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Bioflex investe mais de R$ 1 bilhão para diversificar produção de biocombustíveis em Alagoas

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Indústria acertou parceria com três empresas da região para fornecer melaço

Primeira indústria de etanol celulósico do Hemisfério Sul, a Bioflex, em São Miguel dos Campos (AL), vai passar por uma transformação. Diante dos desafios operacionais e comerciais do produto, a GranBio, da família Gradin, decidiu transformar a indústria em uma biorrefinaria capaz de produzir diferentes biocombustíveis a partir de resíduos do processamento da cana-de-açúcar – do etanol convencional ao eMetanol -, mantendo o objetivo de garantir uma pegada neutra em carbono. Todo o plano de transformação da planta, que foi rebatizada de Exygen, prevê investimentos de R$ 1,5 bilhão.

Para destravar o projeto, a GranBio elaborou um novo modelo de negócios. Como a indústria não cultiva nem processa cana-de-açúcar, ela acertou parceria com três empresas da região: Usina Caeté, Impacto Bioenergia, e Central Açucareira Santo Antonio. Elas fornecerão o melaço – subproduto da fabricação de açúcar -, que será a matéria-prima para a Exygen produzir etanol, biometano, biofertilizante, eMetanol e gás carbônico biogênico.

Inicialmente, elas venderão o melaço pelo custo de oportunidade de não produzirem o etanol em suas plantas e ainda terão um percentual do lucro obtido com a venda dos produtos da Exygen. Posteriormente, elas poderão optar por trocar o acordo comercial por participação societária na companhia.

Durante o lançamento da pedra fundamental da biorrefinaria nesta segunda-feira (27), Bernardo Gradin, sócio e CEO da GranBio, disse à imprensa que está perto de firmar sociedade com mais uma empresa, que entrará como sócio majoritário e capital para realizar a maior parte dos investimentos. Ele não revelou qual será o futuro sócio, mas adiantou que está em conversas com um player de energia e um comprador de gás natural.

Em meio a juros altos e depois dos anos de forte alavancagem da GranBio que forçaram a companhia a vender ativos, Gradin quer ficar distante de grandes operações de dívida. “A planta vai se financiar com equity. O financiamento deve ser mínimo, mais para financiar capital de giro. Deve ficar em no máximo 10% a 15%”, disse.

A Exygen já está investindo R$ 40 milhões para ampliar sua destilaria. A capacidade sairá de 30 milhões de litros para 120 milhões de litros em uma primeira etapa, mas novos investimentos no futuro devem elevar a capacidade para até 200 milhões de litros. Ainda neste ano a companhia pretende iniciar o investimento em uma planta de biometano feito a partir da vinhaça do etanol no mesmo parque industrial, para começar a operar em 2026. A planta deverá ser modular, e o investimento poderá ser feito em fases. Segundo ele, no pior cenário serão investidos R$ 120 milhões neste ano. O resíduo da digestão da vinhaça será usado como biofertilizante pelas usinas parceiras.

O aporte garantirá escala e eficiência, ressaltou Gradin. O volume representa o quanto uma usina convencional de cana consegue produzir de etanol a partir de 10 milhões de toneladas de cana em uma safra – equivalente à maior usina de cana do Brasil hoje. Além disso, a unidade poderá produzir etanol durante o ano inteiro, sem entressafra, já que poderá armazenar o melaço e produzir na entressafra de cana.

O custo de produção do etanol deverá cair para menos da metade em relação ao custo de produção atual das usinas médias de Alagoas, que têm capacidade média de moagem de 2 milhões de toneladas de cana por safra, segundo Gradin. “Estamos oferecendo uma visão de cadeia produtiva, sendo mais eficiente do que se uma usina fizesse sozinha” o etanol e o biometano”, afirmou.

Além disso, as características da planta atual, feita para a produção do E2G, garantirão que a nova produção do etanol convencional tenha uma baixa pegada de carbono, enquanto o biometano a ser produzido compensará as emissões restantes. A perspectiva é que isso garante um “prêmio” no mercado internacional para esse etanol com emissões de carbono neutras.

Para o biometano, a perspectiva é de uso tanto para conversão de motores a diesel como para abastecer a indústria de base, já que a unidade está a menos de 1,5 quilômetro da tubulação de gás da Origem Energia, a menos de quatro quilômetros dos tubos da TAG, que tem uma malha que atente as regiões Norte, Nordeste e Sudeste, e a 60 quilômetros do porto de Alagoas.

Para Gradin, a oferta de biometano no Estado também poderá atrair indústrias de base para o Estado. No médio prazo, a ambição é que a biorrefinaria inclua uma unidade de produção de eMetanol, combustível renovável para o transporte marítimo, e uma linha de produção de gás carbônico biogênico. Essa produção, porém, ainda depende da comprovação de uma tecnologia de transformação do hidrogênio verde para servir de insumo e que está sendo testada por um parceiro potencial da Exygen.

Com informações do Globo Rural / Camila Souza Ramos
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