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Durante o mês de fevereiro os preços de açúcar apresentaram fortes variações. A tela de março chegou aos US$18 cents por libra-peso e finalizou o mês em US$ 17,84 cents por libra-preso, alta de 10,7%. Apesar das variações, o Brasil já tem 80% do açúcar travado na bolsa a valores recordes.

Segundo análise do Itaú BBA, a queda dos preços no final do mês ocorreu em função da expectativa de que a expiração do vencimento de março traria consigo um volume alto de entregas na bolsa.

A tela de maio de 2021 agora é o vencimento mais curto, e fechou em US$ 16,42 cents por libra-peso, alta de 9% comparada com o último fechamento de janeiro.

“As cotações fortalecidas do açúcar VHP em dólar em fevereiro foram impulsionadas pelas altas do Brent do petróleo. Além disso, o aperto do balanço de O&D global se mostrou mais forte com os problemas enfrentados pela Índia e Tailândia que refletiram diretamente no preço da commodity”, afirma o banco.

A Índia enfrentou problemas logísticos para exportação do açúcar demerara, e fez com que os compradores procurassem outras origens. A Tailândia, por ser um país exportador de açúcar e geograficamente próxima aos destinos, foi uma das cotadas, porém nesta safra além de uma área menor de produção, também está enfrentando baixa produtividade e, portanto, menor disponibilidade açúcar.

Os prêmios do açúcar no país aumentaram e, consequentemente, acabaram influenciando nos preços em NY. “No Brasil, os preços do adoçante em reais por tonelada apresentaram recordes, com valores acima de R$ 2 mil por t, e cerca de 80% do açúcar da safra 2021/22 já travado na bolsa”, afirma o banco.

Boa produtividade ou etanol?

O aperto no balanço global de O&D continua direcionando os preços em patamares em que o açúcar indiano continue na paridade de exportação.

Os problemas logísticos no país começaram a diminuir e tendem a voltar à normalidade apesar das perspectivas de custos logísticos mais altos. Além disso, a safra indiana começa a chegar ao fim em algumas regiões, e o foco do mercado começa a se voltar novamente para a safra do Centro-Sul do Brasil.

No Brasil, com grande parte da safra já precificada em NY, as luzes se voltam para o desenvolvimento da cana e início da safra 2021/22.

Segundo análise do Itaú BBA, o período seco em 2020 atrasou o desenvolvimento das soqueiras para colheita em 2021, o que sugere que o setor pode atrasar o início da colheita para ajudar a recuperar parte da produtividade comprometida.

“No entanto, com os preços atuais do etanol batendo recordes históricos, a grande questão do mercado neste momento se volta para a conta do tradeoff entre melhores produtividades esperando a cana se desenvolver ou a captura dos bons preços de etanol colhendo a cana antecipadamente”, afirma a equipe do banco.

Outro fator que deve continuar no radar é a evolução das chuvas que são necessárias tanto para o desenvolvimento da soqueira quanto para a cana que está sendo plantada neste início de ano.

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