Home Últimas Notícias Usina é multada por não cumprir cota legal de pessoas com deficiência
Últimas Notícias

Usina é multada por não cumprir cota legal de pessoas com deficiência

Compartilhar

O TST (Tribunal Superior do Trabalho) acolheu recurso do Ministério Público do Trabalho (MPT) e condenou a Usina Uberaba ao pagamento de indenização de R$ 250 mil por descumprir a cota legal de pessoas com deficiência. Por unanimidade, o colegiado entendeu que a empresa se omitiu durante cinco anos, de forma deliberada, para não contratar o número exigido de pessoas nessa condição.

A usina tinha mais de 600 funcionários, mas apenas um com deficiência. De acordo com o TST, conforme o artigo 93 da Lei 8.213/1990, empresas com quadro de 500 a mil funcionários devem destinar 4% das vagas a pessoas reabilitadas ou com deficiência.

De acordo com sustentação do MPT, ao longo de cinco anos, a empresa teve várias oportunidades de cumprir a lei e recebeu diversas sugestões, mas sempre alegou dificuldade na contratação devido ao tipo de suas atividades e à sua localização.

Em resposta, a Usina Uberaba explicou que o trabalho no campo não permite a implementação de condições de acessibilidade ou adaptação do ambiente para PcD. Ela apresentou laudos técnicos segundo os quais tais trabalhadores não poderiam exercer atividades rurais.

A 2ª Vara do Trabalho de Uberaba e o Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (TRT-3) negaram a indenização por dano moral coletivo. Para o TRT-3, a usina se empenhou em cumprir a lei, pois publicou anúncios em jornais locais e informou a existência de vagas nas entidades que cuidam de PcD, como clínicas, fundações e a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae).

No entanto, no TST, o relator do caso, desembargador convocado José Pedro de Camargo Rodrigues de Souza, observou que a usina sofreu três autuações por descumprimento da cota entre 2013 e 2015. Também destacou que a empresa mantém mais de 70 atividades na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) e não teve interesse em firmar termo de ajustamento de conduta (TAC) com o MPT para o cumprimento gradual da cota.

Para Souza, a empresa deveria ter feito uma busca proativa para cumprir a exigência legal, “por meio da implantação de programas de capacitação de pessoas com deficiência; ampliação e diversificação do oferecimento de vagas em diferentes níveis do empreendimento, e promoção de ambiente efetivamente inclusivo e acessível a todos”.

Cinco anos após o ajuizamento da ação, de acordo com o ministro Augusto César, a empresa ainda tinha apenas dois empregados com deficiência, quando o total necessário era 65. “É uma desproporção muito grande, gigantesca, para que se imagine que há algum empenho no sentido de cumprir a cota”, afirmou ele.

A ministra Kátia Arruda, presidente da 3ª Turma, disse que formalidades são ineficazes para cumprimento de cotas. “A empresa mandou ofícios e ficou passivamente esperando interessados, que já têm dificuldades auditivas, de visão, de locomoção e que, provavelmente, não vão ler jornais”, afirmou. Segundo ela, a empresa precisa ter uma postura ativa para preencher as vagas, e o entendimento contrário a isso esvazia a lei.

O valor da indenização será revertido a projetos, órgãos públicos ou entidades beneficentes de proteção a Pessoas com Deficiência (PcD).

Natália Cherubin, com informações o TST

Compartilhar

Episódio 26: Manejo de plantas daninhas em cana: por que começar antes faz toda a diferença?

Episódio 25: Bioenergia sem limites: o futuro da cana além do açúcar e do etanol

Enviamos diariamente um boletim informativo com destaques do setor bioenergético 

Artigo Relacionado
DestaqueÚltimas Notícias

Setor do etanol avalia judicialização por perdas com subsídio à gasolina

Produtores consideram recorrer à Justiça para ressarcimento, mas priorizam negociação política com...

Últimas Notícias

Denúncias apontam possíveis impactos ambientais em projeto da Pedro Afonso Bioenergia

Reportagem da Repórter Brasil revela denúncias de danos ambientais, questionamentos sobre o...

Últimas Notícias

Escalada entre EUA e Irã pode ameaçar superávit de petróleo em 2027, diz IEA

Uma escalada das hostilidades entre Estados Unidos e Irã pode comprometer a...

Últimas Notícias

Petróleo fecha em queda com expectativa de navegação mais tranquila em Ormuz

Os preços do petróleo fecharam em queda na sexta-feira, 10, após a...