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A Usina União Indústria foi autuada pela Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) por irregularidades na queima da palha da cana-de-açúcar durante a colheita na Zona da Mata de Pernambuco. O processo, que causa impacto ambiental e danos à saúde, deixou tomado pela fumaça o distrito de Frexeiras, no município de Escada.

De acordo com a agência, a usina pode ser condenada a pagar multa, que não foi especificada, e até perder autorização para uso do fogo nessa atividade. A lei determina multa de R$ 5 mil a R$ 50 milhões para quem provocar poluição com danos à saúde humana, segundo a CPRH.

A queima da palha da cana-de-açúcar é realizada nos canaviais antes do corte manual. Isso é feito para facilitar a colheita, melhorar a segurança do trabalhador e aumentar o rendimento da atividade.

Distrito de Frexeiras, em Escada, ficou tomado pela fumaça de queimas de cana-de-açúcar — Foto: Reprodução/WhatsApp
Distrito de Frexeiras, em Escada, ficou tomado pela fumaça de queimas de cana-de-açúcar — Foto: Reprodução/WhatsApp

De acordo com as normas estaduais, no entanto, esse procedimento precisa ser feito somente à noite, “evitando-se os períodos de temperatura mais elevada e respeitando-se as condições dos ventos predominantes no momento da operação, de forma a facilitar a dispersão da fumaça e minimizar eventuais incômodos à população”.

Ainda de acordo com a CPRH, no local em que houve a queimada não havia aceiro, que é uma faixa de terra de solo descoberto, sem vegetação, que deve ser mantida pelo empreendedor para evitar a propagação de fogo.

Por fim, o fogo foi ateado pela usina sob a rede de transmissão de energia elétrica, o que também fere a legislação. “Devem ser respeitados os limites de quinze metros da linha de transmissão e distribuição de energia elétrica e/ou cem metros ao redor da área de domínio de subestação de energia elétrica”, afirmou a CPRH, por meio de nota.

Queima da palha de cana

A queima da palha da cana-de-açúcar é um processo necessário quando a colheita é manual, porque fazer o corte com a palha intacta torna a colheita difícil e menos segura para o trabalhador.

Segundo os especialistas, a solução seria mecanizar o corte, o que não ocorre em Pernambuco devido à topografia do terreno. Além disso, muitos trabalhadores dependem desse trabalho para sobreviver.

Os gases liberados pela queimada da cana-de-açúcar podem causar, entre outros impactos, contaminação de solos e água, chuva ácida e danos à biodiversidade.

O processo emite uma espécie de fuligem composta por até 95 tipos de partículas finas e ultrafinas, invisíveis a olho nu, que podem causar, por exemplo, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) tanto a quem sofre com patologias respiratórias quanto para quem não tem comorbidades.

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