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Chuvas podem segurar a produção de etanol

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A recuperação da demanda do etanol está lenta e abaixo da produção. E as chuvas que estão caindo sobre as regiões produtoras podem ajudar a equalizar com um pouco menos de oferta, já que as operações nas indústrias ficam prejudicadas. Há a torcida para que dure mais tempo.

Mesmo considerando apenas as indústrias com menor flexibilidade para fabricação de mais açúcar — que a estas alturas da safra já são várias — e as destilarias, incluindo as que processam o milho, o volume de biocombustível pressiona os preços. O litro do hidratado caiu duas semanas seguidas na venda para as distribuidoras, respectivamente 1,09% e 0,73%, segundo levantamento do Cepea/Esalq.

Inclusive, o recuo da semana passada ocorreu mesmo com o aumento de 4% da gasolina. “Muitas empresas, sobretudo as destilarias, não têm para onde correr, e com o tempo muito seco a safra estava acelerada”, diz Ricardo Pinto, CEO da RPA Consultoria. Ele chama a atenção para as empresas produtoras de etanol de milho, que ajudam a irrigar mais o mercado.

Com o setor sob capacidade baixa de estocagem — inclusive entre alguns players — e necessidade de fazer caixa (sem o açúcar no mix), a pressão das distribuidoras foi maior.

As chuvas serão mais importantes para segurarem a produção, escoando simultaneamente o etanol dos postos, se durarem mais tempo. “Não é tanto a intensidade, mas a duração”, avalia Maurício Muruci, analista da Safras & Mercado.

Está para chegar uma nova frente fria a partir de quinta-feira, considerada significativa para a época do ano, inclusive com formação de geadas no Sudeste, mas há dúvidas se trará mais chuvas generalizadas.

Do início da safra 20/21 no Centro-Sul, até 1º de agosto, a comercialização de etanol hidratado e anidro caiu 20%, dando um total pouco acima de 9 bilhões de litros. A Unica, que representa as unidades da macrorregião, confirmou há 10 dias que o setor estava com estoques 30% superior ao mesmo período de 2019.

E, assim mesmo com uma produção acumulada também menor.

Muruci, no entanto, vê essa pressão sobre o etanol como passageira. A Safras já está projetando o litro para R$ 2,31 a R$ 2,33 para janeiro. E a base que seria para o primeiro mês de 2021 foi trazida para dezembro, R$ 2,30.

Com a entressafra ficando mais próxima, a tendência é o hidratado ganhar mais preço.

Precisa só combinar com o consumidor.

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