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A última sexta-feira (9) foi de alta para os contratos futuros do açúcar bruto negociados em Nova York, na ICE. O vencimento maio/21 atingiu uma máxima de quase três semanas, com o mundo de olho no início da safra brasileira de cana-de-açúcar e o impacto da forte estiagem sobre a qualidade da matéria-prima.

O contrato maio do açúcar bruto fechou cotado em 15,46 centavos de dólar por libra-peso, alta de 28 pontos no comparativo com a véspera. Já a tela para julho/21 subiu 23 pontos, com negócios em 15,41 cts/lb. As demais telas subiram entre 3 e 16 pontos. A exceção foram os contratos outubro/22 e março/23, que caíram, respectivamente, 1 e 3 pontos.

Operadores disseram para analistas da Reuters, que o mercado segue recuperando terreno após encontrar um suporte sólido em torno da mínima de três meses de 14,67 centavos, registrada no final de março. O açúcar avançou apesar da ampla rolagem de contratos maio por parte de fundos, acrescentaram.

“O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) manteve inalteradas suas projeções para o setor de açúcar frente às publicadas no mês passado, incluindo a relação estoque-consumo, vista em 15,1%”, destacou a Reuters.

Para Arnaldo Luiz Corrêa, diretor da Archer Consulting, “as conversas dão conta de uma retomada econômica extraordinária por parte da China, Índia e Estados Unidos que devem impulsionar o resto do globo e trazer uma aceleração no consumo de commodities. E aqui, fala-se cada vez mais da preocupação por parte de algumas usinas de que a quebra na produção de cana será muito maior do que se previra anteriormente além de uma ATR aquém do esperado”.

O diretor da Archer complementou, ainda, em seu artigo semanal, que “com o Centro-Sul praticamente fixado para a safra que se inicia, algumas usinas temem não ter cana de qualidade suficiente para atender a demanda de ATR que seus compromissos assumidos em volumes de açúcar exigem. Será? Pode até ser. Vamos ter que acompanhar mais de perto o desenrolar dessas situações. A mim me parece que o mercado futuro de açúcar se assemelha ao repique do gato morto. Ou seja, uma recuperação temporária do mercado após uma queda acentuada, mas que deve continuar a cair”.

Açúcar em Londres 

Em Londres, a última sexta-feira (9) também foi de alta em praticamente todos os mercados do açúcar branco. A única exceção foi o contrato maio/21 que fechou no vermelho em 2,20 dólares, com a tonelada negociada em US$ 422,50. Todas as demais telas da ICE Europe fecharam no azul. O vencimento agosto/21 foi comercializado em US$ 432,90 a tonelada, alta de 4,30 dólares. As demais telas se valorizaram entre 1,50 e 3,30 dólares cada.

Açúcar no Brasil

O açúcar cristal também fechou a sexta-feira em alta pelo Indicador Cepea/Esalq, da USP. A saca de 50 quilos foi negociada em R$ 106,55, pequena variação positiva de 0,08% no comparativo com os preços praticados na véspera.

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