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Suspeito de atear fogo em canavial de São Paulo integra facção criminosa, diz governo

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Um dos seis homens presos por suspeita de atear fogo em canaviais e matas do estado de São Paulo relatou ser integrante de uma facção criminosa, afirmou a secretaria de segurança pública em nota nesta terça-feira, 27.

Segundo a secretaria, o homem que afirmou participar da facção criminosa tem 42 anos e foi preso no domingo, em Batatais, interior de São Paulo. “Desde a semana passada, seis pessoas foram detidas (no estado) por causar incêndio em vegetação. As investigações realizadas até o momento não apontam relação entre os casos e os suspeitos presos e detidos”, acrescentou a secretaria.

Os incêndios em canaviais do estado de São Paulo, que responde por cerca de metade da produção de cana do Brasil, destruíram milhares de hectares na última semana, causando prejuízos de centenas de milhões de reais a produtores.

O órgão do governo paulista ressaltou ainda que “todas as circunstâncias são investigadas” pela Polícia Civil. A manifestação da secretaria foi feita após o secretário estadual de Agricultura, Guilherme Piai, ter afirmado à Reuters nesta terça-feira que suspeitos de atear fogo em canaviais teriam agido com a motivação de retaliar o combate ao crime realizado pelo governo paulista.

“O governo do estado de São Paulo através da secretaria de segurança pública, secretaria da fazenda, está trabalhando muito contra combustíveis adulterados”, ressaltou Piai. “Hoje, o crime organizado comprou algumas usinas em recuperação judicial, comprou centenas de postos de gasolina e talvez seja uma maneira de retaliar esse trabalho contra o crime organizado”, acrescentou.

Ele mencionou também que “alguns” detidos se declararam ligados à facção criminosa PCC. A nota da secretaria não cita o PCC.

A Polícia Federal está investigando o caso juntamente com o governo paulista.

Segundo o secretário, alguns focos de incêndio em canaviais de São Paulo começaram no mesmo horário, o que indica que não foi algo acidental, conforme apurado por meio de imagens de satélite.

Mais cedo, na abertura de evento da Associação Nacional de Difusão de Adubos (Anda), o secretário afirmou que as queimadas geraram “prejuízos bilionários para o agronegócio de São Paulo”, enquanto apenas o setor de cana-de-açúcar perdeu R$ 400 milhões.

Durante discurso, o secretário citou a prisão de um quinto suspeito de estar envolvido nos crimes.

Procurado, o promotor Luis Fernando Rocha, coordenador do Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente (Gaema) do Ministério Público de São Paulo (MPSP), afirmou que até agora não há elementos que permitam dizer que as queimadas foram uma ação do crime organizado, embora isso não esteja descartado. “Trabalhamos com todas as hipóteses”, disse.

O Gaema, que atua na prevenção, combate e responsabilização cível por incêndios e queimadas, tem atuado junto com outros órgãos do MPSP, inclusive criminais, por conta da situação “excepcional”, apontou Rocha. “Foi (incêndio) criminoso. O que não temos elementos para falar é que foi organizado, que foi crime organizado. Até agora, não”.

A Secretaria da Segurança Pública afirmou ainda que prendeu na segunda-feira um homem de 44 anos em São José do Rio Preto, além de outro suspeito em Jales.

Além desses dois suspeitos, outros quatro suspeitos foram detidos desde a semana passada, sendo um deles na cidade de Guaraci, por atear fogo em vários pontos de um canavial. Um outro foi detido em São José do Rio Preto e outros dois em Batatais.

Prejuízos

Piai disse que o governo paulista vai liberar crédito para pequenos produtores afetados e para os que tiveram moradia incendiada. O secretário contabilizou 150 municípios afetados.

Os prejuízos decorrentes das queimadas da última semana em canaviais no estado de São Paulo foram inicialmente estimados em R$ 350 milhões, com o fogo atingindo mais de 1% das lavouras paulistas, de acordo com avaliação da Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (Orplana).

Também durante o evento, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, qualificou os incêndios em canaviais como criminosos, mas não entrou detalhes.

A União da Indústria de Cana-de-açúcar e Bioenergia (Unica), que representa usinas do Centro-Sul do Brasil, afirmou que não comenta investigações em andamento. A Orplana não quis comentar.

Com informações da Reuters/Roberto Samora
Com reportagem adicional de Fábio Teixeira e Letícia Fucuchima
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