Paz de espírito em primeiro lugar

Ricardo Martins Junqueira

Idade – 55 anos

Naturalidade – Ituiutaba, MG

Estado civil – Casado e tem dois filhos

Formação – Engenharia Civil pela Universidade Mackenzie com especialização em Administração de Empresas na FGV (Faculdade Getúlio Vargas)

Cargo – CEO da Usina Diana

Hobby – Viajar com a família

Filosofia de vida – Família, religião, amigos e trabalho, tudo com paz de espírito

Alisson Henrique

Para o executivo, 2018 será mais um ano complicado, com muitas dificuldades à serem superadas, mas tem esperanças de recuperação com o RenovaBioFamília, religião, amigos, trabalho, tudo com muita paz de espírito. Esses são os pilares de uma vida realizada, segundo Ricardo Junqueira, CEO da Usina Diana, localizada na cidade de Avanhandava, interior de São Paulo, e executivo deste mês da RPAnews. “Se faltar algum desses itens em nossa vida, certamente ela será vazia. Acredito que estamos aqui para fazer o bem ao próximo e sermos felizes, pelo menos o máximo do tempo possível”.

 Formado em Engenheiro Civil pela Universidade Mackenzie com especialização em Administração de Empresas na FGV (Faculdade Getúlio Vargas), Junqueira conta que escolheu a profissão por conta do pai. “Ele era engenheiro civil e como ele sempre foi meu modelo, procurei me espelhar. Comecei a trabalhar desde o segundo ano de faculdade e, mesmo meu pai tendo uma construtora, nos primeiros anos de formado trabalhei como engenheiro civil para outras empresas antes de ir trabalhar com ele. Alguns anos depois acabei por negociar e trazer uma empresa de asfalto espanhola/portuguesa para o Brasil da qual me tornei sócio.”

O contato com o setor sucroenergético não aconteceu por acaso. Ele revela que sempre foi muito próximo de Lamartine Navarro, um dos idealizadores do Proálcool, projeto criado na década de 70 e que teve como objetivo aumentar o consumo do etanol como combustível da frota brasileira. “Ele era muito próximo da nossa família e acompanhávamos sua trajetória. Mas passei mesmo a conhecer mais e entrei no setor de fato, quando me casei com a Renata, filha de Armando Egreja, fundador da Usina Diana. ”

A partir daí ele começou a participar do conselho e entender um pouco mais sobre o segmento. “No entanto, me aprofundei mesmo quando minha mulher e seu irmão fizeram uma divisão ativos familiares. Foi então que acabei por vir ajudar na administração da Diana”, detalha.

 Em agosto de 2010 que a trajetória de Junqueira se atrelou por completo ao setor sucroernegético. “ Uma divisão dos ativos da usina já havia sendo discutida há alguns anos e aconteceu de forma bem amigável. Nos primeiros anos acabei por vir sozinho para a empresa, mas, nesses últimos três anos, minha esposa tem participado mais e tem me ajudado muito”, confessa.

Junqueira passou muitos anos fazendo parte do conselho da usina, inclusive durante o processo de divisão. No entanto, ele explica que as mudanças, após a separação, foram radicais. “Eu morava em São Paulo, onde tinha meus negócios, família e uma vida estabilizada. A partir de então comecei a vir toda semana para Avanhandava, tocando junto a vida, os negócios e a família na Capital. Até que resolvi encerrar os negócios por lá e me dedicar integralmente à Usina Diana. O começo foi muito difícil, não que hoje esteja fácil, mas já nos acostumamos com a luta”, se orgulha.

Ao lado da esposa Renata (de branco) e uma amiga em uma de suas viagensOS DESAFIOS DO SETOR

“O setor é apaixonante, pois é muito dinâmico, no entanto, é muito difícil de administrar, afinal, são muitas variáveis. De 2010 para cá muitas usinas fecharam e/ou entraram em crise. Os desafios são vários, mas entre eles equilibrar essas variáveis e estabelecer um planejamento sólido é fundamental. Vejo que um dos maiores problemas de todos é que não temos uma definição clara da matriz energética do País. Toda hora muda, a cada governo, e isso cria insegurança e, obviamente, falta de coragem para investir. Espero que agora, com a assinatura do RenovaBio, esse fato seja resolvido. ”

Junqueira explica que o setor é extremamente complexo, com alta demanda de capital intensivo no curto prazo e uma amortização no médio prazo de um ciclo de cinco anos. “É um segmento que gera muitos empregos, que gera balança comercial positiva, gera impostos e fixa o trabalhador no interior. Vejo que o setor deveria ser melhor tratado pelos nossos governantes. E quando falo em melhor tratamento, não significa nem menos impostos e nem mais benefícios, mas sim ser ouvido e ter um melhor diálogo, seguido de decisões racionais que visam sempre o bem do nosso povo.”

PROFISSIONALIZAÇÃO

Seguindo a tendência de muitas empresas, a Usina Diana passou por um processo de profissionalização nos últimos anos. O executivo do mês explica que o que ocorreu foi uma troca de ideias, além da criação de um CCI-DI (Centro de Capacitação) que oferece cursos e capacitação. “Além disso houve a contratação de uma empresa especializada em capacitação, organização e contratação de executivos. Fomos muito felizes e estamos muito contentes nas decisões que tomamos nas áreas Agrícola, Industrial e Administrativa, mas ainda estamos ajustando as áreas Financeira e Comercial. ”

De acordo com o executivo, nas áreas Financeira e Comercial foram criados, no final de 2017, dois comitês, um para cada setor. O comercial tem reuniões quinzenais entre diretores e acionistas, além de um profissional externo remunerado conforme o sucesso final das estratégias de fixação. “O financeiro é quem avalia, aprova ou não cada financiamento ou investimento acima de um valor pré-determinado. Estou muito satisfeito com esses comitês”, adiciona.

