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A Austrália é um mercado atrativo para empresas brasileiras do ramo de máquinas e equipamentos agrícolas, segundo revela estudo da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). De acordo com a pesquisa, em 2020, o tamanho de mercado desse setor foi avaliado em US$ 1,9 bilhão. Em relação à produção agrícola, por sua vez, a meta do país é atingir US$ 69 bilhões até 2030 e, para alcançá-la, estima um aumento significativo em investimentos dos setores privado e público.

Com o objetivo de modernizar e aumentar a capacidade de fabricação alimentícia, o governo australiano planeja investir US$ 1,1 bilhão nos próximos 10 anos em seis áreas de fabricação, incluindo alimentos e bebidas. O sucesso dessa iniciativa levará à novas fabricantes dessa categoria e, com isso, ao crescimento nas cadeias de suprimento da indústria, incluindo a demanda por máquinas pós-colheita.

As taxas de juros baixas e contínuas do país são os principais impulsionadores da expansão das vendas de máquinas agrícolas. Em 2021, a Austrália atingiu os índices mais baixos de todos os tempos (0,1%), o que torna o financiamento de máquinas e equipamentos mais baratos.

Na avaliação do analista de inteligência de mercado da Apex-Brasil, Rodrigo Vianna, a crescente demanda global por produtos agrícolas e as necessidades de adaptação às mudanças climáticas impulsionam o crescimento da indústria. “As exportações australianas do setor agrícola, como um todo, devem aumentar sua produção em um cenário de expansão da demanda global. Os australianos se deparam com a necessidade de utilizar recursos de forma eficiente devido às mudanças climáticas. O investimento de capital no setor agrícola irá crescer cada vez mais. Com isso, o Brasil possui uma excelente oportunidade em expandir seu mercado com o país”, explica Vianna.

A alta demanda por máquinas e equipamentos agrícolas se dá pela soma da robusta economia australiana e pelo investimento agrícola do País, resultando em uma grande safra em 2021. Este cenário se alia a novos hábitos de saúde da população, abrindo oportunidades de mercado significativas para produtores brasileiros.

A economia australiana é uma das mais estáveis do mundo, com mais de duas décadas de crescimento ininterrupto. O primeiro período de recessão desde 1991 ocorreu em 2020, em decorrência do impacto mundial provocado pelo coronavírus. Ainda assim, a agricultura foi o setor que mais se beneficiou durante a pandemia. Além disso, a Austrália conseguiu, nos últimos dois anos, superar os efeitos da seca que, juntamente com os incêndios florestais de 2017 a 2019 impactaram consideravelmente a produção agrícola. O país enfrenta, em média, uma seca a cada cinco anos.

Com a recuperação do setor econômico e agrícola, aumentaram significativamente os estoques em toda a Bacia Murray-Darling, a mais importante área agrícola na Austrália. Com isso, ocorreu uma melhora significativa no teor de umidade dos solos, resultando na segunda maior safra registrada do país, totalizando 55,2 milhões de toneladas nas colheitas de safras de inverno, aumento de 89% em relação ao ano anterior.

Os consumidores australianos estão adotando novas tendências de saúde, com maior apetite por verduras exóticas, grãos e novas fontes de proteína. Esse novo ambiente pode fazer com que produtos de nicho se tornem rapidamente populares, a exemplo do que ocorreu com couve, quinoa e leite de amêndoa na última década, e abrir novas oportunidades de mercado significativas para produtores responsivos.

Precursoras

Já existem empresas brasileiras atuando no mercado australiano. O país negocia, ativamente, acordos de livre comércio desde os anos 2000. Atualmente, o mercado de máquinas agrícolas tem se tornado cada vez mais dinâmico e atrativo para o Brasil. Esses acordos promoveram exportações de produtos agrícolas pela Austrália e importações de máquinas agrícolas do exterior, estas últimas totalizando o equivalente a US$ 1,5 bilhão em 2020. Os Estados Unidos foram o principal fornecedor, tendo vendido 25,2% do total importado pela Austrália no último ano.

O Brasil teve uma participação relativamente pequena na pauta de importação da Austrália, tendo vendido o equivalente a US$ 8 milhões de máquinas agrícolas em 2020, ou 0,6% do total importado pelo país. As exportações brasileiras foram 14,2% menores que o registrado em 2017, quando foram exportados US$ 9,3 milhões.

Agronegócio

O Brasil alcançou 150 mercados externos para produtos agropecuários desde 2019, sendo 74 nas Américas, 57 na Ásia, 18 na África e um na Oceania. Inclusive, o agronegócio brasileiro tem sido o setor de maior destaque no mercado internacional em meio ao cenário de crise provocado pela pandemia de Covid-19.

Em 2020, o segmento foi o único a crescer, garantindo o superávit da balança comercial brasileira. O Brasil registrou superávit de R$ 50,4 bilhões, faturamento 43% maior do que o de 2019, conforme apontam dados do Comexstat. A agropecuária teve crescimento de 5% nas exportações, que somaram mais de R$ 45 bilhões no último ano — enquanto os setores extrativistas e de indústria de transformação tiveram retração nas exportações.

Em 2021, o agronegócio representa 21,8% das exportações totais brasileiras. Segundo o Comexstat, de janeiro a agosto, as exportações da agropecuária somaram US$ 41,2 mi, um crescimento de 22,2%.

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