuam deprimidos, apesar dos esforços dos governos locais para fortalecê-los, o que está restringindo o aumento da produção de cana-de-açúcar. No Vietnã, a falta inovação e investimentos, combinado com o clima ruim, causou uma grande queda na expectativa de produção. Já a Indonésia, que caminha para ser auto-suficiente em açúcar, ainda continuará a ser um importador líquido no curto e médio prazo.

Com um gap de cerca de 3 milhões de t em 2016/17 e suprimentos baixos no mercado mundial de açúcar, a indústria de alimentos e bebidas da região estão enfrentando mais um ano de déficit de açúcar. Em nível global, enquanto na Europa e no Brasil estão previstos uma melhora na produção do próximo ano, o Rabobank espera outro déficit mundial de açúcar de 5,5 milhões de t em 2016/17. Diante disso, os preços do açúcar devem permanecer bem apoiados ao longo dos próximos 12 meses.

“A demanda industrial para o açúcar continua forte e deve crescer à medida que o aumento da prosperidade na Ásia continue a impulsionar o crescimento do consumo de alimentos e bebidas industrializadas. Enquanto a maioria dos países criaram políticas como as tarifas de importação e preços mínimos para compra de cana, afim de influenciar e estabilizar o abastecimento interno e os preços do açúcar, usuários industriais permanecem abertos ao risco de preços mais elevados e/ou rupturas de fornecimento. Compradores industriais deverão, portanto, ter que considerar estratégias financeiras e operacionais para mitigar esses riscos de preços”, detalha relatório do Rabobank.

Outro ponto que tem ajudado o mercado brasileiro foi a queda nos preços do petróleo e a desvalorização cambial, o que fez com que os preços do frete para a Ásia, principal região compradora do produto, tenham ficado mais competitivos, 50% inferiores aos praticados em 2015.

“O preço do frete, tanto marítimo como o rodoviário, quando cotados em dólar, apresentaram uma retração significativa nos últimos meses de dezembro de 2015, além da variação cambial e da queda do preço do petróleo, a desaceleração da economia chinesa fez com que a demanda pelas commoditiesagrícolas ficasse menor, liberando maior espaço nos navios e contribuindo para preços mais competitivos”, avalia Botelho.

Ainda segundo o analista da INTL FCStone, a retração nos preços do frete beneficiou mais o Brasil do que os demais países produtores em relação aos mercados mais disputados, que são o Oriente Médio e a Ásia. Além disso, o real desvalorizado faz com que o açúcar fique mais barato para quem compra e garante maior rentabilidade ao produtor brasileiro. “No mercado asiático e no Oriente Médio, a Tailândia e a Índia são as principais concorrentes da Brasil pela maior proximidade, o que gera custos menores com transporte. Com a queda no preço do frete e o dólar valorizado, o açúcar nacional atinge maior competitividade. Diante deste cenário, a tendência é que a participação do Brasil no mercado internacional seja ampliada”, observa.

CONTRABANDO DE AÇÚCAR

Além das quebras de safras nos países do Sudeste Asiático e da redução dos preços dos fretes, outro fator que propiciou a construção da atual realidade do mercado mundial de açúcar foi o aumento do contrabando do produto para a China, que ocorreu no final do ano passado e início deste, e que pode ter chegado a cerca de 1,2 milhão de t do comércio global, segundo Plinio Nastari, presidente da consultoria Datagro.

Os contrabandos ocorreram porque, em 2015, o governo chinês passou a regular a liberação de licenças de importação de açúcar, retirando a automaticidade do processo no momento de quebra de safra no país. Segundo Botelho, como uma quantidade elevada de açúcar, que já havia sido contratada por algumas refinarias, ficou parada no porto, os comerciantes de Myanmar começaram a comprar da Índia e da Tailândia para colocar o produto ilegalmente na China, via terrestre, entre os meses de janeiro de 2015 a março de 2016.

A Tailândia chegou a exportar, apenas por navio, quatro vezes mais açúcar para Myanmar durante seu período de safra (de novembro do ano passado a março deste ano). O volume, de 356 mil t, porém, indica apenas uma parcela do que pode ter sido contrabandeado à China via Myanmar, já que não há registros da quantidade exportada por terra. Segundo Botelho, o surto de contrabando só terminou quando os preços internacionais subiram muito, o que fez com que o comércio ilegal deixasse de ser lucrativo.

ÁSIA: O PRESENTE E O FUTURO

Ao analisar atentamente o cenário atual e as perspectivas dos especialistas para o futuro do açúcar no mercado asiático, fica fácil responder à pergunta feita no início desta reportagem: O mercado asiático é e continuará sendo o futuro para o açúcar brasileiro? A resposta é sim! “A Ásia é o gigante de consumo, representando 47% do consumo global e cresce robustamente em decorrência do crescimento da população, do crescimento da renda e das mudanças em alimentação que acompanham a urbanização da população”, afirma Duff.

