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Tecnologia inédita pode ser usada não só no combate como na prevenção de incêndios nos canaviais

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No combate direto aos incêndios, uso de apenas 5% da solução quintuplica a eficiência da água e diminui rapidamente a altura das chamas em mais de 60%, reduzindo a dispersão natural da linha de fogo em mais de 70%.

Os canaviais este ano estão enfrentando, mais uma vez, uma estiagem severa. Além de chuvas irregulares e mal distribuídas durante o verão, as temperaturas tem ficado acima da média em grande parte das regiões produtoras de cana. O Centro-Sul do Brasil sofre com o bloqueio atmosférico, que impede a entrada de frentes frias, e a ausência de outros sistemas causadores de chuva na região, que deve ultrapassar por um longo período de estiagem, o que torna crítico e essencial que as usinas busquem não só soluções para amenizar os efeitos da seca nos canaviais, como também sua proteção contra incêndios, comuns neste período.

Usinas vêm investido milhões de reais em sistemas de monitoramento de incêndio, treinamento de colaboradores e tecnologias que ajudam a reduzir riscos. E pesando exatamente em trazer uma solução mais sustentável e eficiente para incêndios nos canaviais, uma empresa de tecnologia especializada no desenvolvimento de soluções agronômicas para o manejo de nutrição foliar de plantas, teve a ideia de desenvolver uma tecnologia inédita que ao ser aplicada no canavial pode prevenir ou erradicar o fogo de forma mais eficiente, racional e sustentável tanto em áreas agrícolas como florestais.

A empresa Euroforte Agrociências desenvolveu o Firout, uma solução em calda pronta que atua como supressor e retardante de fogo, uma alternativa mais sustentável para o combate a incêndios em resíduos de colheita, assim como a prevenção contra incêndios criminosos em palhadas de colheita de cana-de-açúcar, lavouras brancas e florestas.

Flávio Pompei, engenheiro agrônomo, pesquisador e especialista da Euroforte, revela que durante uma visita ao Parque Yosemite da região de Fresno, na Califórnia, EUA, uma conversa com técnicos e especialistas do setor de incêndios indicou que um bom caminho para desenvolvimento de uma solução seria a busca por produtos de baixa entalpia natural, miscíveis em água em qualquer proporção, anticomburentes e necessariamente atóxicos, tanto às plantas e animais, como aos microbiomas do solo e águas naturais e, também, ao manejo habitual pelos brigadistas durante o combate do fogo.

“Observamos também, que seria bom que o resíduo da calcinação fosse fortemente anticomburente porque isso reduziria a necessidade de rescaldos naturalmente morosos e prolongados. Essa orientação balizou as dezenas de pré-testes realizados em laboratório pela equipe da Euroforte, sempre na busca por moléculas organominerais fluidas de baixíssima entalpia. Assim, em 2014, encontramos a molécula que constitui a alma do Firout. Por ser atóxica ao manuseio, a equipe do Prevfogo do IBAMA solicitou a tecnologia e foram doados 6 mil litros do Firout em 2015, que foram aplicados com grande sucesso no combate aéreo de parte do grande incêndio na Floresta Natural do Maranhão, na microárea de uma aldeia indígena situada naquele bioma florestal”, explica Pompei.

Mais potente que o fogo, mais rápido que a chama

Depois de uma avaliação científica e meticulosa realizada entre 2018 e 2019 pela UFPR-Curitiba, na qual testes experimentais foram aplicados em uma fazenda da própria universidade, uma pesquisa pioneira no desenvolvimento de parâmetros técnicos brasileiros para a avaliação crítica de retardantes do fogo foi realizada, o que fez com que o Firout fosse validado como um retardante de longo prazo.

“Fizemos diversas demonstrações em canaviais e durante este período empresas parceiras desenvolveram recursos eletrônicos inovadores, facilmente adaptáveis aos veículos de combate ao fogo, o que ampliou ainda mais o potencial e o bom manejo operacional do Firout, tanto como supressante no combate direto, como retardante no combate indireto de incêndios”, destaca Pompei.

Por ser um organomineral, o Firout é facilmente metabolizado pelo microbioma do solo e das águas naturais, assim como pelo microbioma de resíduos vegetais e o da própria filosfera sobrevivente. Além disso, Pompei explica que o produto tem um pH levemente alcalino (≈7,5) e pode ser armazenado puro por muitos anos, preferencialmente em recipientes plásticos, embora sem risco expressivo de oxidação em recipientes de ferro e alumínio.

Pompei explica que por ser solução verdadeira, colorida com pigmentos alimentares, é de manuseio fácil e miscível rapidamente na água em qualquer proporção, dispensando os habituais agitadores mecânicos dos equipamentos e mochilas de brigadistas, assim como dos tanques de aeronaves e de veículos terrestres.

No uso técnico e prático, em lavouras comerciais, o produto mostrou que no combate direto (como supressante) a solução apenas a 5% quintuplica a eficiência da água e diminui rapidamente a altura das chamas em mais de 60% e reduz a dispersão natural da linha de fogo em mais de 70%.

“Esses fatos reduzem consideravelmente a demanda pelo transporte e manuseio de água, gerando grande eficiência e economia. Nesse tipo de combate, demonstrou que os resíduos da calcinação, que ficam nos materiais extintos também são nutrientes de plantas, mas fortemente anticomburentes, o que reduz consideravelmente as preocupações com o rescaldo habitual. Nas operações de prevenção o mais comum é a constituição de aceiros úmidos, geralmente por solução a 5%, porque ficou bem demonstrado que ela bloqueia o caminho natural da linha do fogo em lavouras e palhadas de colheita e a extingue completamente”, detalha Pompei.

Existem vários tipos retardantes químicos importados, mas o manejo e manuseio prático deles geralmente é trabalhoso, moroso, exigem agitação permanente e, além de terem algumas limitações técnicas e toxicológicas no uso. Além disso, segundo Pompei, são produtos bem mais caros quando se considera a dose efetiva do produto/m2.

“O Firout se diferencia desses produtos pela sua atoxicidade, sustentabilidade e facilidade de manuseio, porque pode usado, por exemplo, na constituição de aceiros úmidos em faixas de palhada durante a colheita, reduzindo significativamente o risco de perdas de máquinas e equipamentos e até de pessoal. Como a sua molécula é fortemente consumidora de calor e seu resíduo é anticombustível, anticomburente e, por ser constituído exclusivamente de nutrientes de plantas e microbiomas, é rapidamente biodegradável”, salienta Pompei.

A hora é agora

As épocas ideais para aplicação do Firout são aquelas em que há maiores riscos de combustão espontânea ou criminosa de canaviais, palhadas de colheitas e florestas no período de seca prolongada, ou seja, a hora é agora.

Para aplicação do produto podem ser usados os mesmos equipamentos usados nos combates com uso apenas de água, uma vez que ele é misturado direta e naturalmente na água. De acordo com Pompei, a recomendação mais importante às empresas e fornecedores, agrícolas e florestais, é que procurem conhecer esse recurso tecnológico nacional e sustentável e invistam na manutenção de um estoque de emergência dessa tecnologia e na estruturação e treinamento de sua equipe de combate.

“Quando se discute o custo e conveniência da aplicação o interessado deve sempre levar em conta o risco e custo dos prejuízos patrimoniais, de equipamentos, maquinários e até de infraestrutura com os incêndios, sejam eles naturais ou criminosos. Assim, Firout é uma arma poderosa de defesa das safras, do pessoal e dos investimentos na produção agrícola ou florestal”, adiciona Pompei.

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