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Edição 177

Editorial

Publicado

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Esperar x Esperançar

A nova professora chega na sala de aula e se apresenta para os alunos:

– Bom dia, meus alunos! Prestem bastante atenção no meu nome, porque ele é complicado! Meu nome é Vlagina, entenderam? Vlagina! “Vla” de Vladimir, que é meu pai e “gina” de Regina, que é a minha mãe.

Passa-se um dia de aula. No dia seguinte logo cedo, a professora chega direto ao aluno Joãozinho:

– Bom dia, Joãozinho!

E Joãozinho, sem nem mesmo pensar, responde:

– Bom dia, Dona Professora!

A professora, muito irritada, exclama:

– Que Dona Professora, coisa nenhuma! Eu tenho nome e você vai ter que lembrar dele!

Joãozinho fica desesperado e olha para o lado, na esperança de que seu amigo Zezinho lhe ajude. Zezinho imediatamente faz “aquele” gesto com as mãos e fala:

– Olha, é igual a isso aqui, só que com “L” no meio!

No que João diz à professora:

– Bom dia, Dona BUCLETA!

Esta história nos mostra que Joãozinho não apenas esperou uma ajuda de Zezinho, mas agiu para receber esta ajuda, estava otimista em alcançar sucesso com ela e rapidamente transformou a dica recebida do amigo numa resposta coerente.

Infelizmente Joãozinho não obteve sucesso, mas agiu e manteve-se esperançoso de que teria. Ele não esperou, mas esperançou. Aí está a grande diferença entre os verbos esperar e esperançar.

É, existe o verbo esperançar e poucos sabem disso. Esta confusão que ocorre na língua portuguesa entre os significados de esperar e esperançar, não acontece em outras línguas como em inglês (to wait x to hope), em francês (attendre x espérer) e em italiano (aspettare x sperare).

O ato de esperar nos torna agentes totalmente passivos, inertes, como quando esperamos um ônibus chegar ou esperamos o resultado de um exame. Neste caso, nós esperamos que os outros resolvam as coisas, esperamos que um problema se solucione por si só e esperamos o que poderá acontecer, sem agir e sem tomar nenhuma iniciativa.

Já quando esperançamos, buscamos tomar as rédeas da situação, somos agentes ativos, atuamos proativamente, fazemos a nossa parte, chamamos a responsabilidade e damos o nosso melhor para que algo se concretize ou seja realizado.

É comum ouvir das pessoas frases como: “Quanta violência! O que posso fazer? Espero que diminua… Ainda há muita fome e miséria no mundo! O que posso fazer? Espero que se resolvam… Há muita corrupção no nosso país! O que posso fazer? Espero que acabe…”. O termo “espero”, usado nestes casos, não demonstra nenhum sinal de que haja esperança de que os problemas citados realmente se resolvam. Afinal, não se entende que as pessoas que dizem as frases estejam buscando resolver tais problemas, que estejam indo atrás, tentando construir soluções, que elas não tenham desistido.

Porém, se elas estivessem realmente se mexendo, juntando-se com outros para propor e fazer algo de forma diferente, aí sim poderíamos dizer que elas esperançam que tudo dê certo.

E então, você está mais para esperar ou para esperançar que seus problemas se resolvam?

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