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Falta de chuva e de investimentos prejudica canaviais

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A escassez de chuvas necessárias para o desenvolvimento dos canaviais no ciclo 2017/18 e a falta de investimento em renovação e em tratos culturais deverão afetar a próxima safra (2018/19) do Centro-Sul (2018/19), que começará em abril.

Várias regiões não receberam chuvas ou registraram volumes abaixo da média no inverno do ano passado, o que comprometeu o início da rebrota dos pés de cana que haviam acabado de ser cortados e atrasou o desenvolvimento dos canaviais. A estiagem durou de 90 a 120 dias, a depender da região, afirmou Plinio Nastari, presidente da Datagro, em evento ontem em Ribeirão Preto (SP). Segundo a consultoria, a moagem de cana na próxima temporada deverá alcançar 577 milhões de toneladas, ante as 596 milhões esperadas para 2017/18.

O clima também tem sido desfavorável às lavouras desde fevereiro, com precipitações abaixo da média. Alguns polos foram mais penalizadas no mês passado no interior paulista, como Piracicaba, Ribeirão Preto e São José do Rio Preto, e as previsões indicam que as chuvas seguirão abaixo da média até 25 de março.

A falta de investimentos em tratos culturais, que facilita a proliferação de pragas, também pode agravar a situação. Faltaram, ainda, investimentos em renovação de canaviais, necessária para iniciar novos ciclos da planta, já que o envelhecimento dos pés compromete a produtividade ao longo do tempo. Para alguns analistas, o excesso de mato nos canaviais pode ser um problema até maior que o clima na próxima safra.

Segundo Nastari, a intenção das usinas de renovar seus canaviais neste ano é ligeiramente menor do que era em 2017 – está abaixo de 14%. Com isso, a idade média das plantações, que está em torno de 3,7 anos, não deverá diminuir.

A queda da produtividade já está nas contas da Usina Batatais, que prevê que sua moagem só não será menor no novo ciclo porque a área de colheita vai crescer. Segundo Bernardo Biagi, presidente do grupo, as duas usinas da Batatais deverão processar 7,2 milhões de toneladas de cana, 2% a mais do que em 2017/18. Como a concentração de açúcares na cana (ATR) deverá cair 2%, o incremento será garantido pela expansão de 5% da área de colheita. A idade média das lavouras do grupo deverá aumentar de 4,1 para 4,2 anos.

O cenário de menor oferta da matéria-prima no Centro-Sul em geral deverá acentuar a tendência de redução da produção de açúcar na nova safra, já esperada porque o etanol está remunerando melhor as usinas.

Conforme a Datagro, a produção de açúcar em 2018/19 no Centro-Sul deverá ficar em 31,6 milhões de toneladas, ante as 36,1 milhões do ciclo 2017/18. E o viés da projeção, segundo Nastari, é “para baixo”, a depender da tendência de maximização da produção de etanol e da permanência dos preços do açúcar em níveis “não estimulantes”.

Assim, a produção total de etanol (anidro e hidratado) do Centro-Sul deverá subir para 26,7 bilhões de litros em 2018/19, ante 26,3 bilhões estimados para a safra atual, de acordo com a Datagro.

E o país também terá uma oferta adicional de etanol de milho mais expressiva em razão dos novos investimentos em usinas que usam o cereal. A Datagro estima que a produção nacional de etanol de milho deverá crescer de 525 milhões de litros, em 2017/18, para 830 milhões. (Valor Econômico)

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Episódio 23: O etanol de milho pode mudar o futuro das usinas brasileiras?

Episódio 22: Como as tecnologias e a IA impactam as operações agrícolas?

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