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O Ministério das Minas e Energia avalia que a queda de 3,1% nos preços da gasolina nas refinarias, anunciada pela Petrobras, chegue ao consumidor final do derivado de petróleo, ao contrário do que ocorreu por ocasião do reajuste de 14 de outubro. À época, a baixa de 3,2% na gasolina foi anulada pela forte alta do etanol anidro, misturado em até 27% ao combustível vendido nos postos. Segundo o coordenador-geral de inserção de novos combustíveis renováveis do Ministério, Marlon Arraes, o cenário desde então é de estabilidade do preço do anidro e a queda de R$ 0,03 a R$ 0,04 por litro de gasolina nos postos, estimada pelo mercado, pode ser concretizada.
 
Segundo ele, a estabilização no preço do anidro ocorre porque o combustível, contratado pelas distribuidoras junto às usinas no início da safra, em abril, tem preço de realização balizado pelo etanol hidratado. Como o hidratado havia subido de preço antes da primeira baixa do preço da gasolina, houve um impacto no anidro e, consequentemente, na gasolina. "Mas nas últimas três semanas houve estabilização do hidratado e, possivelmente, a redução do preço da gasolina poderá chegar ao consumidor, porque o anidro também está estabilizado", explicou Arraes ao Broadcast durante o Congresso Nacional de Bioenergia, em Araçatuba (SP).
 
O coordenador do Ministério das Minas e Energia admitiu que a oferta de etanol hidratado na atual safra é mais restrita que na passada por conta da prioridade dada pelas usinas à produção de açúcar nesta temporada. No entanto, Arraes garantiu que haverá estoques suficientes até o final da entressafra, em março de 2017, tanto do etanol utilizado puro e diretamente nos tanques, como do anidro misturado à gasolina. "Estamos vendo ainda uma retração de demanda de hidratado após alta nos preços e, além dos estoques, há uma janela de oportunidades para importar anidro dos Estados Unidos", afirmou.
 
Arraes disse ainda que o ministério responsável pela gestão do combustível feito de cana-de-açúcar no governo trabalha junto ao Ministério da Fazenda para que a volta da cobrança do PIS/Cofins sobre o etanol, em 1º de janeiro de 2017, convirja também para a gasolina. O setor produtivo de etanol pleiteou junto ao governo que o tributo, de R$ 0,12 por litro, seja cobrado sobre a gasolina e não sobre o etanol ou, no máximo, que haja uma divisão do tributo entre os dois combustíveis.
 
"Defendemos que essas alterações de preços não prejudiquem a relação de preços entre etanol e gasolina. Fizemos gestão junto à Fazenda no sentido de fazer a convergência; a proposta foi discutida com a Receita (Federal), levada ao governo e isso não está fechado", concluiu. 
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