Queda nos preços do hidratado e do anidro reflete início das operações nas usinas e demanda ainda cautelosa das distribuidoras
Os preços dos etanóis hidratado e anidro caíram com força na última semana no mercado spot do estado de São Paulo, refletindo o aumento da oferta com o avanço da safra 2026/27. Entre 13 e 17 de abril, o Indicador CEPEA/ESALQ do etanol hidratado fechou a R$ 2,5920 por litro (líquido de ICMS e PIS/Cofins), recuo de 7,01% em relação ao período anterior. Para o etanol anidro, o Indicador CEPEA/ESALQ foi de R$ 2,9575 por litro (sem PIS/Cofins), retração de 7,43% na mesma base de comparação — a última vez que o combustível ficou abaixo de R$ 3,00 por litro foi em 1º de agosto do ano passado. Os dados foram divulgados pelo Cepea.
O movimento de queda foi impulsionado pelo aumento do volume ofertado no mercado paulista. Com o avanço da moagem da cana-de-açúcar em algumas usinas e o início das operações em outras, vendedores ampliaram a disponibilidade do combustível, antecipando possíveis recuos mais acentuados nos preços nas próximas semanas.
Nesse cenário, as cotações registraram quedas diárias em todas as regiões produtoras do estado de São Paulo, conforme levantamento do Cepea. Mesmo com interrupções pontuais nas atividades de moagem por conta de chuvas na última semana, o movimento de baixa não foi contido. Para os próximos dias, a previsão de tempo seco tende a favorecer o ritmo das operações no campo, o que pode manter a pressão sobre os preços.
Do lado da demanda, o mercado segue cauteloso. Segundo pesquisadores do Cepea, o ritmo de negócios chegou a apresentar leve melhora, mas ainda esteve restrito a volumes pequenos e fragmentados. Distribuidoras continuam postergando ao máximo a reposição de produto, com postura mais retraída, enquanto compradores aproveitam oportunidades pontuais de negociação.
Além do aumento da oferta no curto prazo, o ambiente de mercado segue marcado por incertezas. As preocupações recaem, sobretudo, sobre o avanço da produção de etanol de milho na safra 2026/27 e sobre o comportamento das cotações internacionais do açúcar.
As atenções também se voltam para a possibilidade de um mix mais alcooleiro ao longo da temporada, diante da queda nos preços do açúcar e de um dólar em patamares mais baixos, o que pode reforçar ainda mais a oferta de etanol no mercado doméstico.

