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Safra 2021/22: Consultoria prevê queda de 8% no ATR

Colheita de cana
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Mesmo com um leve crescimento da área de cana no Brasil em 2020, o clima mais seco que o normal vai trazer como consequência a quebra de safra. Mediante a este cenário, a consultoria JOB Economia projeta uma quebra de rendimento agrícola no Centro-Sul e uma moagem de cana de 576,4 milhões de t.

O rendimento industrial previsto é menor que o da safra passada, apesar de acima da média dos últimos anos. Em termos de produtos finais (ATR) a quebra será de 8%, segundo previsão da consultoria.

“O clima na região Centro-Sul se mostrou, entre abril de 2020 e março de 2021, bem mais seco que o normal. Choveu 28,7% e 33,8% a menos que o normal no Centro-Sul e em São Paulo, respectivamente”, aponta Julio Maria M. Borges, sócio-diretor da JOB Economia.

Dados da Conab (Companhia Nacional do Abastecimento) mostram que a área de cana no Brasil teve ligeiro aumento em 2020: 1,9%. Isto não acontecia desde 2017. No Centro-Sul, o aumento foi de 2,1% e no Norte-Nordeste 0,9%.

A safra no Norte-Nordeste deverá ser muito parecida com a anterior com ligeiro aumento da cana a ser moída. O clima da região tem chance de ser normal, com o La Niña em andamento.

Usinas devem priorizar açúcar

Para a consultoria, as usinas brasileiras não vão reduzir sua produção em relação à safra passada. A quebra de safra prevista para o Centro-Sul deverá se concentrar no etanol.

“Para o Centro- Sul prevemos uma produção de 37,2 milhões de t de açúcar; para o Norte-Nordeste, o mesmo volume da safra passada 2020/21: 3,2 milhões de  t”, afirma Borges.

O Brasil deve exportar cerca de 4 milhões t de açúcar a menos que no ano passado: 29,9 mi t versus 34,0 em 2020/21. Isto devido à produção menor e estoques iniciais relativamente baixos, ao contrário da safra anterior 2020/21.

Etanol: produção e exportação menor

A produção de etanol de cana no Centro-Sul será menor que na safra passada pois a redução prevista de moagem deve se concentrar na produção de etanol. O volume previsto de 24,5 bilhões de litros.

A crescente produção de etanol de milho, por outro lado, deve manter seu ritmo. Prevemos um volume de produção de 3,6 bilhões de litros, contra 2,6 bilhões de litros na safra passada 2020/21.

Segundo Borges, a menor disponibilidade de etanol e açúcar para mercado interno vai criar uma condição de suporte para os preços dos produtos.

“Estamos admitindo que nesta nova safra a receita média da usina por tonelada de cana moída deve aumentar cerca de 15% em relação à receita da safra passada. Esta já foi satisfatória considerando que cobriu o custo total de produção”, adiciona.

As exportações também serão menores em 0,7 bilhões de litros devido ao menor volume de excedente exportável. “As importações seguirão inibidas pela falta de competitividade do produto importado.”

Os estoques de passagem em 31 de março de 2022 de açúcar e etanol deverão se mostrar relativamente baixos.

“O mix de produção no Centro-Sul, como consequência da quebra de produção concentrada no etanol, deve refletir a preferência pelo açúcar, que aumentaria de 45,9% para 48,3%”, afirma Borges.

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