Home Últimas Notícias Raízen terá que repactuar parte de seus R$ 25 bilhões em pendências tributárias
Últimas Notícias

Raízen terá que repactuar parte de seus R$ 25 bilhões em pendências tributárias

Compartilhar

Parte das cobranças é contestada em âmbito administrativo, e uma menor parte, na Justiça

As pendências financeiras da Raízen não se limitam aos seus financiadores. A companhia tem R$ 25 bilhões em litígios tributários – classificados entre perdas prováveis ou possíveis – e se propôs a repactuar seus passivos, ao menos os que estão em âmbito federal, para concluir seu plano de reestruturação financeira.

A informação consta no documento que a companhia apresentou ao mercado na noite de quarta-feira, 27, sobre os termos em que a renegociação de suas dívidas está sendo discutidos com seus credores. Na apresentação, a Raízen detalhou os valores que pode ter como perdas prováveis e possíveis, e divulgou uma lista dos principais litígios tributários.

Somando todas as perdas prováveis e possíveis com tributos federais e também estaduais, a pendência da companhia na frente fiscal chega a R$ 25 bilhões. Parte das cobranças é contestada em âmbito administrativo, e uma menor parte, na Justiça.

Entre os passivos mais relevantes, a companhia menciona cobranças do Fisco de pelo menos R$ 11,9 bilhões entre compensações de créditos de PIS/Cofins não reconhecidos pela Receita, PIS/Cofins de sua subsidiária Blueway, e pendências de imposto de renda.

Segundo o advogado tributário do FAS Advogados, Leo Lopes, o reconhecimento de créditos de PIS/Cofins “é o principal contencioso tributário hoje no Brasil”, e por isso é natural que seja o principal litígio de uma companhia. “Ao longo dos anos, a Receita foi adotando uma postura mais restritiva na análise do que daria direito a crédito”, afirmou.

A Raízen também citou seus principais litígios tributários em âmbito estadual, que somam ao menos R$ 4 bilhões, todos relacionados a cobranças de ICMS. Segundo Lopes, as cobranças do tributo “têm um problema adicional por causa de interpretações distintas em diversos estados”.

Os atuais acionistas, Cosan e Shell, têm em seu acordo que cobririam os passivos referentes ao período anterior à formação da joint venture, em 2011. Mas, de acordo com a própria companhia, esse compromisso de reembolso só é capaz de cobrir R$ 7,2 bilhões de suas contingências tributárias, mantendo descobertos outros R$ 17,4 bilhões, entre litígios federais e estaduais.

Condição precedente

A Raízen colocou a repactuação dos passivos tributários em nível federal como uma das condições precedentes para a conclusão do acordo de reestruturação financeira, “quando determinado benéfico ou factível”, de acordo com o documento apresentado pela companhia.

Em sua proposta, a Raízen indicou que pretende concluir o acordo de reestruturação até 31 de março de 2027, mas propôs estender esse prazo por seis meses caso a repactuação dos passivos fiscais federais seja a única condição precedente em suspenso.

Isso significa que, para garantir o sucesso da repactuação dos R$ 65 bilhões em dívidas com credores, a companhia terá até o fim desta safra 2026/27 que renegociar o que deve à Receita Federal, o que representa uma parcela relevante de seu contencioso fiscal.

A repactuação desses passivos terá que ser submetida ao comitê de credores e a aprovação dos acionistas. O tema é tão relevante que, na proposta, a Raízen indicou que ao menos um dos membros do comitê de credores terá que ter “conhecimento dos assuntos tributários”.

O documento também prevê o estabelecimento de soluções para os passivos fiscais estaduais, mas não propôs esse tipo de acordo como uma condição precedente para a o fechamento da reestruturação.

Reestruturação fiscal e financeira

As repactuações de passivos tributários são mais comuns por empresas em recuperação judicial, o que não é o caso da Raízen, que está em recuperação extrajudicial.

Os acordos das empresas em recuperação judicial com o fisco ganharam impulso em 2020 com a edição da lei 14.112/2020, que garantiu a suspensão do trâmite das execuções fiscais das empresas em recuperação judicial e estabeleceu regras para a repactuação desses passivos.

Segundo a advogada Tatiana Chiaradia, sócia da área tributária do Candido Martins Cukier, pela lei as empresas em recuperação judicial podem liquidar “os seus débitos para com a Fazenda Nacional em condições especiais de parcelas e reduções significativas, permitindo, assim, a manutenção das atividades empresariais e a solvência dos valores em aberto”.

A legislação prevê determinadas regras para a renegociação, como a limitação do pagamento de pelo menos 0,5% da dívida nas 12 primeiras parcelas, e de pelo menos 0,6% da dívida nas parcelas 13ª a 24ª.

Mas empresas em recuperação extrajudicial também podem solicitar à Procuradoria da Fazenda Nacional uma renegociação de seus passivos tributários.

Segundo Lopes, a renegociação dos tributos por uma empresa em recuperação extrajudicial não tem regras e “é um acerto por vontade das partes”, e pode envolver todo o contencioso tributário ou apenas parte do valor em disputa.

Porém, enquanto na recuperação judicial a empresa está protegida de cobranças do Leão, na recuperação extrajudicial as cobranças e execuções podem continuar ocorrendo.

Globo Rural| Camila Souza Ramos

Compartilhar

Episódio 26: Manejo de plantas daninhas em cana: por que começar antes faz toda a diferença?

Episódio 25: Bioenergia sem limites: o futuro da cana além do açúcar e do etanol

Enviamos diariamente um boletim informativo com destaques do setor bioenergético 

Artigo Relacionado
Últimas Notícias

Governo, no momento adequado, saberá como implementar lei da reciprocidade, diz Alckmin

Executivo anunciou que haverá recalibragem do chamado plano Brasil Soberano, que prevê...

Últimas NotíciasDestaque

Cocal amplia moagem para 8,6 milhões de t, mas lucro cai 48,5% na safra 2025/26

Companhia registra recuperação da produtividade agrícola, amplia a produção de etanol e...

Últimas Notícias

Moody’s rebaixa Cosan após crise na Raízen e mantém perspectiva negativa

Decisão foi influenciada pelos impactos da reestruturação da Raízen e redução nos...

Últimas NotíciasDestaque

Portugal e Brasil buscam investidores para usinas de combustíveis sustentáveis

Portugal e o Brasil estão buscando atrair investidores brasileiros para construir uma...