Deficitário global de açúcar em 2019/20 deve ser o maior desde 2008/09

Importantes países produtores, como Índia e Tailândia, pesam sobre a oferta de açúcar; Brasil e Rússia compensam queda e balanço negativo permanece em 7,7 milhões de toneladas
Os principais países produtores de açúcar da Ásia, como Índia e Tailândia, devem continuar pesando sobre a oferta de açúcar no Hemisfério Norte. Esse cenário é reforçado, ainda, pelas perspectivas negativas acerca da fabricação do produto nos Estados Unidos, México e União Europeia.
Segundo a INTL FCStone, a safra 2019/20 deve apresentar déficit produtivo de 7,7 milhões de toneladas, o maior desde 2008/09. A estimativa apresentada pela consultoria se mantém em relação ao número divulgado em outubro de 2019. “A Ásia continua sob os holofotes, mas ao contrário das temporadas passadas, o protagonismo se deve às perspectivas negativas para a produção de açúcar”, destaca o analista de inteligência de mercado, Matheus Costa.
A deterioração das perspectivas de produção de açúcar na Índia, especialmente no estado de Maharashtra, é resultado da irregularidade nas condições climáticas, o que leva à menor produtividade agrícola nas lavouras, impactando, ainda, a taxa de extração de açúcar da cana cultivada. Não somente os aspectos agroclimáticos se mostraram desfavoráveis às perspectivas produtivas para a safra no estado analisado, como também fatores políticos.
“A data de início da colheita, determinada pelo governo local, não havia sido decidida até meados de novembro, sendo que o dia 22 do respectivo mês foi anunciado como o ponto de partida para as atividades de campo”, explica o analista Costa.
Esse cenário impactou expressivamente a produção de açúcar em Maharashtra. Segundo a Associação das Usinas de Açúcar da Índia (ISMA, na sigla em inglês), usinas da unidade administrativa fabricaram pouco mais de 2,5 milhões de toneladas até a primeira quinzena de janeiro, queda de 55,4% em relação ao ano anterior.
De modo geral, informações obtidas pela INTL FCStone diretamente da Índia mostram que grande parte da fabricação de açúcar no estado pode se encerrar em março, quando usualmente é finalizada em maio. O estado de Karnataka, outro importante player do setor açucareiro indiano, também foi prejudicado pela umidade excessiva e deve apresentar retração anual na produção.
A INTL FCStone estima que a Índia produza 26,5 milhões de toneladas de açúcar (valor branco) na temporada corrente, volume que representa queda de 1,5% ante ao número apresentado em outubro/19 e de 19,5% no comparativo com o ciclo anterior.
A Tailândia também observa tendência de redução na produção de açúcar, resultado de menor umidade observada ao longo dos últimos meses, bem como a troca do cultivo de cana pela mandioca por alguns produtores. A INTL FCStone reduziu sua projeção em cerca de 0,7 milhão de toneladas frente à publicação de outubro/19, para 12,5 milhões de toneladas – 15,9% abaixo do observado no mesmo período de 2018/19.
Analisando a ampliação da fabricação da commodity no mundo, a Rússia se destaca pela expectativa de produzir volume recorde de 7,4 milhões de toneladas (valor branco) em 2019/20, superando a temporada anterior em aproximadamente 1,3 milhão de toneladas. “Esse crescimento, que é resultado da maior área colhida e das condições favoráveis ao desenvolvimento da beterraba, deve fazer com que o país, junto ao Brasil, ajude a compensar as reduções nos principais polos produtores de açúcar”, avalia o analista Matheus Costa.
Considerando a safra na União Europeia, observa-se que parte do período de colheita foi marcado por chuvas abundantes, especialmente na França e em partes da Alemanha, o que acabou dificultando a colheita da beterraba. Já a Ucrânia registrou a menor produção desde 2015/16 e encerrou suas atividades com pouco menos de 1,5 milhão de toneladas (valor branco) fabricadas, retração de 18,7% em relação ao ano anterior.
Assim como na Europa, a produção de açúcar no continente americano deve variar expressivamente entre os principais players. Os Estados Unidos devem ser o principal destaque negativo, visto que o acúmulo excessivo.de neve nas regiões produtoras de beterraba aliado ao frio intenso ao longo do fim de 2019 pressionaram significativamente as perspectivas de produção de açúcar a partir dessa matéria-prima. A INTL FCStone espera produção de 7,4 milhões de toneladas – recuo de 9,4% no comparativo com o ano anterior.
Novamente o fiel da balança, o Brasil deve ampliar significativamente sua oferta de açúcar na colheita de 2020. Em meio aos preços mais elevados, produtores do Centro-Sul devem direcionar maior quantidade de cana à fabricação.da commodity, resultando em fabricação de 29,4 milhões de toneladas (tel quel). Além de representar crescimento de aproximadamente 1,9 milhão de toneladas.frente ao último número apresentado pela INTL FCStone, esse volume supera em 12,9% a quantidade obtida em 2018/19.
O grupo manteve sua projeção de oferta global de açúcar em 2019/20 inalterada em relação ao relatório de outubro/19, em 178,8 milhões de toneladas – valor que, ainda assim, representa diminuição de 3,6% no.comparativo anual; assim como as expectativas para a demanda também permanecem em 186,5 milhões de toneladas, conforme havia sido divulgado anteriormente em outubro de 2019.
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