Etanol deve ficar mais competitivo

Considerada a prova dos nove da política de preços da Petrobras, a elevação dos preços da gasolina e do diesel anunciada pela estatal na segunda-feira (5) deve garantir um ganho de competitividade para o etanol no curto prazo, segundo analistas e executivos consultados pelo Valor.


Após o ajuste do preço da gasolina nos postos, o reflexo sobre os valores do etanol deve ocorrer em cerca de duas semanas, tornando-o mais vantajoso nesse período. “Esse costuma ser o tempo que o preço do etanol, concorrente da gasolina, leva para reagir a alterações nos valores do combustível fóssil”, afirma o presidente da SCA Trading, Martinho Ono.

Atualmente, os preços do etanol equivalem a 77% do valor da gasolina nos postos paulistas, acima do patamar em que o biocombustível é considerado igualmente competitivo, de 70%. Ono acredita que, nas próximas semanas, essa relação possa ir a 70%, ou o preço do etanol pode voltar a ficar R$ 1 o litro mais barato que a gasolina, o que também atrai os consumidores.

O CEO do Grupo São Martinho, Fábio Venturelli, vê possibilidade de aumento da demanda pelo biocombustível neste momento. "Pode ter um impacto, sim, porque a resposta dos dois combustíveis não é necessariamente na mesma velocidade. Um anúncio de aumento de gasolina sempre gera uma demanda um pouco maior de álcool", observou.

Segundo Ono, a demora para o preço do etanol acompanhar a gasolina está relacionada à rede de distribuição mais pulverizada e aos estoques que as distribuidoras já têm em mãos do produto.

Como a Petrobras também elevou o preço do diesel, um componente dos custos de produção das usinas, os ganhos dos produtores de etanol tendem a ser menores que a variação dos preços dos combustíveis. Ainda assim, essas alterações podem ter impacto positivo de 3% na receita das usinas, conforme cálculo da consultoria FG/A, a pedido do Jornal Valor Econômico.

                            .O reajuste de 9,5% e 8,1% dos preços do diesel e da gasolina, respectivamente, nas refinarias, aplicado ontem pela Petrobras foi visto pelo mercado como um sinal de independência da atual gestão da estatal e de credibilidade da nova política de preços dos combustíveis, que tem a paridade internacional como piso. Para analistas, porém, a correção de preços adotada esta semana ainda é insuficiente para recompor os prêmios que a petroleira vinha praticando sobre os preços internacionais nos últimos meses e, por isso, a companhia deverá aprovar novo reajuste no início do próximo ano, se o cenário de preço do petróleo e taxa de câmbio permanecer o mesmo.

Os bancos UBS, Credit Suisse e BTG Pactual elogiaram a rápida decisão da Petrobras de reajustar os preços dos combustíveis, dias após a decisão tomada pela Organização dos Países Exportadores do Petróleo (Opep) de cortar a produção fator que provocou aumento dos preços da commodity. “Reiteramos nossa opinião positiva sobre a política de preços”, informou o UBS, em relatório assinado por Luiz Carvalho e Juliano Ozenda. Segundo o banco, o reajuste terá impacto positivo de US$ 290 milhões no Ebitda da estatal no quarto trimestre, ou de 4% no Ebitda deste ano, estimado em US$ 6,9 bilhões.

Segundo o diretor Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires, para que a Petrobras retomasse o patamar de prêmio sobre os preços internacionais que vinha praticando antes da nova política, com forte impacto positivo na geração de caixa da empresa, seria necessário um reajuste médio dos preços da gasolina e do diesel de 28%.

Ontem, a Petrobras também anunciou reajuste de 12,3% dos preços de comercialização do gás liquefeito de petróleo (GLP) destinado aos usos industrial, comercial e granel às distribuidoras, que entrará em vigor a partir de hoje. Segundo a companhia, os preços de GLP destinado ao uso residencial, comercializado em botijões (conhecido como “gás de cozinha”), não foram objeto de reajuste.

(Fonte: Valor Econômico)