10 dicas para um plantio mecanizado PERFEITO!

Produtores que realizam o plantio mecanizado há 9 anos revelam as práticas que, se adotadas, garantem um plantio de sucesso tanto sob o ponto de vista agronômico, quanto ­econômico

Você, produtor ou usina sucroenergética que decidiu abandonar o plantio 100% mecanizado ou mesmo você, que faz o plantio mecanizado de cana-de-açúcar tem feito com excelência? Gasta pouca muda? Tem boa brotação? Índice baixo de falhas?

Sabe tudo de plantio mecanizado? Faça o teste e prove que você manda bem! 

Os produtores e especialistas da Agroquatro-S Experimentação e Consultoria Agronômica, o engenheiro agrônomo Sérgio Gustavo Quassi de Castro, também pesquisador Fitotecnista e o engenheiro Agrônomo Saulo Augusto Quassi de Castro, doutorando na CENA ESALQ-USP, que adotam o plantio mecanizado há nove anos, dão 10 dicas que garantem um plantio mecanizado de sucesso tanto sob o ponto de vista agronômico, quanto ­econômico.

Produtores que realizam o plantio mecanizado há 9 anos revelam as práticas que, se adotadas, garantem um plantio de sucesso em todas as etapas desta tarefa.
Produtores revelam as práticas que, se adotadas, garantem um plantio de sucesso em todas as etapas desta tarefa. (Foto: reprodução)

“É importante destacar que as 10 medidas são essenciais para o bom resultado. Não é possível destacar o melhor ou o menos importante, assim como, a negligência de um ou mais aspectos contribuirão para um plantio mecanizado de qualidade inferior”, destacam os produtores.

1 – Sistematização da área

A realização de uma eficiente mecanização na lavoura canavieira, seja no plantio, colheita ou tratos culturais, está associada a um bom estudo de sistematização, ou seja, definir previamente a necessidade e/ou alocação de terraços, design e comprimento das linhas de plantio. Todos estes pontos contribuirão para bons coeficientes operacionais.

2 – Manejo de preparo do solo e rotação de culturas

É importante avaliar em cada condição edafoclimática, qual a melhor opção de preparo do solo na reforma do canavial, seja via preparo convencional, preparo reduzido, ou até mesmo plantio direto.

A referida decisão se baseia no intuito de haver um solo sem torrões e impedimentos físicos, corrigida a fertilidade em seu perfil. Ajustando a melhor forma de preparo do solo, a adoção da rotação de culturas – leguminosa ou adubo verde, é preponderante para melhoria na qualidade solo, sob o ponto de vista microbiológico, incrementos de carbono orgânico, fixação biológica do nitrogênio e controle de algumas pragas e plantas daninhas.

3 – Variedade de cana-de-açúcar

Fundamental definir qual variedade a ser utilizada como muda no plantio mecanizado. Algumas variedades são mais aptas, outras menos aptas a essa modalidade de plantio.

Algumas apresentam uma germinação mais homogênea, outras são mais lentas, e necessitam de alguns ajustes operacionais. Importante, ter uma muda sadia, sem ataque de pragas e doenças, ereta e jovem (até 7 meses).

4 – Colheita da cana para muda

Um aspecto muito negligenciado, mas que é essencial é ter uma colhedora ajustada para a operação de colheita destas mudas. Ajuste na velocidade de deslocamento, proteção dos constituintes internos e externos da máquina, padronização do desponte da máquina, velocidade do extrator primário (limpeza da cana), ajuste de velocidade dos rolos alimentadores e padronização no tamanho do tolete, são alguns dos aspectos a se considerar.

5 – População e gasto de mudas

Nem sempre um plantio mecanizado sem falhas é o que há maior população de gemas e gasto total de muda (Mega grama gasto de colmos por hectare plantado).

De acordo com o padrão de crescimento e desenvolvimento da cana adotada como muda, é que se deve fazer os ajustes mencionados acima. Desse modo, haverá um plantio mecanizado sustentável sob o ponto de vista econômico.

6 – Monitoramento em tempo real da qualidade do plantio

As avaliações de qualidade do plantio devem ser feitas em tempo real, e não após o término do plantio da área. Assim, saber o gasto de gemas por metro, e a porcentagem de danos nas gemas, profundidade do sulco de plantio e camada de solo sobre os toletes, permite os ajustes e manutenção dos indicadores em um padrão de qualidade agronômica.

7 – Confecção do sulco de plantio

A dimensão e formato do sulco são aspectos chave para que haja uma boa deposição de tolete no solo, sem a presença de “bolsões de ar” ou torrões, havendo assim, maior interface entre o tolete e o solo.

8 – Qualidade na distribuição dos toletes

A ideia de que quanto mais toletes eu jogar, será melhor é um dos primeiros indícios que seu plantio mecanizado não está indo bem. Portanto, a distribuição dos toletes tem que ser algo constante, com fluidez, não havendo espaços no sulco sem a presença de toletes, bem como, distribuição elevada de toletes, irá causar sobreposição desses no sulco de plantio e menor germinação.

9 – Práticas agronômicas no plantio

Considerando as condições edáficas, época e variedade adotada, deve-se realizar uma nutrição equilibrada, fornecendo os nutrientes a cultura, bem como aplicação de insumos (químicos ou biológicos) para a proteção contra pragas e doenças.

A adoção de aminoácidos, substâncias húmicas e hormônios, tem apresentado melhoria na emergência e desenvolvimento das plantas.

10 – Treinamento da equipe e agricultura de precisão

Plantio mecanizado não é correria, não se pode prevalecer o famoso hectare plantado por hora. Deve-se trabalhar em uma velocidade que permita a realização da operação com qualidade agronômica, assim como, a capacitação contínua dos colaboradores é algo fundamental e de conscientização.

Ademais, as técnicas de agricultura de precisão – piloto automático, telemetria, dentre outras, possibilitam que o plantio mecânico ocorra 24 horas por dia, característica essa que emprega alto rendimento operacional, e otimização do plantio na época e clima ideal.