Com as mudanças, ele explica que hoje, com certeza, a empresa está muito mais moderna, transparente e preparada para enfrentar os diversos desafios que o setor demanda. “Hoje, com nossas instalações atuais, sem mexer em nada, a Diana tem capacidade de moer 1,80 milhão de t, produzir 120 mil t de VHP e 60 mil m3 de etanol, podendo chegar até 2,5 milhões de t com alguns investimentos.”

SAFRA: O QUE FOI E O QUE VIRÁ

Ao lado dos filhos, Daniel e Camila Junqueira revela que a safra 2017/18 foi muito difícil, pois o canavial da usina sofreu uma quebra grande de TCH e ATR devido ao ataque de coletottrichum. “Por conta disso não conseguimos performar os nossos números, além de termos que continuar investindo na renovação e melhoramento do canavial. Ainda bem que nossos custos operacionais são baixos. Nossos custos de plantio, trato de soca, CRM e CTT estão entre os mais baixos do setor. Além disso, nossa indústria respondeu muito bem na safra passada com uma eficiência industrial de 90% e uma disponibilidade de 93%. Para essa safra pretendemos moer 1,46 milhões de t, produzir 103 mil t de VHP e mais 45 mil m3 de etanol total, ou seja, um mix 57% para o açúcar. ”

 Para essa próxima safra na área industrial, o CEO da Usina Diana revela que a empresa se preocupará mais com a manutenção, além de melhoramentos pontuais. Já na área agrícola o investimento foi grande. A companhia investiu muito na renovação do canavial, com uma taxa de 18% e expansão próxima a 7%. Além disso, ele conta que a agricultura de precisão também recebeu uma atenção especial. “Hoje temos 100% das nossas áreas tipificadas e atuamos em cima disso. Estamos fazendo a lição de casa para podermos colher os frutos”, explica.

Junqueira afirma que 2018 será mais um ano complicado, com muitas dificuldades à serem superadas. “A crise iniciada em 2008, agravada em 2010, depois uma desvalorização do real frente ao dólar entre 2013 e 2014, seca em 2010 e 2014, tudo isso ainda não foi superado totalmente. Existe um superávit mundial de açúcar, tem a variável do preço do petróleo e a indefinição de como o dólar vai se comportar nesse ano de eleição. ”

No entanto, acredita que o RenovaBio é uma esperança muito grande não só para o setor como também para o Brasil e o meio ambiente. Mas afirma que o maior desafio será a equação eleição X variável do dólar. “Quero ver como isso vai se comportar, como o STJ, o STF, e o STE vão interferir nisso. Veja o quão extensa é a lista de preocupações do empresário do setor. ”

Para ele, teoricamente, os empresários deveriam apenas se preocupar em fazer o máximo possível de açúcar e etanol, no menor custo possível, mas não. Para sobreviver, eles precisam olhar com atenção e entender para onde vai o preço do petróleo no mundo, têm que se inteirar da economia dos EUA, da força do dólar, da complexa Legislação Trabalhista Brasileira, terceirização, chuvas e por aí vai. “Isso é uma loucura”, adiciona.

INTERIOR E CAPITAL

Casado há mais de 25 anos com Renata e pai de Camila, 23 anos, que cursa moda, e Daniel, 21 anos, estudante de Propaganda e Marketing, Junqueira conta que normalmente fica durante a semana na usina e no final da sexta-feira vai para São Paulo ficar com a família. “Temos também um pequeno escritório na capital e usamos quando estamos por lá. Nos últimos anos, minha esposa e principal acionista da companhia, tem vindo comigo e me ajudado bastante. Ela participa, entende e discute. Mas confesso que de vez em quando é difícil ser empregado da esposa”, brinca.  

Amante de viagens, ele revela que sempre que possível está viaja com a família para uma casa de campo que tem no interior de São Paulo. “Cimento queimado no chão, pintura caiada nas paredes, fogão à lenha, tramela de porteira nas portas ao invés de fechaduras, nem guarnição nas portas e esquadrias tem. É muito simples, mas é uma delícia, uma paz. Lá gostamos de praticar esportes, fazer wake durante o dia e à noite acender a lareira para tomar um vinho. ”

Além da casa pacata no interior, Junqueira revela que já viajou bastante com os filhos, amigos, mas ainda tem muitos lugares para conhecer no Brasil e no exterior, especificamente Belém do Pará, Pantanal, Austrália e Nova Zelândia. Muito dedicado a família, ele explica que paz de espírito é algo primordial quando se deseja encontrar a felicidade. “Me considero uma pessoa em procura dessa paz. Sou extremamente dedicado à família e aos amigos. Sou honesto, perfeccionista e até um pouco chato às vezes”, confessa.

Um dos seus maiores aprendizados foi entender que todo mundo erra, mas que o mais importante é encarar os erros com naturalidade, sabendo assumi-los. “Erros todos nós cometemos, mas é importante assumir e não esconder. O problema mais cedo ou mais tarde vai aparecer e, cada dia que passa, te garanto que esse problema vai estar maior e mais difícil de ser resolvido. Portanto, assuma o erro, faça o seu melhor para resolvê-lo e assuma as eventuais consequências.”

Ele adiciona que outra coisa que deve ser sempre lembrada é que não existem super-homens/mulheres e que ninguém é dono da verdade. “Tenha cabeça sempre aberta para aprender”, aconselha o executivo que tem como maior sonho ver seus filhos felizes e realizados tanto no profissional quanto no pessoal. “Ver meus filhos formados e felizes, se possível casados, com filhos para eu poder mimar seria maravilhoso. Também sonho muito em ver a companhia e meus companheiros de trabalhos estabilizados e felizes”, finaliza.