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Pecege revisa moagem para 635,5 milhões de toneladas no Centro-Sul, mas reduz projeção do ATR para safra 2026/27

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Maior produtividade agrícola e recuperação do TCH sustentaram revisão positiva da moagem, enquanto queda do câmbio e pressão sobre preços do etanol reduziram expectativa para o ATR da safra

O Pecege Consultoria e Projetos revisou para cima sua estimativa de moagem de cana-de-açúcar no Centro-Sul para a safra 2026/27, elevando a projeção de 629,4 milhões para 635,5 milhões de toneladas. A revisão foi sustentada principalmente pela melhora nas expectativas de produtividade agrícola após os resultados observados em abril, além de um ajuste marginal positivo na área disponível para colheita.

Segundo o levantamento divulgado neste mês, o TCH médio esperado para a safra passou de 76,54 t/ha para 77,04 t/ha. A área colhida projetada também avançou para 8,232 milhões de hectares, sustentando uma expectativa de crescimento de 3,99% na moagem em relação à safra anterior.

O relatório mostra que a safra 2025/26 havia sido marcada por forte impacto climático sobre os canaviais do Centro-Sul. O TCH recuou de 77,78 t/ha em 2024/25 para 74,43 t/ha em 2025/26, refletindo principalmente os efeitos adversos do clima. Para 2026/27, o Pecege projeta recuperação parcial da produtividade agrícola, com avanço de 3,51% frente ao ciclo anterior.

Na avaliação do Pecege, o clima segue no radar do setor. O levantamento aponta que o volume acumulado de chuvas no período de colheita da safra 2026/27 está 15% acima da média histórica do Centro-Sul, embora 27% abaixo do registrado na safra passada no mesmo período.

O relatório também destaca a continuidade do monitoramento dos fenômenos climáticos globais. Dados apresentados pelo Pecege, com base em informações da NOAA/CPC, indicam predominância de neutralidade climática ao longo dos próximos meses, embora modelos ainda acompanhem possibilidades de ocorrência de La Niña no segundo semestre.

Mix mais alcooleiro reduz produção de açúcar

Com maior direcionamento da cana para etanol, o Pecege projeta um mix alcooleiro de 52,76% em 2026/27, acima dos 49,62% observados em 2025/26. Já o mix açúcar deve recuar para 47,24% do ATR.

A produção de açúcar no Centro-Sul está estimada em 39,69 milhões de toneladas, queda de 1,83% em relação à safra anterior. Já a produção de etanol de cana deve avançar 11,29%, alcançando 27,3 bilhões de litros.

O anidro está projetado em 10,57 bilhões de litros, enquanto o hidratado deve atingir 16,73 bilhões de litros.

O relatório também aponta continuidade da expansão do etanol de milho no Brasil. A produção total do biocombustível de milho está projetada em 10,59 bilhões de litros em 2026/27, frente aos 9,19 bilhões estimados para 2025/26.

Pecege reduz projeção do ATR

Apesar da melhora nas perspectivas de moagem e produtividade, o Pecege reduziu a projeção do preço do ATR ao final da safra, de R$ 1,0368 para R$ 0,9705. Segundo o levantamento, a revisão foi influenciada principalmente pela valorização do real frente ao dólar e pela queda observada nos preços do etanol ao longo do último mês. A projeção de câmbio médio para a safra foi reduzida de R$ 5,35 para R$ 5,11 por dólar.

No mercado de combustíveis, o Pecege destaca que a queda antecipada da gasolina após o pico observado no fim de março, somada ao aumento do diferencial entre os preços líquidos das usinas e os preços nos postos, pressionou as margens do setor produtor.

O relatório também cita aumento dos custos logísticos, impulsionados pela alta do diesel e por possível recomposição das margens de revenda. Com isso, as projeções médias de preços para o ciclo foram revisadas para baixo. O etanol anidro passou de R$ 3,16/litro para R$ 2,94/litro, enquanto o hidratado recuou de R$ 2,77/litro para R$ 2,53/litro.

No mercado internacional de açúcar, o Pecege projeta média de 15,14 centavos de dólar por libra-peso para o contrato NY#11 ao longo da safra 2026/27.

O levantamento aponta redução do excedente global de açúcar nos últimos ciclos, refletindo problemas climáticos em importantes produtores globais, além da priorização da produção de etanol no Brasil e na Índia.

Segundo o relatório, o saldo global de açúcar deve permanecer relativamente apertado em 2025/26, estimado em 1,187 milhão de toneladas, após sucessivas reduções nos excedentes globais observados nos últimos ciclos.

Natáia Cherubin para RPAnews

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Episódio 22: Como as tecnologias e a IA impactam as operações agrícolas?

Ep. 21: O futuro do setor sucroenergético | Perspectiva para Safra 2026/27

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