Usinas associadas da Copersucar também e geraram 6,5 mil GWh de energia a partir da biomassa; uso de biometano cresceu 150%
As 42 usinas associadas à Copersucar processaram 108 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na safra 2025/26, período marcado também pelo avanço do uso de biometano, pela geração de bioeletricidade a partir da biomassa e pela busca de novas aplicações para o etanol. Os dados constam no Relatório de Sustentabilidade Safra 25/26 divulgado pela companhia.
No período, as operações da Copersucar comercializaram 17 milhões de toneladas de açúcar no Brasil e no mercado internacional e 21 bilhões de litros de etanol no Brasil e nos Estados Unidos. O ecossistema está presente em mais de 70 países. Segundo o relatório, as usinas associadas cresceram acima da média do setor, mesmo em uma temporada de menor produtividade agrícola no Brasil, impactada pelos efeitos climáticos do ciclo anterior.
Na geração de energia, as unidades produziram 6,5 mil GWh de eletricidade a partir da biomassa da cana, volume equivalente, segundo a Copersucar, a cerca de 10% de toda a energia elétrica gerada a partir de biomassa no país.
O biometano também ganhou escala nas operações industriais e logísticas. O consumo chegou a 6,5 milhões de m³, alta de 150% em relação à safra anterior. A substituição de combustíveis fósseis pelo biometano evitou o consumo de aproximadamente 6 milhões de litros de diesel e a emissão de 15 mil toneladas de CO₂ equivalente.
Durante a safra, a Copersucar também passou a atuar como comercializadora e distribuidora de biometano no Brasil, ampliando sua presença nesse mercado. Parte da expansão, segundo a Copersucar, ocorre por meio da BioRota Copersucar, criada em 2024 para substituir o diesel por biometano no transporte rodoviário dos produtos comercializados pela companhia.
A operação reúne atualmente sete transportadoras e mais de 70 caminhões. Desde sua implantação, foram realizadas mais de 13 mil viagens, com mais de 11 milhões de quilômetros percorridos e mais de 600 mil toneladas de açúcar transportadas.
Nesse período, a BioRota substituiu mais de 5 milhões de litros de diesel e evitou a emissão de mais de 8 mil toneladas de CO₂ equivalente.
Entre as unidades associadas que produzem o combustível está a Cocal. Em Paraguaçu Paulista (SP), a planta inaugurada em 2025 possui capacidade para produzir 60 mil m³ de biometano por dia. A companhia também opera uma unidade em Narandiba, com capacidade de 25 mil m³/dia.
Etanol ganha espaço na navegação
O relatório também destaca a ampliação das possibilidades de utilização do etanol além do mercado tradicional de veículos leves. Em julho de 2026, após o encerramento da safra 2025/26, foi realizado no Porto de Santos o primeiro abastecimento no Brasil de um navio porta-contêineres transoceânico com etanol.
A operação forneceu 635 mil litros do biocombustível a uma embarcação da CMA CGM com capacidade para transportar até 13 mil contêineres.
Segundo a Copersucar, o etanol de cana-de-açúcar pode reduzir as emissões de CO₂ entre 70% e 80% em comparação ao combustível fóssil tradicionalmente utilizado na navegação.
O movimento ocorre em meio à busca do transporte marítimo por alternativas para reduzir emissões, abrindo uma possibilidade adicional de mercado para o etanol produzido pelas usinas brasileiras.
No conjunto das operações da Copersucar no Brasil e nos Estados Unidos, o volume recorde de etanol comercializado evitou, segundo o relatório, a emissão de 30 milhões de toneladas de CO₂ equivalente, volume comparável às emissões anuais de mais de 14 milhões de veículos movidos a gasolina.
Agricultura regenerativa reduz emissões no campo
Na produção agrícola, o relatório traz resultados de uma iniciativa de agricultura regenerativa desenvolvida pela Copersucar e pelas usinas associadas junto à base de fornecedores.
A análise comparou dados históricos de 2019 a 2021 com os resultados obtidos em 2024 e 2025 e apontou redução de até 13% nas emissões de gases de efeito estufa por tonelada de cana durante a implementação das práticas.
Também foram observadas melhorias em indicadores relacionados à saúde do solo, como aumento do teor de matéria orgânica, elevação do pH e maior capacidade de troca catiônica.
Entre as práticas adotadas estão o uso de fertilizantes líquidos com maior precisão agronômica, substituição da água por vinhaça na adubação, manutenção da palhada e adoção de culturas de cobertura e rotação de culturas.
Usinas emitem 6 milhões de CBIOs
A geração de valor a partir dos atributos ambientais da produção também avançou na safra. As usinas associadas emitiram 6 milhões de CBIOs no âmbito do RenovaBio, volume equivalente, segundo o relatório, à mitigação de 6 milhões de toneladas de CO₂.
A Copersucar também comercializou 227 mil créditos Bonsucro, relacionados à produção certificada de cana-de-açúcar e seus derivados.
Nos Estados Unidos, foram comercializados 250 mil TERCs, certificados associados à redução das emissões pelo uso de combustíveis de menor intensidade de carbono, como o etanol. O volume correspondeu à mitigação de 250 mil toneladas de CO₂ equivalente.
Ferrovias e dutos ampliam participação na logística
A redução das emissões também avançou na movimentação de açúcar e etanol. Na safra 2025/26, 60% do açúcar foi transportado por ferrovias, operação que, segundo a Copersucar, evitou a emissão de 70 mil toneladas de CO₂ equivalente, ante 53 mil toneladas na temporada anterior.
No caso do etanol, 4,6 milhões de m³ foram escoados por sistemas dutoviários. O uso dos dutos retirou o equivalente a 95 mil caminhões das áreas urbanas e evitou a emissão de 88 mil toneladas de CO₂ equivalente.
Na gestão das emissões, o Ecossistema Copersucar registrou intensidade de 48,35 kg de CO₂ por tonelada de cana moída na safra 2025/26.
Para Tomás Manzano, presidente da Copersucar, os resultados estão ligados à estratégia de ampliar mercados e aplicações para os produtos renováveis da cadeia.
“Os resultados econômicos, ambientais e sociais apresentados no Relatório de Sustentabilidade 25/26 refletem a capacidade do Ecossistema Copersucar de gerar valor de forma consistente. Ao conectar produtores aos mercados globais, desenvolver novas aplicações para produtos renováveis e promover continuamente a inovação, fortalecemos a competitividade da nossa cadeia de valor, geramos impactos positivos para milhões de pessoas e ampliamos a contribuição para o desenvolvimento sustentável”, afirma Manzano.
Natália Cherubin para RPAnews





