Índia busca acelerar vendas de açúcar antes de oferta do Brasil

A Índia tem uma janela curta para tentar exportar um volume recorde de açúcar antes que novos suprimentos do Brasil, o maior produtor, comecem a chegar em abril.

As usinas da Índia, segunda maior produtora, até agora contrataram a exportação de 1 milhão de toneladas e planejam embarcar até 6 milhões na temporada de 2020-21 com a ajuda de subsídios do governo de 35 bilhões de rupias (US$ 477 milhões) divulgados no mês passado.

O auxílio chegou com mais de três meses de atraso — quase metade dos 62,68 bilhões de rupias concedidos no ano passado -, o que obrigou fornecedores a acelerar as vendas.

“Estaremos sob pressão quando o açúcar brasileiro entrar no mercado em abril”, disse Adhir Jha, diretor-gerente e CEO da Indian Sugar Exim Corp. “As exportações estão no caminho certo, mas estamos um pouco atrasados, porque começamos tarde. Temos que nos apressar e nos colocar em dia.”

Exportações mais baixas do que as metas da Índia podem oferecer ainda mais suporte aos preços do açúcar, que subiram na semana passada para o maior nível desde 2017 sob o impacto da seca no Brasil e queda da produção na Tailândia e da União Europeia.

No ano passado, o país do sul da Ásia vendeu um recorde de 5,65 milhões de toneladas de açúcar após chuvas de monção favoráveis.

“Estou certo de que devemos conseguir atingir nossa meta, pois temos muito açúcar”, disse Abinash Verma, diretor-geral da Indian Sugar Mills Association. Os preços globais mais altos este ano também ajudarão, disse.