Os preços do açúcar encerraram em alta na quinta-feira, impulsionados pela valorização do real brasileiro frente ao dólar. A moeda brasileira atingiu o maior patamar em cerca de 2,25 meses, movimento que estimulou a recompa de posições vendidas nos contratos futuros de açúcar. Um real mais forte tende a desestimular as vendas externas dos produtores brasileiros, oferecendo suporte às cotações.
O contrato de açúcar bruto com vencimento em março fechou em alta de 0,22 centavo de dólar, ou 1,5%, a 14,96 centavos de dólar por libra-peso. Por sua vez, o contrato mais ativo de açúcar branco subiu 1,1%, para US$ 425,90 a tonelada.
Apesar da alta, o mercado segue atento ao posicionamento excessivamente comprado nos contratos de açúcar branco na ICE de Londres. O relatório semanal Commitment of Traders (COT), divulgado na sexta-feira anterior, mostrou que os fundos ampliaram suas posições líquidas compradas em açúcar branco em 4.544 contratos, alcançando um recorde de 48.203 — o maior nível da série histórica desde 2011. Esse excesso de posições pode intensificar eventuais movimentos de queda nos preços.
No lado da oferta, a produção maior no Brasil segue como fator de pressão. A Unica (União da Indústria da Cana-de-açúcar e Bioenergia), informou que a produção acumulada de açúcar no Centro-Sul do Brasil na safra 2025/26, até dezembro, cresceu 0,9% na comparação anual, totalizando 40,222 milhões de toneladas. Além disso, a proporção de cana destinada à produção de açúcar aumentou para 50,82% em 2025/26, ante 48,16% em 2024/25.
O cenário global também pesa sobre o mercado. A Covrig Analytics elevou, na segunda-feira anterior, sua estimativa de superávit global de açúcar para a safra 2025/26, passando de 4,1 milhões para 4,7 milhões de toneladas. Para 2026/27, contudo, a consultoria projeta redução do excedente global para 1,4 milhão de toneladas, avaliando que preços mais fracos tendem a desestimular a produção.
Com informações da Barchart