Maior disponibilidade do biocombustível pressiona cotações no spot, enquanto mercado segue cauteloso diante de cenário externo e expectativa de mix mais alcooleiro
O mercado paulista de etanol hidratado registrou aumento da oferta na última semana, pressionando as cotações em todas as regiões produtoras. Segundo pesquisadores do Cepea, o avanço da moagem da safra 2026/27 e o início das atividades em novas usinas levaram vendedores a ampliar a disponibilidade do combustível, diante do receio de quedas mais acentuadas nos preços. Mesmo com interrupções pontuais na moagem causadas pelas chuvas, os recuos foram diários no estado de São Paulo.
Do lado da demanda, o ritmo de negócios seguiu fraco, com distribuidoras atuando de forma cautelosa e aproveitando apenas oportunidades pontuais, ainda que alguns compradores tenham elevado ligeiramente as aquisições após semanas de volumes reduzidos. No radar do mercado, ganha força a possibilidade de um mix mais alcooleiro ao longo da safra, influenciado pela queda nos preços do açúcar e pelo dólar em patamares mais baixos.
O movimento recente ocorre após uma safra 2025/26 marcada por valorização nos preços médios do etanol. De acordo com o Cepea, o Indicador CEPEA/ESALQ do hidratado registrou média de R$ 2,7805 por litro, alta de 6,52% frente à temporada anterior, enquanto o anidro atingiu R$ 3,1291 por litro, avanço de 6,21%, em termos reais. Apesar disso, o volume comercializado de etanol hidratado pelas usinas paulistas recuou 28% no ciclo, com destaque para maio de 2025, que concentrou maior movimentação, e julho, que registrou o menor volume negociado.
Ao longo da safra, a relação entre o preço do hidratado e da gasolina C permaneceu abaixo de 70% no estado, patamar considerado vantajoso ao biocombustível. Para a safra 2026/27, iniciada em 1º de abril, a expectativa é de um ambiente mais cauteloso, marcado pela volatilidade do petróleo e pela perspectiva de aumento da oferta, especialmente com o avanço do etanol de milho. Nesse contexto, segundo o Cepea, o comportamento do mercado internacional de energia, influenciado pelas tensões no Oriente Médio, deve seguir como fator determinante para as estratégias das usinas. As projeções preliminares indicam moagem entre 625 e 630 milhões de toneladas de cana no Centro-Sul, crescimento de 3% a 4% em relação ao ciclo anterior.