De acordo com previsões da Archer Consulting, a demanda por açúcar para exportação deverá saltar de 25,57 milhões de t na safra 2017/18 para 28 milhões de t na safra 2021/22, um incremento de 6,04%. Considerando também o consumo de etanol anidro e hidratado, e o consumo doméstico do açúcar, que deve pular dos 11,6 milhões de t em 2017/18, para 12,46 milhões de t, o volume de cana necessário para os próximos cinco anos deverá ser de 226 milhões de t. “Como o crescimento mundial de consumo se concentra em grande parte na Ásia, não é difícil assumir que eles serão nosso grande mercado. Só China e Índia juntas, crescem em consumo até 2020, mais de 6 milhões de t”, destaca Corrêa.

O relatório do Rabobank mostra que o consumo asiático de alimentos e bebidas industrializadas é o que irá conduzir o crescimento da demanda por açúcar. “A Ásia tem estabelecido um ritmo de crescimento do setor de alimentos e bebidas industrializados desde 1990, impulsionado principalmente pelo crescimento da China. Com o rápido crescimento projetado para a Índia e o Sudeste da Ásia, acreditamos que esta tendência – da Ásia impulsionando o crescimento mundial assim como a prosperidade econômica da região – provavelmente persistirá, embora a uma taxa mais baixa. Sem surpresa, o Vietnã está na liderança dos países em crescimento na Ásia, a uma taxa de dois dígitos ao ano”, afirma o relatório.

No entanto, em termos absolutos, é a China quem lidera o ranking de crescimento, sendo responsável por mais de 60% do aumento regional no volume de consumo de alimentos e bebidas industrializadas ao longo da última década. Apesar da recente desaceleração econômica da China, que poderá criar um entrave ao crescimento da demanda, por outro lado, segundo o Rabobank, a Índia deverá aumentar o consumo de alimentos e bebidas industrializadas nos próximos três anos.

Os refrigerantes têm sido um dos grandes responsáveis pelo aumento do volume do consumo de açúcar na Ásia. Embora as previsões para o crescimento do consumo de refrigerantes tenham sido reduzidas na Ásia, a projeção de crescimento é permanece à frente da maioria das outras regiões do mundo. A indústria de laticínios, panificação e biscoitos, são outros segmentos-chave de interesse para a indústria de açúcar. Ambos deverão crescer a uma taxa estável nos próximos anos.

Segundo Duff, em geral, o crescimento da indústria alimentícia mantém-se forte diante do mercado mundial. Embora a taxa de crescimento global para a Ásia tenha diminuído, a região continua a ser extremamente importante, representando quase 40% do crescimento do volume mundial entre 2015 e 2018. “Espera-se que este padrão se repita no período de projeção. Exceto para áreas emergentes tais como o Oriente Médio e África, o Sudeste Asiático vai crescer à frente de todas as outras regiões.”

A demanda regional da Ásia por açúcar, hoje de quase 50% da demanda total mundial, é projetada para crescer robustamente nos próximos anos (só a África, entre os continentes, está projetada para crescer a uma taxa maior), segundo o analista de commodities e especialista do setor de açúcar e etanol do Rabobank. “Dado que a capacidade desses países para produzir mais açúcar seja limitada pela falta de terra nova para agricultura, esse crescimento provavelmente aumentará a necessidade da região de importar cada vez mais açúcar, e o Brasil é muito bem posicionado para fornecer uma boa parte desse fluxo adicional ao comércio internacional”, afirma Duff.

A China continuará sendo o importador mais relevante, segundo Botelho, por dois motivos: crescimento da população e redução na produção. Com a rápida urbanização, ou seja, com uma população muito grande indo para as cidades, o que acaba aumentando o consumo de refrigerantes, bebidas açucaradas e alimentos industrializados, faz com que se aumente também a demanda de açúcar do país.

O consumo tem aumentado de forma constante e a produção passou por uma redução muito grande nos últimos anos. O setor canavieiro de Guangxi, a principal província canavieira da China, tem tido problemas com a produtividade e falta de manejo e mecanização em suas áreas de plantio de cana, o que faz com que o país passe a priorizar outras culturas que são mais difíceis de serem importadas, como as hortaliças, muito usadas no consumo local. Considerando todos estes fatores, há uma situação estrutural de déficit de açúcar crescente na China.

“Até o momento, o governo chinês tem tentado diminuir o volume de importações através de barreiras, mas é algo que provavelmente não será possível de se manter em longo prazo apenas por controle alfandegário. Então, esse ano o governo chinês poderá vender os estoques de açúcar e colocar no mercado afim de diminuir o preço doméstico e manter as importações relativamente baixas. Mas isso é algo limitado. Eles podem fazer isso durante esse ano e no próximo já não terão este estoque. Sendo assim, a tendência é que a China se torne cada vez mais importador de açúcar”, afirma o especialista da INTL FCStone.

