Raízen amplia apoio a fornecedores de cana

Responsável pelo processamento de cerca de 10% da cana do Centro-Sul do país, a Raízen Energia – joint venture entre Cosan e Shell que faturou R$ 30 bilhões na safra passada (2019/20) – quer reforçar sua relação com fornecedores terceirizados da matéria-prima como parte de sua estratégia de crescimento por meio de programas de apoio técnico e financeiro para melhorar a produtividade das lavouras. Os fornecedores representam, hoje, metade da cana processada nas 24 usinas do grupo em operação, de um total de 26.

A companhia já reúne cerca de 350 grandes agricultores com alta tecnificação em um programa, chamado Cultivar, de apoio para acesso a crédito, aumento da produtividade, melhoria da gestão e de incentivo à meritocracia. Esse programa já existe há quatro anos, mas opera no atual formato, de apoio transversal aos produtores, há dois anos.

Apenas esse grupo seleto de fornecedores, de um universo de quase 3 mil na lista da companhia, são responsáveis por entregar 18 milhões de toneladas de cana às usinas da empresa. Atualmente, a Raízen Energia processa 60 milhões de toneladas de cana por safra, mas tem capacidade para até 73 milhões.

Em quatro safras, o número de produtores que passaram a participar do Cultivar mais do que dobrou, e a quantidade de cana apoiada pelo programa cresceu 41%.

Em março de 2020, a companhia adquiriu a operação agrícola de um parceiro em Caarapó (MS), o que reduziu o volume de cana adquirido de terceiros na região. Mas está se aproximando de outros fornecedores e quer encerrar a safra atual (2020/21) com mais de 400 produtores no Cultivar e 22,6 milhões de toneladas recebidas via o programa, afirma Ricardo Berni, diretor de negócios agrícolas da Raízen Energia.

O envolvimento de mais agricultores no programa pode ser facilitado pelo contexto econômico, em que não são poucos os plantadores de cana com dificuldade para acessar crédito. Medidas de apoio de grandes agroindústrias a fornecedores de matéria-prima e clientes, sobretudo de pequeno porte, têm despontado no agronegócio como alternativa em tempos de crise.

Uma das principais atuações da Raízen no programa é justamente intermediar a relação entre fornecedores e instituições financeiras para permitir que os produtores tenham acesso a linhas de financiamento a taxas de juros menores que as praticadas no mercado, tanto para custeio dos canaviais quanto para investimento na renovação das lavouras. A mediação do grupo também costuma permitir a redução da burocracia envolvida nas contratações.

Desde a existência do programa, os produtores que dele participam acessaram R$ 400 milhões em “crédito facilitado”, e a meta da Raízen é garantir uma movimentação média de R$ 200 milhões por safra. “O objetivo é ter cada vez mais renovação segura dos canaviais e uma lavoura bem tratada”, explica Berni.

Outro instrumento que a companhia passou a oferecer neste ano através do programa é o barter, com apoio de cooperativas. Nesse caso, os produtores podem utilizar insumos das cooperativas e, ao entregarem cana à Raízen, a companhia paga às cooperativas o valor devido. Por enquanto, há cerca de 30 produtores interessados, mas o diretor da Raízen espera que 20% dos fornecedores comecem a aderir ao barter.

O rendimento agrícola dos produtores envolvido no Cutivar vem crescendo nas últimas safras e já está em 80 toneladas por hectare – superando a produtividade das lavouras próprias da Raízen, segundo o diretor da companhia. Em comparação com os produtores que estão fora do programa hoje, os fornecedores do Cultivar têm produtividade 11% maior. “Embora sejam grandes produtores e tenham outras culturas, têm cuidado quase artesanal com a lavoura.”

O apoio à melhora da produtividade dos fornecedores também vem de ações de apoio a boas práticas agrícolas, uso de softwares de gestão e apoio administrativo. A inclusão dos produtores em um processo de compra de insumos da Raízen também permite uma redução de custos de, em média, 6%.

A Raízen também pretende incluir todos os seus fornecedores de cana em um programa de consultoria de sustentabilidade ambiental e de conformidade trabalhista – o Elo, do qual já participam 2 mil produtores. “Como a diversidade entre produtores é muito grande, queremos levar a todos, desde o pequeno até o grande, o mesmo nível de conscientização ambiental e de sustentabilidade”, disse Berni.