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Credores resistem à divisão da Raízen, dizem fontes

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Uma proposta para desmembrar a sucroenergética e distribuidora de combustíveis Raízen enfrenta forte resistência dos credores nas discussões sobre como revitalizar e recapitalizar a empresa em dificuldades, disseram à Reuters pessoas familiarizadas com as discussões.

A maior produtora mundial de açúcar – uma joint venture da Shell e do grupo industrial Cosan – registrou um prejuízo líquido trimestral de R$ 15,6 bilhões e alertou para uma “relevante incerteza” sobre sua capacidade de continuar operando.

Fontes afirmam que o BTG Pactual, que administra um fundo que entrou no grupo de acionistas controladores da Cosan no ano passado, propôs dividir a empresa em duas, separando o negócio de distribuição de combustíveis dos outros ativos. A unidade de postos de combustíveis poderia então obter capital novo do banco, disseram as fontes.

A ideia não foi bem recebida pelos credores, que querem manter a empresa intacta para garantir uma rápida recuperação e estão pressionando os acionistas a injetar o máximo possível de capital novo na Raízen, segundo as fontes.

A Raízen, a Cosan, o BTG Pactual e a Shell se recusaram a comentar o assunto. A Shell reiterou que está trabalhando com a Raízen e a Cosan para apoiar a desalavancagem da companhia. As preocupações com o futuro da Raízen chamaram a atenção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se reuniu com funcionários do BNDES e da estatal Petrobras para discutir a situação da empresa no ano passado e novamente neste mês, segundo fontes.

Os acionistas da Raízen estiveram presentes na última reunião, na qual Lula expressou preocupação, mas não fez nenhum apelo à ação, disse uma fonte.

Nem o BNDES nem a Petrobras, que está avaliando outros investimentos potenciais em biocombustíveis, demonstraram interesse em capitalizar a Raízen, disseram as fontes.

A Petrobras está impedida de investir na distribuição de combustíveis após se desfazer de sua própria rede de postos, agora chamada Vibra Energia. A Petrobras não está avaliando a aquisição dos ativos da Raízen, informou a empresa. O BNDES não respondeu imediatamente aos pedidos de comentários.

A Raízen precisa de mais de R$ 20 bilhões em capital novo, disse uma das fontes, que pediu para não ser identificada porque as negociações são privadas. Na quarta-feira, 25, a Reuters informou que a Shell estava disposta a injetar cerca de R$ 3,5 bilhões na Raízen.

A produtora de açúcar e biocombustíveis, que passa por dificuldades, viu sua dívida líquida subir para R$ 55,3 bilhões no final de dezembro, devido a uma combinação de investimentos pesados, clima instável e incêndios nos canaviais, que levaram a colheitas mais fracas e volumes de esmagamento menores.

Reuters| Luciana Magalhaes, Oliver Griffin, Rodrigo Viga Gaier e Lisandra Paraguassu

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