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Preços do etanol despencam nas usinas enquanto valores nos postos têm leve recuo

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Os preços do etanol nas usinas de São Paulo registraram queda de 17% para o combustível hidratado e de 14% para o anidro em relação aos valores vistos há pouco mais de um mês no maior estado consumidor e produtor do país, com pressão de uma produção recorde em 2026/27, segundo cálculos da Reuters com base em levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP.

Na semana passada, as cotações mantiveram tendência de queda, com o etanol hidratado (usado nos carros flex) caindo 5,4%, e o anidro (utilizado na mistura da gasolina) recuando 3,5% nos preços nas usinas – sem impostos – em meio à pressão da chegada do produto da nova safra de cana-de-açúcar ao mercado e com o crescimento da oferta do biocombustível de milho, avaliou o Cepea.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontou nesta terça-feira, 28, em sua primeira estimativa para a nova safra (2026/27), uma produção recorde de etanol no Brasil, com crescimento de 8,5% em relação à temporada passada.

Apesar da queda para os preços pagos aos produtores de etanol, a situação ainda não é espelhada nos postos de abastecimento. Os preços do biocombustível hidratado e da gasolina C (com mistura de 30% de anidro) não têm registrado oscilações de preços relevantes, conforme os mais recentes dados publicados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Na média do estado de São Paulo, o etanol hidratado apresentou recuo de 2% nos postos, comparando-se dados da semana passada com o período encerrado em 21 de março, para R$ 4,43 por litro. Na média do Brasil, a queda foi ainda menor, de 0,85%, para R$ 4,66 por litro.

“Por que na bomba está ainda ‘lento’ esse repasse? Eu creio que em primeiro lugar a gente tem que pensar que existe uma defasagem de alguns dias entre a venda na usina e esse produto chegar ao posto”, disse o analista Marcelo Di Bonifácio Filho, da StoneX. “É possível que, de maio em diante, a gente veja os preços do etanol derreterem também para o consumidor final”, acrescentou.

Ele ponderou que a demanda também é um fator importante: “Ela cresce agora especialmente porque a gasolina está mais cara diante das altas pós-início da guerra no Irã”.

O analista observou também a possibilidade de a cadeia de distribuição e postos estarem segurando o preço do etanol no momento “para aproveitar margens maiores com esse movimento menos favorável da gasolina em poucas semanas”.

A gasolina C, vendida nos postos com a mistura de etanol anidro, registrou alta de 1,75% na média do estado de São Paulo na comparação com a cotação do mês anterior, para R$ 6,94 por litro, enquanto na média Brasil o avanço nos postos em relação ao mês anterior foi de 1,2%, para R$ 6,92 por litro.

Uma fonte do setor de distribuição, que falou na condição de anonimato, considerou o repasse imediato mais suave da queda de preço na usina como uma situação “comum” no início da safra de cana. Lembrou ainda que o preço do combustível leva mais tempo para cair na bomba, “mas sempre cai pela pressão da competição em si”.

“É a tal assimetria na transmissão (sobe rápido e cai lento)”, disse.

Procurado, o Sindicato Nacional das Empresas de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom) não comentou o assunto.

Reuters| Roberto Samora e Marta Nogueira

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Episódio 22: Como as tecnologias e a IA impactam as operações agrícolas?

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