Queda do petróleo reduziu o suporte ao etanol, enquanto o déficit de chuvas na Índia continua sustentando o mercado internacional do açúcar.
Os contratos futuros do açúcar encerraram a quinta-feira com comportamento misto nas bolsas internacionais. Em Nova York, o contrato outubro do açúcar bruto recuou 0,93%, fechando a 14,80 centavos de dólar por libra-peso. Em Londres, os futuros do açúcar branco chegaram a atingir US$ 490 por tonelada, a maior cotação em cerca de nove meses e meio durante o pregão, mas perderam força ao longo da sessão e encerraram praticamente estáveis, a US$ 483,10 por tonelada.
Segundo análise da Barchart, a pressão sobre o açúcar bruto veio principalmente da forte queda do petróleo. O barril do WTI atingiu o menor nível em cerca de quatro meses, reduzindo a atratividade do etanol e aumentando a expectativa de que usinas ao redor do mundo direcionem uma parcela maior da moagem de cana para a produção de açúcar, o que pode elevar a oferta da commodity no mercado internacional.
Apesar da correção observada na sessão, o mercado ainda acumula forte valorização nesta semana. Na quarta-feira, o açúcar bruto em Nova York alcançou o maior patamar em sete semanas, enquanto o açúcar branco em Londres renovou as máximas para o contrato mais próximo, refletindo as preocupações com a produção da Índia.
Monções fracas seguem sustentando os preços
O principal fator de sustentação do mercado continua sendo o clima na Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar. A preocupação é que o fraco desempenho das monções reduza a produtividade dos canaviais e, consequentemente, a produção de açúcar do país.
De acordo com o Departamento Meteorológico da Índia, as chuvas acumuladas das monções permanecem abaixo da média histórica, aumentando as incertezas sobre o desenvolvimento da safra. A perspectiva de precipitações inferiores ao normal durante julho, período considerado decisivo para o desenvolvimento da cana-de-açúcar, mantém os investidores atentos ao potencial impacto sobre a oferta global.
Produção brasileira também permanece no radar
Além das condições climáticas na Índia, os agentes de mercado seguem acompanhando a produção brasileira. A menor participação do açúcar no mix das usinas do Centro-Sul, em favor da fabricação de etanol, continua limitando uma expansão mais acelerada da oferta brasileira e oferecendo suporte às cotações internacionais.
Outro fator observado pelo mercado é a revisão do balanço global de açúcar para a safra 2026/27 realizada pela consultoria Czarnikow. A empresa passou de uma expectativa de superávit para um pequeno déficit global, refletindo justamente a maior destinação da cana brasileira para a produção de etanol.
Assim, embora a queda do petróleo tenha provocado realização de lucros e pressionado o açúcar bruto na sessão, as incertezas climáticas na Índia seguem sendo o principal fator de sustentação dos preços internacionais da commodity.
Com informações da Barchart




