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A Embrapa está começando a desenvolver uma tecnologia de rastreamento de origem na cadeia da cana-de-açúcar com blockchain que deverá apoiar a certificação de usinas ao RenovaBio, política de incentivo aos biocombustíveis, e que poderá ser estendida às cadeias de soja e milho, que têm mais dificuldade de se inscreverem no programa.

O desenvolvimento do software será feito em parceria com a Usina Granelli, situada em Charqueada (SP), e com a Cooperativa dos Plantadores de Cana do Estado de São Paulo (Coplacana), e terá apoio técnico da SafeTrace, empresa especializada na rastreabilidade de alimentos.

A tecnologia permitirá o registro das notas fiscais e das informações de uso de insumos dos produtores rurais e de seus cadastros ambientais rurais (CAR) em blocos de informação, que poderão ser utilizados pela usina e pelos certificadores do RenovaBio para o cálculo de sua nota de eficiência energética – a “pegada de carbono” do biocombustível do programa. A nota de eficiência leva em consideração todas as emissões relacionadas à produção, incluindo as que ocorrem no campo.

A parceria com a Usina Granelli deverá resultar no desenvolvimento de um software no próximo ano e tende a ser um piloto para a Embrapa estender a tecnologia para usinas de etanol feito a partir de milho e para as usinas que fazem biodiesel a partir de soja. Os segmentos têm tido dificuldade para certificar a maior parte de sua produção no RenovaBio por causa da maior complexidade das cadeias dos grãos.

Enquanto uma usina de etanol de cana tem poucos fornecedores, que entregam a matéria-prima diretamente à indústria, uma planta que usa soja ou milho chega a ter dezenas de milhares de fornecedores, que ainda passam por intermediários como cerealistas e tradings. Essa complexidade torna mais difícil para essas empresas reunirem as informações sobre como os grãos foram produzidos para assegurar sua certificação no RenovaBio.

“A ideia é ter um bloco de informação para cada produtor, ou um conjunto de blocos. Os produtores vão inserindo as informações no bloco a respeito da nota fiscal e dos insumos usados na produção. Tem uma assinatura digital que identifica o produtor naquele momento. O cerealista também tem outro bloco. Então vai se formando uma sequência histórica de tudo que foi utilizado, que não pode ser alterada”, explica Alexandre de Castro, pesquisador da Embrapa Informática Agropecuária. Com o blockchain, os dados são criptografados, o que garante rapidez e segurança às informações.

No desenvolvimento que será realizado com a Usina Granelli, o sistema de blockchain também será utilizado para garantir a rastreabilidade desde a produção até o consumidor final do açúcar mascavo da companhia. O plano é que, em abril, as embalagens do produto vendido nas gôndolas tenham um QRCode, com tecnologia da Embrapa, que poderá fornecer ao público informações sobre a produção desde a fazenda, como teor de impurezas, área de produção de cana e uso de insumos (como agrotóxicos, fertilizantes, corretivos de solo), até sobre o diesel usado no transporte.

A parceria ainda prevê a criação de uma tecnologia de sensoriamento remoto para lidar com imagens de satélite que poderá apoiar o planejamento de controle do cultivo da cana.

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