Os preços internacionais do açúcar seguem pressionados por um cenário de oferta global elevada, com produção robusta na Índia e maior disponibilidade no Centro-Sul brasileiro, limitando uma reação mais consistente das cotações. No mercado doméstico, o etanol apresenta movimento mais firme, apoiado pela entressafra e por ajustes recentes na gasolina. Essa é a avaliação do Itaú BBA em relatório que analisa o desempenho recente e as perspectivas para os dois mercados.
Segundo o banco, o açúcar negociado em Nova York recuou 5% em janeiro, encerrando o mês a 14,27 centavos de dólar por libra-peso, permanecendo no intervalo entre 14 e 15 centavos observado desde novembro de 2025. No mercado interno, o indicador CEPEA para o açúcar cristal em Ribeirão Preto caiu 5,2%, fechando a R$ 104 por saca de 50 kg.
No Centro-Sul, a safra 2025/26 está praticamente concluída, com moagem de 601 milhões de toneladas até meados de janeiro, cerca de 14 milhões de toneladas abaixo do ciclo anterior. Ainda assim, o mix açucareiro acumulado atingiu 50,8%, acima dos 48,2% registrados na safra passada, e a produção totalizou 40,2 milhões de toneladas, aproximadamente 1% superior ao ano anterior.
No cenário internacional, o banco destaca o avanço da produção indiana, que alcançou 15,9 milhões de toneladas até 15 de janeiro, alta de 21,6% frente ao mesmo período do ciclo anterior. Apesar disso, o relatório menciona rumores de possíveis perdas na safra do sul do país, que poderiam reduzir a produção entre 1 e 2 milhões de toneladas abaixo das expectativas. As exportações indianas seguem lentas, com apenas 200 mil toneladas embarcadas da cota de 1,5 milhão autorizada pelo governo.
Na Tailândia, a produção pode convergir para 10,4 milhões de toneladas, abaixo da estimativa inicial de 11 milhões, enquanto no México e na América Central as produtividades superam as do ciclo anterior.
Para o Itaú BBA, o pano de fundo permanece sendo de oferta confortável no mercado internacional, ainda que o clima no Centro-Sul brasileiro passe a ser monitorado mais de perto, diante da possibilidade de restrições hídricas afetarem a projeção de moagem 2026/27, atualmente estimada em 620 milhões de toneladas.
Etanol ganha suporte na entressafra e melhora competitividade frente à gasolina
No mercado de etanol, o Itaú BBA observa que os preços avançaram em janeiro, movimento atribuído à combinação entre entressafra e ajustes tributários sobre os combustíveis fósseis. Em Paulínia (SP), o etanol hidratado encerrou o mês cotado a R$ 3,156 por litro (sem impostos), alta de 3,8% no período.
Segundo o relatório, o suporte às cotações esteve associado ao aumento do ICMS da gasolina C em R$ 0,10 por litro a partir de 1º de janeiro. Posteriormente, em 27 de janeiro, a Petrobras anunciou redução de 5,2% no preço da gasolina na refinaria.
O banco destaca que, considerando a estrutura da gasolina C — que inclui a mistura obrigatória de etanol anidro —, a alteração implicou redução estimada de aproximadamente R$ 0,14 por litro na gasolina A, com impacto inferior a R$ 0,10 por litro no preço final ao consumidor.
Na avaliação do Itaú BBA, apesar do ajuste na gasolina, a demanda por etanol segue evoluindo, enquanto o balanço mais apertado típico do período de entressafra contribui para sustentar o viés altista no curto prazo.
Natália Cherubin para RPAnews
Etanol reage em janeiro
No mercado de etanol, o banco observa movimento de alta em janeiro. Em Paulínia (SP), o etanol hidratado encerrou o mês a R$ 3,156 por litro (sem impostos), avanço de 3,8% no período.
De acordo com o relatório, o movimento reflete a entressafra e o aumento do ICMS da gasolina C em R$ 0,10 por litro no início do ano. Posteriormente, a Petrobras anunciou redução de 5,2% no preço da gasolina na refinaria, com impacto estimado inferior a R$ 0,10 por litro no preço final ao consumidor.
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