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Etanol: aliado do meio ambiente

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Ocupando a segunda colocação no volume de produção de etanol em todo o mundo, o Brasil é um dos destaques quando o assunto é o combustível verde. O País perde apenas para os Estados Unidos na produção de etanol, produto que é uma das principais alternativas limpas e renováveis e que contribui para a renovação da matriz energética, diminuindo a emissão de gases causadores do efeito estufa. A produção global de etanol em 2021 deve ter um salto de 3 bilhões de litros, segundo estimativa da Organização Internacional do Açúcar (OIA), totalizando 103,9 bilhões de litros. Na avaliação do presidente da Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (Feplana) e da Coaf Pernambuco, Alexandre Andrade Lima, o combustível é importante por contribuir para a despoluição do meio ambiente, tornando a emissão de gases poluentes cada vez menor.

“O etanol é importante para a descarbonização dos grandes centros urbanos, já que ele emite menos 90% de gás carbônico (CO²) do que a gasolina e ajuda as grandes cidades a diminuírem a poluição, melhorando a qualidade do ar após o uso mais intenso do etanol. Isso se dá por conta do etanol anidro, que vem dentro da mistura da gasolina, compondo 27% desse combustível. O etanol é uma fonte mais limpa de combustível”, declarou.

De acordo com Alexandre, a produção na região Nordeste é mais voltada ao açúcar, porém, de acordo com o momento do mercado, as usinas podem redefinir melhor a sua produção. “O Nordeste é mais açucareiro que o Centro-Sul brasileiro, produzimos um pouco mais açúcar do que álcool. Mas aqui em Pernambuco, as usinas são flexíveis, uma parte prefere focar na moagem do açúcar e produção do álcool, enquanto outras optam por uma produção, do açúcar ou do álcool, o mercado é quem diz o que ela deve fazer”, disse.

RenovaBio incentiva produção

Um projeto que estimula e contribui para o uso do etanol é o RenovaBio, do Governo Federal. O objetivo é expandir a produção de biocombustíveis no Brasil, baseada na previsibilidade, sustentabilidade ambiental, econômica e social, e compatível com o crescimento do mercado. O intuito do programa é o de estabelecer metas nacionais anuais de descarbonização, de forma a incentivar o aumento da produção e da participação de biocombustíveis na matriz energética de transportes do país.

“O futuro do etanol está até na eletrificação, pois ele é feito de moléculas de hidrogênio, e a rede de abastecimento nós já temos. A matriz energética é renovável, e o etanol pode ser usado para recarregar as baterias elétricas, por exemplo. O etanol é positivo, o cenário pode melhorar ainda e o RenovaBio pode contribuir mais”, afirmou. Hoje, montadoras de veículos já trabalham com o etanol para gerar hidrogênio e, a partir dele, produzir eletricidade. O processo, neutro em emissões de carbono, é integralmente realizado em um único dispositivo: uma célula a combustível de óxido sólido (SOFC, na sigla em inglês). Esses dispositivos viabilizam um tipo de carro elétrico que não tem tanque de hidrogênio, não precisa de tomada para carregar a bateria e pode ser abastecido em qualquer posto.

Destaque em Pernambuco

Segundo o diretor da cooperativa e usina Agrocan, Gerson Carneiro Leão, cerca de 41% da cana-de-açúcar produzida vai para o etanol. “Na safra atual, a previsão é industrializar 800 mil toneladas na Agrocan. A usina está produzindo etanol hidratado. É um produto que promove a sustentabilidade socioeconômica dos produtores, municípios e do Estado. O etanol é um combustível limpo”, disse. A cooperativa é uma das principais usinas na geração de empregos em Pernambuco e na busca por fontes limpas de energia. “A Agrocan atua com ações direcionadas à recuperação e ao ordenamento da produção na região, com ênfase no pequeno produtor canavieiro, que representa a maioria dos fornecedores. Hoje, a cooperativa industrializa cana de 29 municípios. Representamos o retorno das atividades na região, gerando 3 mil empregos diretos”, declarou.

Tecnologia e sustentabilidade

Na avaliação do presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), Renato Cunha, o mundo vive uma transição energética e, nesse cenário, o etanol vai passar por dois momentos.

“O primeiro é que o etanol vai participar da transição para melhorar a qualidade das gasolinas em diversos países, com vários níveis de mistura, usando-se o tipo anidro, para diminuição dos gases do efeito estufa e para promover uma melhor qualidade do ar e da saúde pública. Depois desse primeiro ponto da transição, vai haver o ponto de maior uso das energias totalmente limpas. Os modelos de veículos vão ter que respeitar as vocações com a hibridização das diversas fontes, onde existirão diversas tecnologias, inclusive os carros movidos a célula de hidrogênio, que transformam nos seus próprios motores elétricos o etanol em hidrogênio”, explicou.

O setor está sempre desenvolvendo novas tecnologias. “A eficiência energética e a densidade do etanol são incomparáveis. Há, assim, projetos de grandes montadoras para desenvolver as chamadas células de hidrogênio, e esse processo é irreversível. A rede de distribuição já está pronta, com mais segurança e nos próprios postos já existentes”, disse Renato Cunha.

A natureza agradece

Para o professor e doutor da Universidade de Pernambuco (UPE), Sérgio Peres, coordenador do laboratório de combustíveis e energia, muitas ações e investimentos estão sendo feitos no segmento de biocombustíveis. “Para ajudar o planeta, tem que reduzir os combustíveis fósseis e aumentar a participação dos biocombustíveis, como o etanol. Hoje, há também muito interesse no Brasil em produzir hidrogênio sustentável. Esses projetos estão em desenvolvimento para verificar seus custos com o fornecimento de energia para o funcionamento e da utilização de água”, explanou o professor.

“Atualmente, no mundo, 96% do hidrogênio utilizado é o cinza, a vapor, um combustível fóssil a partir do gás natural. Apenas 0,1% é do hidrogênio por eletrólise. Estamos vivendo essa transição energética, na qual vem se produzindo combustíveis sustentáveis para nosso mundo”, acrescentou o professor Sérgio Peres.

Vantagens da biomassa

cana-de-açúcar, além da produção do açúcar e do etanol, é responsável ainda pela geração da biomassa, que produz energias renováveis, com baixa incidência de gases poluentes. Segundo o presidente da Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (Feplana) e da Coaf Pernambuco, Alexandre Andrade Lima, o recurso é feito a partir do bagaço da cana-de-açúcar e contribui ainda para alimentação dos animais.

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