Os preços do açúcar seguem pressionados pela perspectiva de ampla oferta global, em meio ao aumento da produção nos principais países produtores e à possibilidade de maiores exportações da Índia.
O contrato de açúcar bruto com vencimento em março fechou em queda de 0,23 centavo de dólar, ou 1,5%, a 14,73 centavos de dólar por libra-peso. O contrato perdeu 1,5% na semana. Por sua vez, o contrato mais ativo de açúcar branco caiu 1,6% na sessão, indo a US$ 418,90 por tonelada.
Dados divulgados nesta quarta-feira pela Unica indicam que a produção acumulada de açúcar do Centro-Sul do Brasil na safra 2025/26, até dezembro, somou 40,222 milhões de toneladas, alta de 0,9% em relação ao mesmo período do ciclo anterior. No mesmo intervalo, a participação da cana destinada à produção de açúcar subiu para 50,82%, ante 48,16% na safra 2024/25.
Na Índia, a India Sugar Mill Association (ISMA) informou na segunda-feira que a produção de açúcar da safra 2025/26, no período de 1º de outubro a 15 de janeiro, alcançou 15,9 milhões de toneladas, crescimento de 22% na comparação anual. Em 11 de novembro, a entidade revisou para cima sua estimativa de produção indiana para o ciclo 2025/26, elevando a projeção para 31 milhões de toneladas, ante previsão anterior de 30 milhões, o que representa um avanço de 18,8% sobre o volume da safra passada.
A ISMA também reduziu a estimativa de açúcar destinado à produção de etanol na Índia para 3,4 milhões de toneladas, abaixo da projeção de 5 milhões divulgada em julho. A revisão pode abrir espaço para um aumento das exportações indianas de açúcar. A Índia é o segundo maior produtor mundial da commodity.
Os preços do açúcar também têm sido pressionados pelas expectativas de maior oferta externa da Índia, após declarações do secretário de Alimentos do país de que o governo pode autorizar exportações adicionais para reduzir o excedente doméstico. Em novembro, o Ministério da Alimentação indiano informou que permitiria às usinas exportar 1,5 milhão de toneladas de açúcar na safra 2025/26. O país adotou um sistema de cotas para exportações em 2022/23, depois que chuvas tardias reduziram a produção e limitaram a oferta interna.
O cenário de possível superávit global reforça a pressão sobre as cotações. Na semana passada, a Covrig Analytics elevou sua estimativa de superávit global de açúcar para a safra 2025/26 para 4,7 milhões de toneladas, ante 4,1 milhões projetados em outubro. Para a safra 2026/27, no entanto, a consultoria prevê redução do excedente para 1,4 milhão de toneladas, à medida que preços mais baixos desestimulam a produção.