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A quantidade de cana-de-açúcar processada pelas unidades produtoras do Centro-Sul alcançou 17,02 milhões de toneladas na 2ª metade de outubro, registrando queda de 36,79% sobre o valor apurado na mesma quinzena da safra 2020/2021 — 26,93 milhões de toneladas. No estado de São Paulo a moagem quinzenal atingiu 8,20 milhões de toneladas (-49,67%) e nos demais estados do Centro-Sul a quantidade processada na quinzena alcançou 8,82 milhões de toneladas (-17,07%).

Desde o início do ciclo 2021/2022 até 1º de novembro, a moagem acumula queda de 10,85%. Nesse período, a quantidade de cana-de-açúcar processada pelas usinas atingiu 504,41 milhões de toneladas, ante 565,79 milhões de toneladas na mesma data do último ciclo agrícola. O número de unidades operando até 1º de novembro foi de 134 empresas. Até o momento, 128 empresas já finalizaram a moagem no ciclo 2021/2022, sendo 57 empresas com encerramento na última quinzena. Nos
primeiros 15 dias de novembro, 87 novas empresas devem finalizar a safra.

O diretor técnico da UNICA, Antonio de Padua Rodrigues, acrescenta que “as empresas que encerraram a safra na segunda quinzena de outubro apresentaram redução de moagem de 18,3% em comparação com os valores registrados no último ciclo agrícola. Essas unidades registraram uma participação na moagem acumulada até o final de outubro de 46,4%”.

Produtividade agrícola e qualidade da matéria-prima

Dados preliminares apurados pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) para a primeira quinzena do mês de outubro, considerando uma amostra comum de 62 unidades, registraram produtividade de 55,4 toneladas por hectare colhido no mês de outubro ante 62,4 toneladas observadas no mesmo período na safra 2020/2021 — queda de 11,2%. A retração acumulada desde o início da safra até o final de outubro atingiu 15,1%, com 80,9 toneladas por hectare no ciclo passado e apenas 68,6 toneladas por hectare na safra atual. Estima-se que a área colhida nesta safra atingiu 7,35 milhões de hectares, o que representa cerca de 97% do total disponível para a colheita no ciclo 2021/2022.

A qualidade da matéria-prima na 2ª quinzena de outubro, mensurada a partir da concentração de açúcares totais recuperáveis por tonelada de cana-de-açúcar, registrou 142,82 kg de ATR por tonelada, com retração de 8,13% em relação aos 155,46 observados no ciclo passado. No acumulado desde o início da safra até 01 de novembro, o indicador assinala 143,24 kg de ATR por tonelada de cana-de-açúcar, uma retração de 1,12% em relação ao valor observado o ciclo 2020/2021.

Produção de açúcar e de etanol

O menor número de unidades produtoras em atividade na segunda quinzena de outubro, somada a menor disponibilidade de matéria-prima, promoveu queda generalizada na produção. A fabricação de açúcar retraiu 50,55% nos últimos quinze dias do mês e atingiu 858,2 mil toneladas, ante 1,74 milhões de toneladas verificadas em igual período do ano anterior. A produção quinzenal de hidratado, por sua vez, alcançou 527,4 milhões de litros, registrando queda de 39,71%.

Nessa quinzena observou-se uma maior quantidade de ATR destinada a produção de etanol anidro, cujo percentual atingiu 34,3% frente a 25,6% no mesmo período na safra anterior. Apesar desse movimento, a fabricação do aditivo apresentou redução de 17,46%, totalizando 526,3 milhões de litros. No acumulado desde o início da safra 2021/2022 até 1º de novembro, a produção de açúcar alcançou 31,22 milhões de toneladas, contra 36,41 milhões de toneladas verificadas em igual período do ciclo 2020/2021 (- 14,27%). A fabricação acumulada de etanol alcançou 25,09 bilhões de litros, sendo 10,01 bilhões de litros de etanol anidro ( 17,05%) e 15,08 bilhões de litros de etanol hidratado (-18,92%). Do total fabricado, 1,94 bilhão de litros do biocombustível foram produzidos a partir do milho. Rodrigues explica que “as unidades produtoras seguem priorizando a fabricação de etanol anidro em função do compromisso para com a mistura obrigatória. Para tanto, dada a limitação da matéria-prima disponível, as empresas têm aumentado a participação do biocombustível no seu mix de produção”.

Vendas de etanol

No mês de outubro, as unidades produtoras do Centro-Sul comercializaram um total de 2,14 bilhões de litros de etanol, registrando retração de 29,81% em relação ao mesmo período da safra 2020/2021. Do total comercializado no período, 67,15 milhões de litros foram destinados para o mercado externo e 2,07 bilhões de litros vendidos domesticamente.

No mercado interno, as vendas de etanol hidratado alcançaram 1,23 bilhão de litros, o que representa uma redução substancial de 34,92% sobre o montante apurado no mesmo período da última safra (1,89 bilhão de litros). A quantidade comercializada de etanol anidro, por sua vez, apresentou variação positiva de 5,27%, com 842,67 milhões de litros vendidos em 2021 contra 800,49 milhões de litros em 2020.

O diretor da UNICA explica que “as vendas dos produtores no mês de outubro refletem o reajuste do mercado de combustíveis diante das condições de oferta e preços. No caso do etanol anidro, os níveis de estoque e produção oferecem garantia ao abastecimento mesmo nos meses em que não ocorrerá processamento de
cana”.

Desde o início da safra até a segunda quinzena de outubro, o volume acumulado de etanol comercializado pelas empresas do Centro-Sul apresenta uma retração de 5,07%, com cerca de 16,90 bilhões de litros. Desse total, 993,47 milhões de litros foram destinados à exportação (queda de 44,87%) e 15,91 bilhões ao mercado interno (queda de 0,59%). Do total comercializado domesticamente, o etanol anidro representou 5,99 bilhões de litros (aumento de 21,88%) e o etanol hidratado corresponde a 9,91 bilhões de litros (queda de 10,56%).

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