Em 2015, segundo o Mapa, o Brasil exportou
24,03 milhões de t de açúcar para 129 países.

ranking foi o seguinte:

1º China

2,51 milhões de t

2º Bangladesh

2,47 milhões de t

3º Argélia

1,63 milhão de t

4º Nigéria

1,34 milhão de t

 Rússia

1,04 milhão de t

Assim, somente estes cinco países importaram 37,4% de toda a exportação brasileira. Vale ressaltar que os dois primeiros lugares e o quinto são países asiáticos, o grande mercado do açúcar brasileiro do presente e do futuro.

A CONCORRÊNCIA DA TAILÂNDIA

Apesar da elevação dos preços da commodity na Tailândia, por conta da quebra da safra local, estimada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em 10% no atual ciclo 2015/16 – para 9,74 milhões de t -, após uma forte seca no ano passado, o país, segundo maior exportador global de açúcar, atrás do Brasil, é o único que pode fazer a diferença na oferta de açúcar para os próximos anos. Segundo dados da Archer Consulting, a perspectiva é que a Tailândia produza cerca de 12 milhões de t na safra 2016/17, 12,5 milhões em 2017/18 e aumente para 13 milhões de t na safra 2018/19.

“Por mais que tenhamos cada vez mais potencial de crescimento na exportação, teremos na Ásia o principal concorrente, a Tailândia, que também terá um grande potencial de produção e poderá ser uma grande concorrente. A disputa será de market share será acirrada”, conclui Botelho.

BRASIL X TAILÂNDIA

Apesar do mercado da América Latina também ter sua importância para o Brasil, o analista de açúcar e etanol da INTL FCStone, João Paulo Botelho, afirma que muito mais importante do que conseguir se livrar das tarifas do Mercosul ao açúcar brasileiro, é o Governo continuar focado na ação junto à OMC (Organização Mundial do Comércio) contra os subsídios aos produtores de açúcar concedidos pelo governo da Tailândia, maior concorrente do Brasil na produção da commodity. A medida, solicitada pela Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), foi autorizada pelo conselho de ministros da Câmara de Comércio Exterior (Camex) em março deste ano. No entanto, a expectativa é de que o processo se desenrole por até três anos e ainda há dúvidas quanto a uma vitória brasileira.

A Tailândia elevou em 2014 o valor pago pela tonelada de cana para 160 bahts (US$ 4,50). O incentivo é válido para cerca de 300 mil produtores e para um total de 103,67 milhões de t, o que acarreta em um gasto de 16,59 bilhões de bahts (US$ 466,79 milhões). O Brasil também questiona o aumento da área plantada com cana na Tailândia nos últimos anos, mesmo em meio à queda constante dos preços internacionais do açúcar.

Na safra 2011/12, eram 1,28 milhão de ha, número que subiu em 2014/15 para 1,51 milhão de ha. Por fim, o governo brasileiro também pede informações sobre os custos de logística e sobre como são estabelecidas as cotações internas do açúcar, que ficam acima das do mercado internacional.

A Tailândia instaurou um sistema de controle de preços que garante um valor elevado para o açúcar produzido para consumo interno, e concede subvenções para a produção excedente, destinada à exportação. O país também realiza pagamentos adicionais aos produtores de cana-de-açúcar e libera subsídios para transformar arrozais em plantações de cana. Esta política, de acordo com o Brasil, viola as normas do comércio internacional. “Se o governo brasileiro tiver um resultado positivo contra a Tailândia, será uma vitória importantíssima para o setor sucroenergético nacional”, afirma Botelho.

ETANOL BRASILEIRO RUMO À CHINA?

Muito além da demanda por alimentos, o setor sucroenergético nacional pode começar a se preparar para atender uma possível demanda da China por etanol. Isto porque, o gigante asiático, maior comprador mundial de açúcar e principal destino das exportações brasileiras, enfrenta enormes desafios diante das altas taxas de crescimento demográfico e da necessidade de melhora na qualidade de vida da sua população.

Antonio de Padua Rodrigues, diretor Técnico da Unica, destaca a importância de se estreitar o relacionamento entre Brasil e China não apenas para incrementar o comércio entre as duas nações, como também para promover o desenvolvimento sustentável no maior país emissor de gases de efeito estufa do planeta. “Visto que a China anunciou a aprovação do acordo global sobre o clima, podemos buscar mais espaço para o etanol de cana. Tendo a matriz energética muito dependente do carvão e petróleo, os chineses terão que fazer um enorme esforço, nos próximos 15 anos, para diversificar fontes de energia limpa”, avalia.

Donos de uma frota automotiva composta por mais de 217 milhões de veículos, quase todos movidos por combustíveis fósseis e diante dos altos níveis de poluição de algumas cidades, inclusive já considerados alarmantes pela Organização Mundial de Saúde (OMS), a China deverá ser um provável destino para o etanol brasileiro.

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