Valorização do WTI reforça perspectiva de maior direcionamento da cana para etanol, enquanto projeções de superávit global seguem pressionando o mercado
Os preços do açúcar registraram ganhos modestos na terça-feira, sustentados principalmente pela forte alta do petróleo. O contrato do açúcar bruto com vencimento em maio chegou a subir até 1,5% no intraday e encerrou com leve valorização, a 13,93 centavos de dólar por libra-peso, enquanto o açúcar branco fechou em alta de US$ 0,80, ou 0,2%, a US$ 414,40 por tonelada, após já ter avançado 1,4% no fechamento da segunda-feira.
O movimento ocorreu em meio à forte valorização do petróleo. O WTI avançou mais de 4%, atingindo o maior patamar em cerca de oito meses e meio, fator que tende a favorecer o mercado de etanol. Com combustíveis mais caros, produtores podem optar por direcionar uma parcela maior da moagem de cana para a produção de etanol em vez de açúcar, reduzindo a disponibilidade global do adoçante.
Apesar desse suporte, os ganhos do açúcar foram limitados pela valorização do dólar. O índice do dólar (DXY) atingiu o nível mais alto em cerca de 3,25 meses, movimento que costuma pressionar as commodities cotadas na moeda norte-americana.
O mercado, no entanto, continua atento às estimativas de superávit global de açúcar, que têm exercido pressão sobre as cotações nas últimas semanas. No dia 12 de fevereiro, os preços chegaram a cair para o menor nível dos contratos mais próximos em 5,25 anos, diante das expectativas de excedente no mercado internacional.
Analistas da trading Czarnikow estimam um superávit global de 3,4 milhões de toneladas na safra 2026/27, após um excedente de 8,3 milhões de toneladas em 2025/26. A consultoria Green Pool Commodity Specialists projeta um superávit de 2,74 milhões de toneladas em 2025/26 e um excedente mais modesto de 156 mil toneladas em 2026/27.
Já a StoneX estima um superávit global de 2,9 milhões de toneladas na safra 2025/26, reforçando a percepção de oferta relativamente confortável no mercado internacional.
Na semana passada, a Organização Internacional do Açúcar (ISO) também revisou suas projeções e passou a estimar um superávit global de 1,22 milhão de toneladas na safra 2025/26, abaixo da estimativa anterior de 1,63 milhão de toneladas. O resultado sucede um déficit de 3,46 milhões de toneladas registrado em 2024/25.
Segundo a entidade, o excedente esperado está associado ao aumento da produção em países como Índia, Tailândia e Paquistão. A ISO projeta ainda que a produção global de açúcar cresça 3% em relação ao ano anterior, alcançando 181,3 milhões de toneladas na safra 2025/26.
Mesmo com o cenário de oferta mais ampla, o mercado segue reagindo a fatores macroeconômicos e energéticos, especialmente às oscilações do petróleo e do dólar, que continuam influenciando o equilíbrio entre a produção de açúcar e etanol nas principais regiões produtoras do mundo.
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