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Etanol de milho: avanço do combustível vai exigir R$ 12 bi até 2030

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Responsável por mais de 10% do suprimento de etanol ao mercado nacional, a indústria de processamento de milho que emergiu no Brasil há cerca de quatro anos terá que atrair mais R$ 12 bilhões em investimentos em novas plantas até o fim da década para concretizar as estimativas de crescimento da demanda pelo produto como aditivo à gasolina e sobretudo como seu substituto.

A projeção é da União Nacional do Etanol de Milho (Unem) e considera as estimativas de produção do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). O instituto estima que a produção do biocombustível a partir do cereal deve chegar a 9,56 bilhões em 2030. A projeção é ligeiramente maior que a da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), que recentemente estimou que a capacidade instalada para produzir etanol a partir do cereal será de 9 bilhões de litros em 2031, alcançando uma produção de 8,1 bilhões de litros.

Nesta safra 2021/22 (que se encerra em março), a produção deve crescer 11% em relação à safra passada e alcançar 3,5 bilhões de litros, com o uso quase completo da capacidade instalada. Ou seja, será preciso triplicar a capacidade industrial nos próximos nove anos para atender ao mercado esperado até o fim da década.

Segundo Guilherme Nolasco, presidente da Unem, um ciclo de R$ 6 bilhões em investimentos já está praticamente garantido para os próximos quatro anos, considerando projetos em análise, aprovados ou mesmo em andamento. Já o restante dos aportes esperados deverá ocorrer na segunda metade da década, acredita. Nolasco estima que, do início da instalação dessa indústria no Brasil, entre 2016 e 2017, até este ano, os investimentos já chegaram a R$ 8 bilhões. Apenas nos últimos dois anos, a produção mais do que dobrou, e alguns investimentos só não avançaram com mais rapidez por causa da pandemia.

Até agora, a indústria de etanol de milho é um produto “made in Centro-Oeste”, principalmente Mato Grosso e Goiás. Foi a grande disponibilidade do grão, produzido na safrinha, e a perspectiva de crescimento da demanda pelo biocombustível que casou a fome com a vontade de comer.

Para os próximos ciclos de crescimento, Nolasco avalia que haverá uma diversificação geográfica dessa indústria, com expansão para Mato Grosso do Sul, Paraná, São Paulo e até mesmo o Matopiba (confluência entre Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). Essa expansão deverá ser apoiada na maior competitividade do milho nessas regiões e na proximidade dos principais centros consumidores, localizados no Sudeste e no Sul.

A concessão de incentivos fiscais estaduais também é um estímulo para que a indústria busque outras paragens. Em Mato Grosso do Sul, o governo já reduziu o ICMS para a venda para outros Estados para 2,2%, o que atraiu dois novos investimentos. Neste ano, após pressão da Unem, o governo do Mato Grosso também decidiu reduzir a alíquota do ICMS interestadual de forma progressiva e de acordo com o aumento prometido de produção. No próximo ano, a associação buscará algo semelhante com o governo de Goiás, diz Nolasco.

O dirigente conta que também foi consultado por interessados em erguer uma planta de etanol de milho em Luis Eduardo Magalhães, no oeste baiano. O Matopiba hoje responde por cerca de 10% da produção nacional de milho, o equivalente a cerca de 9 milhões de toneladas.

Uma parte considerável dessa expansão está por conta da FS Agrisolutions, controlada pelo fundo americano Summit Agricultural Group. A empresa já tem duas usinas de etanol de milho em Mato Grosso e pretende erguer mais quatro no Estado. A terceira já está a caminho e os terrenos para as outras unidades já estão até comprados.

A expansão da indústria do etanol de milho deverá ampliar de forma significativa a demanda interna pelo grão. Nesta safra sucroalcooleira 2021/22, que termina em março, o setor deve consumir 8% do cereal colhido no país, mas essa participação deverá chegar a 16% em 2030, mesmo considerando um crescimento de 4% ao ano da safra do grão, de acordo com as estimativas do Imea.

Nolasco afirma que, apesar do aumento da demanda pelo cereal, a própria indústria “devolve” 30% do grão consumido na forma de farelo de milho, ou DDG, que também é produzido no processamento do cereal e é vendido como ração. Seu concorrente, porém, é o farelo de soja, já que também é concentrado em proteína. Atualmente, a produção de DDG está em 2,28 milhões de toneladas, e deve chegar a 6,53 milhões de toneladas, acompanhando o crescimento da fabricação de etanol.

Ainda que não seja o carro-chefe da indústria, o DDG cobre uma boa parte dos custos de produção, uma vez que seu preço acompanha o do milho, e tem amparado o setor quando o preço do cereal sobe muito. Em quase seis anos, o preço do DDG no mercado interno cresceu 3,1 vezes, enquanto o preço do milho subiu 3,3 vezes.

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