Home Últimas Notícias S&P retira rating ‘brAAA’ da Delta Sucroenergia a pedido da companhia
Últimas Notícias

S&P retira rating ‘brAAA’ da Delta Sucroenergia a pedido da companhia

Compartilhar

Classificação havia sido elevada de ‘brAA+’ para ‘brAAA’ em março; perspectiva permanecia estável no momento da retirada

A S&P National Ratings retirou o rating de crédito de emissor ‘brAAA’, na Escala Nacional Brasil, atribuído à Delta Sucroenergia. A retirada ocorreu a pedido da própria companhia e, na data da decisão, a perspectiva da classificação era estável, segundo comunicado divulgado pela agência em 2 de setembro.

O rating havia sido elevado apenas alguns meses antes. Em 20 de março, a S&P aumentou a classificação da Delta de ‘brAA+’ para ‘brAAA’, ao mesmo tempo em que alterou a perspectiva de positiva para estável. Na ocasião, a agência afirmou que a decisão refletia o fortalecimento estrutural do perfil de risco financeiro da companhia.

No comunicado mais recente, a S&P informou que o rating refletia a posição da Delta no setor sucroenergético brasileiro, sua integração nas atividades de produção de açúcar, etanol e bioenergia e sua capacidade de geração de caixa operacional. A avaliação também considerava a exposição à volatilidade dos preços do açúcar e do etanol, os riscos climáticos da atividade agrícola, as necessidades recorrentes de capital de giro e a gestão da estrutura de capital e da liquidez.

S&P destacava baixa alavancagem e geração de caixa

Na análise divulgada em março, a agência destacou que a Delta havia apresentado métricas de crédito mais fortes em relação aos seus pares do setor sucroenergético, sustentadas por baixa alavancagem, forte geração de caixa e disciplina financeira.

Nos 12 meses encerrados em dezembro de 2025, a companhia havia reportado receita de R$ 3,2 bilhões e EBITDA de R$ 1,7 bilhão. A S&P também ressaltou o histórico de manutenção de margens elevadas e geração positiva de fluxo de caixa operacional livre ao longo de diferentes ciclos do setor.

Naquele momento, a Delta apresentava capacidade de processamento de 11,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por ano. Para a safra 2025/26, a agência estimava receita líquida de R$ 3,1 bilhões, EBITDA de R$ 1,7 bilhão e fluxo de caixa operacional livre de R$ 438 milhões.

A safra 2025/26 foi marcada por condições climáticas adversas, com chuvas irregulares e temperaturas mais amenas. Segundo a S&P, o cenário pressionou os indicadores agrícolas, com o TCH ficando em torno de 86 toneladas por hectare. Ainda assim, a companhia manteve moagem de aproximadamente 10,6 milhões de toneladas de cana, beneficiada pela matéria-prima remanescente da temporada anterior.

Para a safra 2026/27, a agência projetava recuperação gradual dos indicadores operacionais e moagem ao redor de 11 milhões de toneladas, além da continuidade dos investimentos no canavial. A estratégia comercial considerada pela S&P permanecia predominantemente direcionada ao açúcar, com mix de aproximadamente 70% para açúcar e 30% para etanol, embora a companhia tivesse flexibilidade para alterar essa composição conforme a rentabilidade dos produtos.

Métricas estavam entre as mais fortes do setor

Em 2025, a Delta havia registrado margem EBITDA de aproximadamente 58% e relação entre dívida líquida e EBITDA de cerca de 0,4 vez. Mesmo diante de um cenário considerado mais fraco para 2026, a S&P projetava margem próxima de 55%, alavancagem de aproximadamente 0,5 vez e fluxo de caixa operacional livre positivo.

A liquidez também aparecia como um dos fatores de suporte à classificação. Em dezembro de 2025, a companhia possuía cerca de R$ 1,2 bilhão em caixa, enquanto a dívida de curto prazo somava R$ 85 milhões. A S&P projetava ainda aproximadamente R$ 1 bilhão em investimentos no período.

Na avaliação de março, a agência classificava o risco financeiro da Delta como mínimo, a posição competitiva como forte e a liquidez como suficiente. A S&P também destacava que o ‘brAAA’ já correspondia ao topo da Escala Nacional Brasil.

No comunicado, a S&P não apresentou justificativa adicional para a retirada da classificação além de informar que a decisão ocorreu a pedido do emissor.

Natália Cherubin para RPAnews

Compartilhar

Episódio 32: Manutenção de mancais: como evitar falhas e paradas durante a safra?

Episódio 31: Como aumentar a confiabilidade dos acionamentos mecânicos nas usinas?

Enviamos diariamente um boletim informativo com destaques do setor bioenergético 

Artigo Relacionado
Últimas Notícias

Operação Crédito Oculto ataca esquema de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis

Terceira fase da operação Carbono Oculto sobre atuação do crime organizado em...

Últimas Notícias

Atvos usa bioinsumos em 100% das áreas de plantio de cana

Companhia amplia manejo biológico nas oito unidades agroindustriais e informa avanço de...

AçúcarÚltimas Notícias

StoneX reduz estimativas de superávit global de açúcar em 2025/26 e de déficit em 2026/27

O mercado global de açúcar terá superávit de 1,45 milhão de toneladas...

Últimas Notícias

Estados Unidos reduzem cota de importação de açúcar bruto do Brasil

Países poderão exportar volume menor após anúncio de nova distribuição tarifária do...