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Um estudo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) indica ser possível reduzir perdas de produtividade na cana-de-açúcar, no Cerrado, por meio do cultivo consorciado com o milho. A tecnologia também beneficia economicamente agricultores e usinas.

Segundo o pesquisador João de Deus, líder do projeto “Canamilho”, diferentemente do que ocorre nas lavouras de grãos do bioma, o plantio da canade-açúcar costuma ocorrer perto de março, já que, quando ele é feito em novembro ou dezembro, a rebrota inicial acaba sendo muito lenta. Porém, a fase de crescimento coincide com o início da seca, o que limita sua produtividade.

Nesse modelo de cultivo, antecipa-se o plantio da cana, que tem seu crescimento interrompido até o fim do período chuvoso, quando ocorre a colheita do milho. Assim, ela é cultivada como se fosse cana de ano (com ciclo de 12 meses), mas se comporta como uma cana de ano e meio (18 meses). Essa técnica permite também alongar a janela de plantio do milho: como a cana já estará plantada, não há razão para a retirada dos grãos da área, explica o pesquisador.

A pesquisa concluiu também que o método não afeta a produtividade das culturas. De acordo com as análises socioeconômicas do sistema, referentes aos resultados avaliados em Dourados (MS) nas safras 2018/19 e 2019/2020, a renda bruta da cana de ano foi de R$ 1.693 por hectare. Já no sistema cana de ano com plantio em novembro, consorciada com milho verão colhido em março, a renda bruta das duas culturas foi de R$ 6.898 por hectare.

De acordo com o pesquisador, o consórcio é uma excelente opção para as usinas flex, que produzem etanol a partir das duas culturas. Segundo os Painéis Dinâmicos do Renovabio, a associação da cana com o milho na geração de biocombustíveis pode evitar 3,5% de emissões de poluentes para as condições atuais.

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