Embora as perspectivas de produtividade para essa Safra 2026/27 sejam positivas, com uma melhora no TCH (toneladas de cana por ha) em relação às duas últimas, conforme dados do Datacana (sistema de benckmarking da Consulcana), ainda permanece o desafio com relação a preços e demanda para o açúcar, o que fará dessa safra uma safra mais alcooleira, ou seja, com um mix de produção mais voltado para a fabricação do álcool.
Agora, outro fator a considerar, agravados e/ou potencializados pela guerra, são os custos para a produção da cana-de-açúcar por conta do aumento do valor do petróleo e da importação de fertilizantes.
Assim sendo, torna-se novamente necessário recorrermos a nossa expertise e resiliência para enfrentarmos o que vem pela frente, onde mesmo com a perspectiva de uma boa safra em termos de produtividade, teremos que fazer os tratos culturais necessários no canavial: adubação, aplicação de herbicidas, inseticidas, assim como viabilizar todos os serviços e operações que dependem do diesel, os quais são muitos — tratores, máquinas, colhedoras, caminhões, enfim, todos os serviços e transportes que envolvem a cadeia produtiva da safra. E isso ainda torcendo por uma melhora nos preços do açúcar, ou seja, são diversas variáveis a considerar na busca por um ponto de convergência possível, sem perdermos a chance de realizarmos esta promissora safra que está “batendo à nossa porta”.

*Fábio Vidal Mina Junior é engenheiro agrônomo, pós-graduado, com MBA em Agronegócios e mestrado na ESALQ/USP, consultor técnico de muita experiência no setor sucroenergético e diretor da Consulcana – Soluções Aplicadas a Cana-de-Açúcar.*
