Compartilhar

A oferta de etanol pode reduzir na safra 2021/22. Se as preocupações do mercado estiverem corretas, ou seja, o setor tiver menos cana para moer e os produtores continuarem maximizando a produção de açúcar para se comprometerem com seus contratos de longo prazo, segundo a S&P Global Platts, fica a dúvida de como a demanda doméstica de etanol será suprida.

Em um cenário de 590 milhões de toneladas moídas na safra 2021/22, a S&P Global Platts Analytics estima uma produção total de etanol de cana em 25,8 bilhões de litros, uma queda de 2 bilhões de litros no ano, que será parcialmente compensada por um aumento estimado de 731 milhões de litros na oferta de etanol de milho, mas ainda reduzindo em 1,27 bilhão de litros a oferta total de etanol no Brasil.

Somando-se à perspectiva de escassez doméstica, o Brasil dificilmente importará grandes volumes de etanol anidro em 2021, já que a forte desvalorização da moeda local em relação ao dólar americano manteve a arbitragem de importação dos Estados Unidos fechada desde agosto de 2020.

De acordo com cálculos da Platts de 9 de abril, o etanol anidro importado dos Estados Unidos, incluindo a tarifa de importação de 20%, poderia chegar a Suape a R$4.761 por m³ ou R$ 1.891 por m³ a mais do que a avaliação da Platts DAP Suape.

Apesar da preocupação com a oferta de etanol, os produtores ainda são incentivados financeiramente a maximizar a produção de açúcar, uma vez que o mercado internacional ainda está pagando um prêmio alto pelo açúcar em comparação com o etanol.

Natália Cherubin, com dados da S&P Global Platts

Cadastre-se em nossa newsletter