As usinas de cana-de-açúcar brasileiras terão que ajustar suas estratégias de produção em breve e provavelmente produzirão mais açúcar do que o planejado inicialmente, devido a uma safra maior do que a esperada, de acordo com um executivo da Tereos, uma das principais empresas do setor.
As usinas no Brasil, o maior produtor de açúcar do mundo e o segundo maior fabricante de etanol, estavam planejando alocar mais cana para a produção do combustível este ano, já que a demanda pelo biocombustível parecia promissora e os preços eram melhores do que os do açúcar.
No início da safra, em abril, as usinas usaram 67% da cana para produzir etanol e apenas 33% para fazer açúcar, uma situação que os especialistas chamam de “etanol máximo” no mix de produção das usinas.
No entanto, uma safra maior do que a esperada significa que as usinas precisam esmagar o máximo de cana possível e usar totalmente as fábricas de etanol e açúcar. Para produzir mais etanol do que açúcar, uma usina geralmente usa toda a parte de etanol da planta, mas não toda a parte de açúcar.
“Os volumes de cana são maiores do que esperávamos. Projetamos um aumento de 12% na safra deste ano, mas é maior do que isso”, disse o vice-presidente de vendas e logística do braço brasileiro do grupo francês de açúcar Tereos, Gustavo Segantini.
“Iniciamos a safra com o máximo de etanol, mas estamos mudando para o máximo processamento”, completa.
Se a maioria das usinas mudar para o esmagamento máximo de cana, o mix será mais equilibrado, o que significa mais açúcar do que o esperado.
A maioria dos analistas agora espera que a safra brasileira de cana-de-açúcar do Centro-Sul fique em torno de 645 milhões de toneladas, ante cerca de 630 milhões de toneladas no início do ano.
Segantini disse à Reuters, à margem de um evento na New York Sugar Week, que os preços do etanol no Brasil caíram muito rapidamente no início da safra, de modo que as usinas também poderiam rever seus planos.
Ele acrescentou que a anomalia climática do El Niño pode trazer mais chuvas para o Centro-Sul do Brasil no segundo semestre do ano, de modo que as usinas desejariam acelerar o processamento de qualquer maneira para poder esmagar toda a cana disponível.
Reuters| Marcelo Teixeira


