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Retrospectiva 2024: O setor sucroenergético brasileiro avança em produtividade, sustentabilidade, inovação e enfrenta desafios ambientais

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O ano de 2024 foi um período de grandes avanços para o setor sucroenergético brasileiro, consolidando o país como líder mundial na produção de açúcar e biocombustíveis. A safra de cana-de-açúcar alcançou 620 milhões de toneladas, um crescimento de 2,5% em relação ao ciclo anterior, reflexo dos investimentos em tecnologia e manejo agrícola, essenciais para a competitividade do setor.

De acordo com Luciano Rodrigues, diretor de inteligência setorial da UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia), “a adoção de práticas de agricultura de precisão e a introdução de variedades de cana mais resistentes têm sido cruciais para o avanço da produtividade”.

Em 2024, a produtividade média por hectare foi de 78,6 toneladas por hectare, resultado de melhorias tecnológicas implementadas no campo. Esse aumento reflete o empenho do setor para manter o Brasil na vanguarda da produção agrícola mundial, com tecnologias de ponta que garantem a eficiência e a sustentabilidade do cultivo de cana-de-açúcar.

Esse aumento reflete o empenho do setor para manter o Brasil na vanguarda da produção agrícola mundial, com tecnologias de ponta que garantem a eficiência e a sustentabilidade do cultivo de cana-de-açúcar.

Expansão na produção de biocombustíveis

O setor também teve destaque no avanço da produção de biocombustíveis, com a produção de etanol atingindo 37 bilhões de litros, um aumento de 7% em relação a 2023. Esse crescimento foi impulsionado pela crescente demanda no mercado interno e internacional. Dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) revelam que o etanol anidro, utilizado na mistura com a gasolina, representou 48% desse total.

Em termos de sustentabilidade, o Brasil deu passos importantes. Nos três primeiros meses deste ano, as emissões evitadas pela bioenergia alcançaram 14,9 milhões de toneladas de CO₂, levando em conta etanol e biodiesel. Este é o segundo maior valor trimestral registrado desde o início do estudo do Observatório de Bioeconomia da FGV, no primeiro trimestre de 2020. No entanto, os incêndios florestais, especialmente nas regiões produtoras de cana-de-açúcar, afetaram negativamente o avanço da sustentabilidade do setor.

Incêndios florestais e seus impactos

Em 2024, o Brasil enfrentou um aumento significativo nos incêndios florestais, especialmente em áreas de preservação e propriedades agrícolas, como as regiões produtoras de cana-de-açúcar. De acordo com dados do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), entre janeiro e setembro de 2024, mais de 18.000 focos de incêndio foram registrados na Amazônia e no Cerrado, representando um aumento de 12% em relação ao ano anterior.

Esses incêndios impactaram diretamente a produtividade de áreas de cana-de-açúcar. De acordo com dados da UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), 231,8 mil hectares de lavouras de cana-de-açúcar foram atingidas pelos incêndios registrados no interior de São Paulo em agosto. Além disso, a degradação ambiental associada aos incêndios gerou emissões adicionais de gases de efeito estufa, comprometendo os esforços do setor na redução do CO₂. A indústria sucroenergética, ciente dos impactos ambientais, continua priorizando ações de recuperação e adotando práticas sustentáveis para mitigar os efeitos das queimadas.

Luciano Rodrigues destacou que, diante desse cenário, “os esforços do setor sucroenergético seguem dedicados à prevenção e combate dos focos de incêndio, com segurança aos trabalhadores e preservação do meio ambiente”. A indústria sucroenergética, ciente dos impactos ambientais, continua priorizando ações de recuperação e adotando práticas sustentáveis para mitigar os efeitos das queimadas.

No aspecto econômico, além das perdas diretas de produção, os incêndios afetaram a imagem do setor no mercado internacional, especialmente no que diz respeito à sustentabilidade. A volatilidade climática e os impactos ambientais, exacerbados pelos incêndios, somaram-se a desafios como as barreiras tarifárias em mercados externos, dificultando a ampliação das exportações.

Inovação e a chegada do SAF

Um dos grandes destaques de 2024 foi a evolução na produção de SAF (Combustível Sustentável de Aviação), com a certificação de usinas para o uso de etanol como matéria-prima. Segundo Raphael Nascimento, diretor de novos negócios da Raízen, “o SAF representa uma nova fronteira para a bioenergia, integrando a sustentabilidade ao mercado de combustíveis”. O combustível, que vem ganhando espaço globalmente, tem se mostrado uma alternativa importante para reduzir as emissões no setor de aviação e apoiar a transição energética. O combustível, que vem ganhando espaço globalmente, tem se mostrado uma alternativa importante para reduzir as emissões no setor de aviação e apoiar a transição energética.

Projeções para 2025

Para 2025, as perspectivas continuam sendo otimistas. De acordo com o 2º Levantamento da Safra divulgado pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), a produção brasileira de cana-de-açúcar na safra 24/25 deve atingir 689,8 milhões de toneladas, impulsionada pela recuperação de áreas degradadas e pela continuidade dos investimentos em tecnologias inovadoras. O setor deve enfrentar desafios, como o aumento da concorrência internacional e a volatilidade nos mercados de energia.

Apesar dos desafios ambientais, como os incêndios florestais, o setor sucroenergético brasileiro manteve-se resiliente e avançou em áreas como produtividade, sustentabilidade e inovação. A adoção de tecnologias para prevenção de incêndios, a expansão do uso de biocombustíveis e o desenvolvimento do SAF refletem o comprometimento do setor com a sustentabilidade e com a liderança global na produção de energia renovável. Com perspectivas positivas para 2025, o setor está preparado para enfrentar os desafios futuros e continuar desempenhando um papel essencial na economia e no meio ambiente.

Jeniffer Santos para a RPAnews
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Enviamos diariamente um boletim infortivo com destaques do setor sucroenergético

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