POR DENTRO DA USINA

SÃO MARTINHO PRETENDE CAPTAR ATÉ US$ 150 MILHÕES E CONTRATAR CRÉDITO RURAL

A São Martinho pretende captar em moeda estrangeira um valor total de até US$ 150 milhões, em duas operações de até US$ 75 milhões cada, com prazo de vencimento em até sete anos. O conselho de administração autorizou a operação em reunião, inclusive com garantias por meio de emissão de nota promissória.

Também foi aprovada a contratação de financiamentos de créditos rurais de até R$ 400 milhões, com vencimento em até dois anos, tendo como possível garantidora a Usina Boa Vista, conforme proposta apresentada pela diretoria.

RAÍZEN VÊ CHANCE PARA IMPORTAR ETANOL

Ainda que todas as estimativas apontem para um crescimento da produção de etanol na nova safra do Centro-Sul, a Raízen Energia continua posicionada para aproveitar eventuais oportunidades para importar o biocombustível, sinalizou Luis Henrique Guimarães, CEO da joint venture entre Shell e Cosan. “Temos conhecimento de mercado, vamos capitalizar oportunidades para suprir a rede e nosso mercado e ganhar dinheiro com oportunidades que forem surgindo”, disse o executivo.

Guimarães afirmou que haverá aumento da produção doméstica de etanol por causa da vantagem do produto em relação ao açúcar para as usinas, o que deve atender parte demanda da próxima safra. Mas ele não descartou a possibilidade de novas janelas para importar etanol. Ele preferiu não prever se as importações serão maiores ou menores que na safra atual devido às incertezas macroeconômicas. “A tendência é de estabilidade. Mas vai depender, porque é [uma questão] de mercado”, disse, argumentando que as oscilações do dólar e do petróleo podem afetar projeções.

Na safra 2016/17 o Brasil importou 1,43 bilhão de l de etanol até fevereiro, um pouco mais do que em toda a temporada anterior – 1,42 bilhão de l. A maior parte ficou concentrada no início da safra e em agosto, quando os importadores anteciparam as compras em função do início da vigência da tarifa de 20% fora da cota de 600 milhões de l ao ano.

A Raízen tem sido uma das principais importadoras de etanol nas últimas duas safras, já que tem estrutura para realizar esse tipo de operação, além de atuar na distribuição de combustíveis.

ANTIGAS USINAS MINEIRAS COMEÇAM A RECEBER INVESTIMENTOS

O setor sucroenergético de Minas Gerais finalizou o ano de 2017 com boas notícias quanto à reativação de duas grandes unidades que estavam fechadas há cerca de três anos nos municípios de Canápolis e Capinópolis, no Triângulo Mineiro. Ambas foram adquiridas no leilão realizado em dezembro pela massa falida da Laginha Agroindustrial S/A e já passam por reformas tanto no canavial quanto na indústria.

A Usina Triálcool, que passou a se chamar Usina Canápolis, em homenagem ao município, chegou a ser uma das maiores na região de Ituiutaba, no Triângulo Mineiro. Ela foi arrematada em dezembro pelos acionistas da CMAA (Companhia Mineira de Açúcar e Álcool), no valor de R$ 133 milhões, incluindo uma área de 6.048,86 ha e 24 imóveis. A previsão é iniciar o plantio de cana este ano e início da moagem em 2020. Neste período, serão feitas as adequações no parque industrial, que tem capacidade de moagem de 1,850 milhões de t, com potencial de crescimento, e previsão da geração de 5 mil empregos diretos e indiretos.

Já a Usina Vale do Paranaíba, em Capinópolis, que adotará o nome de CRV Minas, e também foi arrematada em dezembro pelo Grupo Japungu, tradicional produtor de açúcar e etanol na Paraíba, e sua filial em Goiás, CRV Industrial Ltda, foi arrematada pelo valor de R$ 206,3 milhões, incluindo uma área de 3.210,44 ha e 17 imóveis ao todo. Os investimentos até o início da moagem somarão cerca de R$ 95 milhões no plantio da cana e na indústria. Este ano, o grupo dará ênfase ao plantio de 4 mil ha no sistema de meiosi e mais 1 mil ha no convencional, além da realização do diagnóstico da usina. Em 2019, a intenção é plantar mais 5 mil ha utilizando a meiosi. A moagem iniciará em 2020 na faixa de 900 mil t.

ATVOS PODERÁ EMITIR CERTIFICADOS IREC

A Atvos, antiga Odebrecht Agroindustrial, recebeu um selo que a permite comercializar o I-REC (Certificado Internacional de Energia Renovável), referente à energia elétrica cogerada em sua unidade Conquista do Pontal, no Mirante do Paranapanema, SP. A certificação foi emitida pelo Instituto Totum.

A unidade exporta 360 mil MWh de energia elétrica por safra a partir do bagaço da cana-de-açúcar. Cada I-REC equivale a 1 MWh de eletricidade produzida a partir de fontes renováveis. O certificado é adquirido por grandes empresas intensivas em energia que precisam atender metas de emissão. Com o certificado, elas não têm a necessidade de investimento em geração de energia própria.

O processo de certificação obedece a parâmetros internacionais de contabilidade de emissões de carbono. Segundo a Atvos, a companhia é a primeira empresa de biomassa do Brasil a receber o certificado de energia renovável.