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Diesel mais caro eleva custos no agro e impacta cana em até R$ 198 por hectare, aponta Rabobank

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Relatório analisa efeitos dos preços do diesel sobre produção, frete e preço ao produtor em cenário de alta internacional do petróleo

A recente alta dos preços do diesel no Brasil, impulsionada por mudanças no mercado internacional de petróleo, tem elevado os custos de produção agrícola — com impacto estimado de R$ 198 por hectare na cana-de-açúcar — e pressionado o preço recebido pelos produtores, segundo análise do Rabobank.

De acordo com o relatório, realizado por Andy Duff, gerente regional de RaboResearch para a América do Sul, e Marcela Marini, analista sênior do banco, os efeitos do conflito no Oriente Médio — incluindo o bloqueio do Estreito de Ormuz e danos à infraestrutura industrial da região — já impactam a economia brasileira. Os preços do diesel nas bombas registraram alta relevante, acompanhados por preocupações relacionadas ao abastecimento.

O Brasil importa entre 25% e 30% do diesel consumido no país, o que faz com que os preços internos reflitam, ao menos em parte, as variações sustentadas no mercado internacional. Em 14 de março, a Petrobras elevou o preço do diesel nas refinarias em R$ 0,38 por litro, no primeiro reajuste desde maio de 2025. Paralelamente, refinadores privados, responsáveis por cerca de 20% da capacidade de refino, também ajustaram seus preços em linha com o mercado internacional.

O governo federal dispõe de instrumentos para suavizar a transmissão dos preços internacionais ao mercado doméstico, como a suspensão de tributos e a concessão de subsídios. Entre as medidas adotadas ou em análise estão a suspensão do PIS/Cofins sobre o diesel, subvenção de R$ 0,32 por litro, propostas adicionais de subsídios para importadores e produtores e a possibilidade de aumento da mistura obrigatória de biodiesel, atualmente em 15%.

Mesmo em caso de resolução do conflito no curto prazo, o relatório aponta que as disrupções no comércio e na infraestrutura devem manter elevados os preços internacionais do petróleo e seus derivados durante a maior parte de 2026.

Impacto nos custos agrícolas, com destaque para a cana

O relatório dimensiona os efeitos do aumento do diesel sobre os custos de produção no campo. Um acréscimo de R$ 1,00 por litro no preço do combustível resulta em aumento de custos agrícolas de R$ 40 por hectare no milho safrinha, R$ 47 por hectare na soja e R$ 198 por hectare na cana-de-açúcar.

Em termos de custo por tonelada, o impacto estimado é de R$ 5,56 para o milho, R$ 13,06 para a soja e R$ 2,47 para a cana. No caso da cana-de-açúcar, os cálculos incluem plantio, tratos culturais, colheita e transbordo.

O transporte da cana do campo até a usina não está incluído nessas estimativas. Considerando uma carga de 60 toneladas e distância de 25 km, o custo adicional dessa etapa é de aproximadamente R$ 1,00 por tonelada, equivalente a cerca de R$ 80 por hectare.

Levantamento dos preços médios do diesel S-10 nas bombas indica que, entre 31 de janeiro e 28 de março de 2026, houve aumento generalizado nos preços em todo o país. A maior variação foi registrada na Bahia, com alta de R$ 2,04 por litro, seguida por Tocantins, Paraná, Goiás, Minas Gerais e São Paulo. As menores variações, de até R$ 1,00 por litro, ocorreram em estados como Amapá, Espírito Santo, Acre, Roraima e Ceará.

Frete interno e impacto no preço do açúcar

Para commodities exportadas, o preço recebido pelo produtor é determinado pelo valor internacional descontado dos custos de elevação no porto e do transporte da fazenda até o porto.

Segundo o relatório, um aumento do custo do frete interno, decorrente do diesel mais caro, leva as tradings a cobrar mais pelo transporte, reduzindo o preço recebido pelo produtor.

As estimativas indicam que um aumento de R$ 1,00 por litro no diesel eleva o custo do transporte rodoviário em diferentes rotas. No trajeto entre Rondonópolis (MT) e Santos (SP), o impacto é de aproximadamente R$ 55 por tonelada. Entre Cascavel (PR) e Paranaguá (PR), o aumento estimado é de R$ 24 por tonelada.

Para o açúcar, no percurso entre Ribeirão Preto (SP) e o porto de Santos, o custo adicional é estimado em R$ 16 por tonelada.

As estimativas consideram transporte por caminhão, com carga de 50 toneladas e consumo médio de 2 litros de diesel por quilômetro percorrido.

O relatório também destaca que a análise não contempla outros impactos indiretos, como o aumento no custo de transporte de fertilizantes e defensivos agrícolas dos portos até as propriedades, que também tende a ser afetado pela alta do diesel.

Natália Cherubin para RPAnews

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