Movimento reflete maior produção na Índia e no Brasil, além de menor preocupação com restrições às exportações indianas
Os preços internacionais do açúcar ampliaram as perdas recentes e atingiram o menor patamar em seis semanas, pressionados por perspectivas de ampla oferta global e por dados mais robustos de produção em importantes países produtores.
O contrato de açúcar bruto com vencimento em maio recuou 0,5%, a 13,68 centavos de dólar por libra-peso, depois de se recuperar inicialmente da queda de sexta-feira. Por sua vez, o contrato mais ativo de açúcar branco encerrou a sessão com queda de 0,3%, a US$ 411,20 a tonelada.
O movimento de queda ganha força em meio à sinalização do governo da Índia de que não pretende restringir as exportações de açúcar em 2025/26. A declaração, feita pelo secretário de Alimentos do país, reduziu preocupações do mercado de que o produto pudesse ser redirecionado para a produção de etanol, especialmente após as tensões geopolíticas envolvendo o Irã impactarem os preços do petróleo.
Além disso, dados divulgados pela federação das cooperativas de açúcar da Índia indicam aumento relevante na produção. De acordo com a entidade, o volume produzido pelo país entre 1º de outubro e 31 de março da safra 2025/26 alcançou 27,12 milhões de toneladas, alta de 9% na comparação anual, reforçando o cenário de maior disponibilidade global da commodity.
No Brasil, maior produtor mundial, os números também contribuem para a pressão sobre os preços. Segundo levantamento da UNICA, a produção acumulada de açúcar no Centro-Sul na safra 2025/26, entre outubro e meados de março, somou 40,25 milhões de toneladas, crescimento de 0,7% em relação ao mesmo período do ciclo anterior. No mesmo intervalo, as usinas ampliaram o direcionamento da cana para a fabricação de açúcar, com o mix açucareiro avançando para 50,61%, ante 48,08% no ano passado.
Esse aumento na destinação da matéria-prima para o açúcar reforça a percepção de oferta elevada no mercado internacional, em um momento em que a demanda não apresenta mudanças significativas.
Apesar do cenário atual de baixa, os preços do açúcar chegaram a registrar valorização recente, impulsionados pelo mercado de energia. No fim de março, os contratos em Nova York atingiram o maior nível em seis meses, enquanto o açúcar branco negociado em Londres alcançou máximas em mais de seis meses.
O movimento foi sustentado pela forte alta do petróleo, que chegou ao maior patamar em quase quatro anos, elevando a competitividade do etanol e incentivando, ao menos naquele momento, uma maior destinação da cana para biocombustíveis.
Ainda assim, com a confirmação de maior oferta global — especialmente por Índia e Brasil — o viés recente voltou a ser baixista, pressionando as cotações internacionais do açúcar.
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