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Contratos futuros do açúcar encerram a semana em baixa

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Os contratos futuros do açúcar fecharam a sexta-feira (17) em baixa nas bolsas internacionais. Segundo operadores ouvidos pela Reuters, o dólar mais forte e os preços da energia mais fracos contribuíram para o recuo nos preços.

Em Nova York, na ICE, o açúcar bruto, no vencimento outubro/21, fechou cotado em 19,18 centavos de dólar por libra-peso, recuo de 31 pontos no comparativo com a véspera. Já a tela março/22 desvalorizou 27 pontos, negociada a 19,86 cts/lb. Nos demais lotes o recuo oscilou entre 19 e 34 pontos.

Ainda segundo a Reuters, na sexta-feira houve comentários no mercado de novas vendas de açúcar da Índia para embarques de janeiro e fevereiro — esses negócios geralmente limitam os preços da commodity.

Em Londres, na ICE Europe, a sexta-feira também foi de baixa em todos os lotes do açúcar branco. No vencimento dezembro/21 os contratos foram firmados em US$ 504,80 a tonelada, recuo de 8,10 dólares. Já a tela março/22 foi contratada a US$ 509,70 a tonelada, desvalorização de 5,60 dólares. Os demais lotes fecharam no vermelho entre 3,70 e 5,10 dólares.

A sexta-feira também foi de baixa no Indicador Cepea/Esalq, da USP, para o açúcar cristal. A saca de 50 quilos foi negociada em R$ 140,51, contra R$ 142,63 a saca praticada na quinta-feira, recuo de 1,49% no comparativo.

Para Arnaldo Luiz Corrêa, diretor da Archer Consulting, a curva ascendente dos juros futuros no Brasil atinge as cotações da moeda brasileira em relação ao dólar oferecidas pelo mercado financeiro via NDF (Non-Deliverable Forward), um contrato a termo de moeda com liquidação financeira.

“Mais reais oferecidos para cada dólar negociado ao longo da curva provoca pressão no hedge do açúcar em centavos de dólar por libra-peso no mesmo período. As cotações futuras do real são oferecidas embutindo prêmios que chegam a 7% ao ano para um período de 180 dias, 7.7% a.a. para 360 dias e até 9% a.a. para 720 dias. Uma boa parte da inversão da curva do açúcar em NY é explicada por essa distorção entre os juros internos (e sua expectativa de alta) e os juros externos”.

Ainda segundo Corrêa, a pergunta de um milhão de dólares é saber como estará a cotação do dólar à vista quando as expirações dessas estruturas (NDF) vencerem. “É por isso que acreditamos ser diminuta a chance de dar errado um hedge de açúcar para exportação em reais por tonelada para as próximas duas safras combinado com a compra simultânea de uma opção de compra fora-do-dinheiro, com preço de exercício 150/200 pontos acima do mercado”.

O diretor da Archer finaliza destacando que “a gestão de risco terá papel fundamental nos cenários multifacetados que vamos enfrentar nos próximos anos. Analisar cenários, ponderar as possibilidades, mitigar risco e agregar valor aos acionistas estarão — mais do que nunca — no cardápio do dia”.

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