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Enquanto a cooperativa francesa Tereos enfrentou dificuldades no ano passado com a pandemia e a produtividade na Europa e registrou prejuízo, sua subsidiária no Brasil, que contribui para o grupo ser o segundo maior na produção global de açúcar, apresentou desempenho positivo na safra 2020/21.

A Tereos Açúcar e Energia Brasil aproveitou os preços mais elevados da commodity em reais e o aumento da moagem de cana para multiplicar por 13 o lucro ante a temporada anterior, para R$ 212 milhões, e diminuir o peso de seu endividamento.

Porém, os ganhos obtidos no Brasil acabaram sendo diluídos no balanço global da Tereos, apresentado em euros, por causa da desvalorização do real, que recuou 37% ante o dólar na safra. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado da unidade no Brasil cresceu 47%, para R$ 1,764 bilhão, mas só representou 38% do Ebitda global do grupo. A receita, por sua vez, alcançou R$ 4,4 bilhões, um aumento de 38%.

No Brasil, porém, o movimento do câmbio acabou sendo um importante motor da melhor remuneração do açúcar destinado à exportação. A empresa exportou do Brasil 1,2 milhão de toneladas de açúcar, dois terços de sua produção. Do total da cana processada pela companhia, 62% foi destinada à produção de açúcar, acima da média do Centro-Sul, de 46%.

A pandemia e seu efeito inicial sobre o consumo, que chegou a ser sentido no país, ainda que de forma marginal no setor, foi contornado com a exportação, segundo Pierre Santoul, CEO da Tereos Açúcar e Energia e diretor-presidente da Tereos Brasil.

Do volume de açúcar inicialmente esperado para venda no varejo, a Tereos redirecionou 100 mil toneladas para exportação. No mercado de etanol, mais afetado nos primeiros meses da pandemia, a Tereos também encontrou como alternativa o mercado externo, para onde direcionou 10% das vendas.

Além das condições mais favorável para exportar, a Tereos registrou na safra uma moagem recorde de cana, de 20,9 milhões de toneladas, 10% a mais do que na safra anterior e 93% da capacidade em suas oito usinas. O executivo ressaltou o clima favorável e os investimentos da empresa em variedades de cana e na “qualidade” das operações.

A melhora dos resultados operacionais garantiu a redução da alavancagem para 2,2 vezes no fim da safra, ante 2,8 vezes na anterior. E Santoul vê espaço de melhora. “Nosso objetivo é gerar resiliência pelos ciclos de commodities. Hoje temos preços bons, mas queremos nos preparar para preços mais baixos e contribuir para a desalavancagem global da Tereos”, afirmou.

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