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Plantio de cana manual volta a crescer em 2021

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Pesquisa realizada pelo IAC destaca que crescimento está relacionado a expansão do sistema de meiosi, já que 98% da desdobra é realizada manualmente

plantio manual meiosi
Os dados coletados pelo IAC mostram que em 98% dessas áreas a desdobra é realizada manualmente.

Por Natália Cherubin

O plantio de cana-de-açúcar manual está voltando a crescer entre os produtores canavieiros em 2021. É o que mostra pesquisa sobre as novas práticas utilizadas nas áreas de renovação dos canaviais brasileiros realizada pelo quinto ano consecutivo pelo Programa Cana do Instituto Agronômico (IAC), pertencente à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

O objetivo desse trabalho, de acordo com o pesquisador do Centro de Cana do IAC, Marcos Landell e o consultor de planejamento estratégico, Rubens Braga Junior, é o de quantificar os produtores que estão adotando as técnicas mais modernas e obtendo ganhos produtividade e, por consequência, gerando redução de custos.

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A pesquisa iniciou em fevereiro de 2021 e, até o momento, foram coletados dados de 77 empresas, totalizando mais de 340 mil hectares em áreas de renovação em todo o Brasil, sendo: 1 de Alagoas, 1 da Bahia, 8 de Goiás, 2 do Mato Grosso, 4 do Mato Grosso do Sul, 11 de Minas Gerais, 15 do Paraná, 3 de Pernambuco, 31 de São Paulo e 1 de Tocantins.

Os dados mostram que 47% da área levantada será realizada através do sistema manual de plantio em 2021, sendo que 17 empresas plantarão só manualmente, 16 empresas plantarão só mecanicamente e as demais 44 empresas utilizaram os dois sistemas.

De acordo com os pesquisadores, essa volta ao plantio manual se deve, pincipalmente, a maior eficiência no uso de mudas o que reflete em economia para os produtores. Pela pesquisa, no plantio manual a taxa de multiplicação é de 7,8 hectares para cada hectare de muda, enquanto que, no plantio mecanizado essa taxa é de 1 para 4,6.

Nestes números está computado também, como plantio manual, a desdobra das linhas de viveiros implantados em forma de Meiosi, pois nesse sistema a muda utilizada provém de viveiros “satélites”, implantados na própria área onde será estabelecido o novo talhão comercial.

“Portanto, não devemos entender o “plantio manual” como entenderíamos a dez anos atrás. É uma modalidade muito mais eficiente e muito menos penosa para aqueles que a executam em relação ao “clássico” plantio manual ainda na memória de muitos”, destacam Braga Junior e Landell.

Maior parte das mudas vem de canaviais comerciais

Outra questão interessante, de acordo com os pesquisadores, se refere a origem das mudas utilizadas no plantio (Figura 1).  “É possível observar que, infelizmente, a grande maioria das áreas de renovação, 68%, ainda estão sendo plantadas com mudas originárias de canaviais comerciais”, afirmam.

Figura 1 – Origem das mudas nas áreas que serão plantadas em 2021

Ainda de acordo com Braga Junior e Landell, a prática pode resultar na transmissão e propagação de doenças e pragas, e com isso promover a diminuição da produtividade das futuras colheitas, em função da condição fitossanitária dos novos canaviais.

“Como já destacado, a maior utilização do plantio manual também está relacionada a crescente utilização da técnica de Meiosi, pois os dados coletados mostram que em 98% dessas áreas a desdobra é realizada manualmente”, adicionam os pesquisadores.

O levantamento também indica que 77% dos produtores pesquisados disseram que utilizarão essa técnica em seus canaviais e que isso vai representar 26% das áreas de renovação em 2021. Outro aspecto interessante indica que 53% das áreas de Meiosi utilizaram mudas de MPB, garantindo a maior sanidade e eficiência de multiplicação.

Segundo os pesquisadores, a maioria dos casos, essas áreas vão gerar plantios sem falhas e com boa brotação que por sua vez irão produzir canaviais mais vigorosos e sadios. Além disso, a meiosi permite o plantio de uma cultura intercalar de ciclo mais curto, agregando receita aos produtores na mesma área e servindo ainda, em muitos casos, como adubo verde o que propicia ganhos de produtividade nos próximos anos.

Cantosi continua sendo usada para formação de viveiros

Outra tecnologia importante e que também está gerando ganhos de produtividade é o uso da cantosi, que consiste na formação de pequenos viveiros em “blocos”, vizinhos das áreas onde serão realizados os plantios.

Em 2021, 46% dos produtores responderam que pretendem utilizar esse método, ocupando 13% das áreas de renovação. Vale destacar que a soma das áreas de plantio com o uso de Meiosi e Cantosi vão representar 39% do total da área de renovação.

“Todos esses aspectos descritos mostram que as tecnologias modernas, com excelentes resultados estão sendo ampliadas. Essa inovação no sistema de plantio deverá gerar ganhos de produtividade da cana-de-açúcar nos próximos anos, principalmente nos canaviais de 1º ciclo (cana-planta), garantindo a sustentabilidade do setor sucroenergético brasileiro”, concluem Braga Junior e Landell.

Mais informações através do e-mail: rubenscensoiac@fundag.br.

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